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Mulheres lideraram combate à escravidão de indígenas na Amazônia, mostra estudo

por: Vitor Paiva

O fim oficial da escravidão indígena – principal mão de obra da Amazônia durante o século 18, extinta em 1755 com a Lei de Liberdade dos Índios no Brasil – não significou, na prática, o efetivo fim da exploração escrava dos povos nativos. De forma ilegal, a prática permaneceu acontecendo e, dessa permanência, nasceram as lutas indígenas por liberdade, que realizavam ações de denúncia para as Juntas das Missões, tribunal português que fiscalizava o trabalho, e concedia liberdade aos índios escravizados ilegalmente. Um estudo realizado pela mestranda em História Social Luma Ribeiro Prado, da USP, descobriu que boa parte dessas denúncias – dessas lutas – foi capitaneada por mulheres.

Quadro da época representando a escravidão indígena

Segundo os estudos de Prado, 53% das ações de denuncia foram lideradas por mulheres, diante de uma realidade de 75% de mulheres indígenas escravizadas à época. A pesquisa de Prado procura não só iluminar a importância das mulheres nativas no contexto da escravização das populações indígenas, mas também a própria força dos nativos como sujeitos políticos – realidade praticamente ignorada ao longo da história do Brasil.

A pesquisadora lembra que somente na constituição de 1988 os índios foram sequer reconhecidos como sujeitos de direito, “hábeis para entrar em juízo por conta própria”, ela diz. “Considero importante termos conhecimento de que, desde o período colonial, mulheres e homens indígenas agiram de acordo com seus interesses, procurando dialogar ou se contrapor de variadas formas aos não-indígenas e às situações, geralmente desfavoráveis, que lhes eram apresentadas”, afirmou.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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