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PF conclui: Polícia e milícia tentaram atrapalhar investigação de morte de Marielle

por: Redação Hypeness

A Polícia Federal acaba de finalizar inquérito que investiga a atuação da Polícia Civil no caso Marielle Franco. Os trabalhos foram conduzidos pelo delegado federal Leandro Almada, que concluiu que o policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, conhecido como Ferreirinha, e sua advogada, Camila Nogueira, integram uma organização criminosa concentrada em atrapalhar as investigações sobre o assassinato da vereadora e de seu motorista, Anderson Gomes.

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O inquérito de 600 páginas já está a caminho do Grupo de Atuação Especial no Combate à Organizações Criminosas (GAECO). A partir da ligação de Ferreira e Camila com grupos criminosos, a PF entende que o policial temia ser assassinado por Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando da Curicica, apontado como um dos interessados na morte de Marielle. As informações são do jornal O Globo

PF aponta milícia e polícia como responsáveis por obstruções

Rodrigo Jorge Ferreira procurou a Polícia Federal em maio de 2018 para apontar o nome do miliciano, Curicica, como um dos envolvidos na execução no centro do Rio de Janeiro. Constam ainda no inquérito referências ao nome de dois advogados que atuaram na defesa de Curicica, que está preso em Mossoró.

Ainda segundo o relatório, o início das investigações apontou conexões entre os defensores e um policial da Delegacia de Homicídios da Capital (DH). O grupo pretendia pressionar o miliciano.

A Polícia Federal acredita que os movimentos visavam evitar a chegada da investigação no Escritório do Crime – formado por matadores de aluguel ligados com bicheiros no Rio.

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Ou seja, pairava o medo de que a apuração da morte de Marielle Franco expusesse crimes praticados pelo Escritório do Crime. Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope), é um dos matadores do grupo. Embora estivesse preso, capitão Adriano foi homenageado pelo então deputado estadual, hoje senador eleito, Flávio Bolsonaro. Ele recebeu a Medalha Tiradentes, mais alta honraria da Assembleia Legislativa fluminense. Danielle Mendonça da Costa Nóbrega, ex-mulher do antigo capitão do Bope, trabalhou como assessora no gabinete do filho mais velho do presidente Jair Bolsonaro.

Ronnie, PM aposentado, e Élcio, ex-PM são apontados como autores dos disparos

Marielle foi morta há mais de um ano e até o momento a delegacia prendeu apenas supostos executores, mas sem chegar ao mandante do crime. A Operação Lume deteve Ronnie Lessa, policial aposentado de 48 anos e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, de 46 anos. A força-tarefa foi instaurada por policiais da Divisão de Homicídios e promotores do Ministério Público do Rio. Ronnie vivia no mesmo condomínio, Vivendas da Barra, onde Jair Bolsonaro tem residência.

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Segundo matéria do Globo, três delegados da Polícia Federal, Hélio Khristian, Lorenzo Martins Pompílio e Felício Laterça – atual deputado federal do PSL – levaram Ferreira como testemunha para ser ouvido pela Polícia Civil. A advogada Camila Nogueira os acompanhou.

O movimento ocorreu em maio do ano passado e a testemunha afirmou ter ouvido conversa entre o vereador Marcelo Siciliano (PHS) e Orlando da Curicica, que estariam planejando a execução de Marielle Franco. O evento teria acontecido em um restaurante no Recreio, em junho de 2017. O encontro seria para tratar de desentendimentos entre Siciliano e Marielle por causa de interferências dela em áreas de milícia. Os dois negam.

Hélio Khristian entrou com pedido de aposentadoria na PF depois do caso. A PF chegou a cumprir oito mandados de busca e apreensão, inclusive nas residências de Ferreira e Camila.

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Fotos: Reprodução


Redação Hypeness
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