Inovação

Os melhores momentos do Festival Path em sete anos de vida

por: Brunella Nunes

Até o ano de 2013, era difícil encontrar no Brasil uma iniciativa semelhante aos grandes eventos criativos que rolavam na gringa, como o SXSW. Hoje vamos rebobinar um pouquinho para mostrar os melhores momentos do Festival Path, um evento múltiplo com experiências ligadas à economia criativa, que se tornou o maior do país em inovação e criatividade, que neste ano chega a 7ª edição nos dias 1 e 2 de junho em São Paulo.

Hoje é gigante, mas na verdade o Path começou bem menor, quase de forma caseira. A iniciativa partiu de Rafael Vettori e Fabio Seixas após uma ida ao South by Southwest, um conjunto de festivais de cinema, música e tecnologia que acontece simultaneamente em Austin (EUA), ano após ano. O intuito da dupla era oferecer aos brasileiros um local dinâmico e diverso, que pudesse abraçar as áreas da tecnologia, empreendedorismo, representatividade, audiovisual, música, educação, comunicação, sustentabilidade, mindfulness, arte, design, programação e games.

Na primeira edição, o Festival Path aconteceu num único endereço: a extinta Escola São Paulo, na Rua Augusta. Ainda assim, foram mais de 90 horas de conteúdo, 72 palestras com mais de 100 palestrantes. Entre os participantes estavam a cineasta Vera Egito, o apresentador André Vasco, o ativista cultural Pablo Capilé, o fundador do Buscapé, Rodrigo Borges, e as cantoras Mariana Aydar, Tiê e Lia Paris.

No ano seguinte a programação cresceu e se expandiu para dois endereços, incluindo então o Museu da Imagem e do Som, que sediou a mostra de filmes, incluindo o documentário dinamarquês até então inédito no Brasil, “The Act of Killing”. Os shows seguiram com pegada mais intimista, onde todo mundo ficou coladinho para curtir o som de Metá Metá, Dani Black, Brothers of Brazil e Felipe Cordeiro. A grade, cada vez mais ampla e abrangente em suas temáticas, contou com 92 palestras.

Foi também em 2014 que nasceu O Panda Criativo, empresa de pesquisa e produção de conteúdo cultural, lançada por Vettori e Seixas. A junção e o fortalecimento de ideias acabou ampliando a plataforma do Festival Path, que em 2015 decolou.

A partir de então o Instituto Tomie Ohtake se torna um grande parceiro, permitindo que se criasse a Cidade Path, em Pinheiros. Com 150 horas totais, a programação ganha fôlego o suficiente para ocupar não apenas dois, mas seis lugares: o Museu A CASA, Estúdio, Casa 92, Fnac, Instituto Tomie Ohtake e a Praça dos Omaguás que, além de sediar shows, também contou com feirinha gastronômica.

O público é convidado a circular a pé pelos múltiplos espaços ao longo dos dois dias de evento, criando conexões entre pessoas e os arredores do edifício principal. Nós, do Hypeness, estivemos pela primeira vez neste universo a parte que é o Path e dividimos com vocês a experiência. Depois dessa, virou rotina: todo ano estávamos por lá!

A edição também ficou marcada pelo aumento da representatividade, a começar pela mostra de filmes de curta-metragens experimentais, com destaque para “Branco sai, Preto Fica” — uma ousada obra afrofuturista de Adirley Queirós, que já ficou marcado no cinema como ponto fora da curva.

As atrações musicais não ficaram atrás no quesito originalidade e talento. Subiram no palco as artistas Tássia Reis, Xênia França e Gaby Amarantos, que foi a headliner de 2015. Inky, Holger, Duda Brack, Saulo Duarte e A Charanga do França também agitaram o evento.

O ano de 2016 ficou ainda mais potente, com 150 palestras na grade. Entre os temas, foi falado sobre as tendências que realmente se consolidaram no mundo contemporâneo, como a economia compartilhada, gestão empresarial, a ocupação e transformação criativa de São Paulo, a presença feminina na tecnologia, veículos inteligentes e estratégias criativas para artistas no YouTube, que teve participação de KondZilla, dono da maior produtora de conteúdo audiovisual de música eletrônica de periferia do Brasil.

Entre as novidades foram lançadas as Feiras Maker e de Startups, além do Festival Path de Documentários, que seguiu o modelo de competição, destinada à curtas e longas metragens. O prêmio de até R$ 10 mil foi entregue a “Uma família ilustre” e “Dominguinhos” após a avaliação de jurados como João Wainer, Paschoal Samora e Marina Person.

