Ciência

Pesquisadores brasileiros criam remédio capaz de impedir overdose de cocaína

por: Vitor Paiva

A trágica medida dos cortes nos investimentos em ciência, pesquisa e educação pelo atual governo federal é inversamente proporcional às inovações e invenções que diariamente o trabalho de cientistas brasileiros oferece ao progresso e à saúde da humanidade. A novidade de hoje é a descoberta de uma substância desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG), capaz de “capturar” a cocaína na circulação sanguínea, evitar os efeitos do uso da droga e até mesmo impedir casos de overdose – podendo, assim, salvar a vida de diversos usuários.

A farmacêutica Sarah Rodrigues Fernandes

A ideia é que o medicamento seja utilizado principalmente em situações de emergência, para que a pessoa em overdose, no momento em que começa a perder os sinais vitais, possa ter a intoxicação combatida por, por exemplo, profissionais do Samu. “A pressão arterial e os batimentos cardíacos começam a voltar ao normal cerca de dois minutos após a administração da nanopartícula que desenvolvemos,” afirmou Sarah Rodrigues Fernandes, uma das responsáveis pelo desenvolvimento do remédio.

Eliana Martins Lima, outra pesquisadora por trás do medicamento

Segundo a farmacêutica, trata-se de uma substância formada por nanopartículas que pode ser administrada através de uma injeção intravenosa. Segundo testes, o medicamento é capaz de capturar até 70% da cocaína em um organismo, salvando assim a vida de quem está em vias de colapsar em overdose. O tamanho microscópico das partículas – obtidas a partir de químicos orgânicos naturais (lipídeos) e de moléculas de baixa massa (polímeros) – torna o efeito do medicamento muito mais eficaz.

O próximo passo agora aprovar o medicamento na Anvisa e, através de parcerias entre a universidade e laboratórios, coloca-lo no mercado. O investimento em pesquisas é, portanto, a metade fundamental do desenvolvimento de medicamentos que podem salvar vidas, para que a indústria farmacêutica possa realizar a outra metade, colocando os medicamentos criados no mercado, a preços acessíveis, visando não só o lucro irrestrito mas também o benefício da população em uma área tão importante.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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