Ciência

No matriarcado dos bonobos, as mães escolhem fêmeas para os filhos

por: Vitor Paiva

Se Freud fosse um chimpanzé ele certamente ficaria animado a estudar o caso dos bonobos como paradigmático para suas teses relacionais entre mães e filhotes: nessa espécie de primata, as fêmeas querem tanto que seus filhos se reproduzam que elas não só arranjam as pretendes como vigiam o acasalamento – e, não satisfeitas, são capazes de atacar outros rivais para cumprir essa tarefa materna. Nas sociedades bonobos, como fica claro, são as fêmeas que lideram os grupos: trata-se de uma sociedade matriarcal.

As estratégias utilizadas pelas mães entre os bonobos funcionam como uma espécie de “passaporte social” dento do grupo, de acordo com estudo publicado na revista Current Biology. Uma mãe respeitada dentro da sociedade pode fornecer o acesso de seus filhos às melhores árvores para busca por alimentos, por exemplo – e é nessas árvores que também ocorrem as cópulas. E não para por aí: as mães não só vigiam o acasalamento e protegem os filhos de eventuais rivais, como podem atacar esses mesmos rivais se eles estiverem copulando com fêmeas desejáveis para seus filhos.

Como, entre os bonobos, as fêmeas normalmente formam seus próprios novos grupos, o comportamento das mães só acontece com os filhotes machos. A pesquisa foi realizada com chimpanzés selvagens na República Democrática do Congo, na Tânzania, Uganda e Costa do Marfim. Os bonobos compartilham 98% de seu DNA com humanos.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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