Diversidade

Nike corta 70% do salário de atletas grávidas. Negociações são feitas por homens

por: Redação Hypeness

Allyson Felix é a única mulher a conquistar nada menos que seis medalhas de ouro olímpicas. Ela tem ainda 11 títulos mundiais. A membra da equipe de atletismo dos Estados Unidos usou o New York Times para expor o machismo presente entre a relação com a Nike e o desejo de ser mãe.

– Estrela de ‘Pantera Negra’ vai lutar pela igualdade de gênero na ONU

“Eu sou uma das atletas mais valiosas da Nike. Se eu não consigo garantir uma maternidade segura, quem pode?”

Allyson expôs a política sexista adotada pela gigante norte-americana e revelou pressão e medo de engravidar. Felix e acusa a Nike de ter oferecido 70% menos dinheiro depois dela ter dado à luz.

Depois de desabafo de Allyson, Nike se comprometeu em mudar política

“As negociações não foram nada bem. Embora acumule inúmeras vitórias, a Nike propôs me pagar 70% menos. Eles acham que eu valho menos agora”.

A atleta disse ter se inspirado na coragem de outras colegas do atletismo, Alysia Montaño e Kara Goucher, que romperam contratos de patrocínio com a Nike para dividir suas histórias com o New York Times.

“Se nós temos filhos, corremos o risco de vivenciar cortes nos valores de patrocínio durante e depois da gravidez. É um exemplo de como as regras na indústria esportiva são feitas para os homens”.

– Estas são 23 convocadas para o Copa do Mundo 2019

– Gillette questiona responsabilidade dos homens em propaganda contra o machismo

A recordista explica que decidiu formar uma família em 2018 ciente de que a gravidez seria “um beijo da morte”. “Foram momentos assustadores pra mim, porque estava negociando a renovação de contrato com a Nike”.

Além de lidar com o turbilhão de mudanças provocado pela maternidade, Allyson Felix sentiu a pressão de retornar ao treinamentos o mais rápido possível. Ela tentou negociar garantias de performance com a empresa.

“Pedi a Nike um contrato que garantisse que eu não seria punida caso não atingisse meu melhor desempenho nos meses após o nascimento do meu filho. Queria criar um novo limite. A Nike rejeitou e estamos em um impasse desde então”.

Alysson Felix não esconde o desapontamento com a empresa e revela que a admiração pela filosofia da companhia foi um dos motivos para assinar o primeiro contrato.

Allyson disse que Nike ofereceu 70% a menos depois que virou mãe

“Ironicamente, os supostos princípios da Nike me fizeram assinar contrato há quase 10 anos atrás. Poderia ter fechado com outros e ganhado muito mais dinheiro”.

Citando que as conversas eram conduzidas somente por homens, ela acrescenta, “a frustração não é apenas com a Nike, mas como a indústria trata atletas do sexo feminino. Não é só sobre gravidez. Temos que defender as marcas que apoiamos, mas precisamos lembrar da responsabilidade das grandes empresas na construção do perfil de futuros atletas e clientes”.

O posicionamento de Allyson, Alysia e Kara surtiu efeito. Segundo o The Wall Street Journal, a Nike se comprometeu em promover mudança em sua política de maternidad.

“Eu aplaudo a Nike por perceber que uma mudança era necessária”.

Publicidade

Fotos: Reprodução


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Homem trans grávido dá à luz a uma menina em SP