Com três palcos a seu dispor, o line-up musical seguiu com nomes de peso, destacando Karol Conká, Rico Dalasam, Mahmundi e As Bahias e a Cozinha Mineira, que estavam ainda em início de carreira, porém já mostravam todo o seu potencial. Nem é precisamos dizer que a casa veio abaixo, né?

O ano de 2017 teve recorde de volume da programação: foram 190 painéis de debate e palestras inspiradoras. Entre os nomes de peso desta edição estavam Jefferson Rueda, Julia Petit, Leandra Leal, Pedro Paulo Diniz e Pedro Markun. A produção ganhou ainda mais incentivo com a entrada da produtora Fernanda Nave e a agência Storymakers, do grupo de eventos Holding Clube, como sócios da empresa O Panda Criativo, idealizadora do Festival Path.

Surgiu também uma outra novidade, a Feira de Games, destinada a desenvolvedores independentes, que ali tiveram a oportunidade de mostrar seus trampos mais recentes, conhecer gente interessada e interessante. O festival de filmes contou com a curadoria da VICE, trazendo para as telonas do evento alguns de seus melhores conteúdos próprios, com foco em tecnologia, feminismo e diversidade. “Brian Anderson: Como é ser um skatista profissional gay”, “Criogenia: a fé congelada” e “A Rainha do Grafite de Cabul”, sobre o trabalho da artista afegã Shamsia Hassani, foram alguns dos documentários da mostra.

A curadoria musical resolveu inovar, focando dessa vez apenas em bandas indies da cena independente contemporânea, como Black Albino, Rafael Castro, LaBaq, Anna Tréa, PAPISA e Terno Rei.

Enfim chegamos em 2018 nesse rolê cronológico do Festival Path. A última edição era, na verdade, uma despedida de Pinheiros e do Instituto Tomie Ohtake. Mas ninguém sabia disso ainda, nem os idealizadores. O ano chegou chegando apresentando oficinas e sessões literárias na grade, dando espaço para autores falarem de suas novas obras.

Os workshops entram na dança para ficar, consolidando-se como parte do evento. As atividades são de cunho artístico, valorizando a criatividade na prática. Moda e design ficam ainda mais presentes com a nova vertente. Os trabalhos artesanais e as marcas independentes ganharam destaque com a participação da Feira Jardim Secreto na Cidade Path.

Além de ter shows super animados de nomes como a diva do Carimbó, Dona Onete, Otto, Luedji Luna, Rubel, Luiza Lian, Plutão já foi Planeta e Qinho, o festival também incluiu festas na programação, abarcando os melhores agitos de São Paulo no line-up: Pratododia levou o melhor da MPB e Batekoo trouxe à tona as vertentes da música negra dançante.

Para dizer que não sobrou espaço para os esportes, relembramos que rolou Gaymada, um jogo de queimada aberto ao público, dando um banho de glitter no Largo da Batata. A representatividade foi quem ganhou o jogo, é claro! Quem quis ficar zen pode participar de uma aula de yoga na cobertura do Centro de Convenções.

Ao longo do dia, o público turbinou o cérebro com quase 300 atrações, incluindo Ian SBF (Porta dos Fundos), Fernando Grostein e Guilherme Melles (Quebrando o Tabu) e Regina Casé, que lotou o auditório de 600 lugares. O mesmo aconteceu durante a palestra “Siga em frente — Como fazer sentido em tempos modernos”, com o mestre em meditação Akash Barwal, da Associação Internacional Arte de Viver.

Foram 20 mil pessoas reunidas num único final de semana! E esse ano tem mais, muito mais. Pela primeira vez o Festival Path invade a Avenida Paulista, com a presença do Hypeness na programação. Saiba mais aqui. Nos vemos lá!

Garanta seu ingresso antes que acabe!

Serviço:
Festival Path 2019
Dias 1 e 2 de junho, sábado e domingo, das 9h às 20h
Programação e Informações: festivalpath.com.br
Ingressos: R$ 199 (valor do segundo lote. Dá acesso a toda a programação de
palestras, em ambos os dias) – Este valor já contempla o desconto de 50% sobre o valor total do ingresso, aplicável aos casos de meia entrada e para quem levar 1 kg de alimentos não perecíveis ou 1 agasalho.

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Fotos: divulgação/Festival Path


Brunella Nunes
Jornalista por completo e absoluto amor a causa, Brunella vive em São Paulo, essa cidade louca que é palco de boa parte de suas histórias. Tem paixão e formação em artes, além de se interessar por ciência, tecnologia, sustentabilidade e outras cositas más. Escreve sobre inovação, cultura, viagem, comportamento e o que mais der na telha.

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