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‘Quero dar meu bebê para adoção’, diz pai solo que vetou aborto de companheira

por: Redação Hypeness

O desabafo de um homem gerou polêmicas, mas jogou luz sobre a construção da paternidade e aborto. O rapaz de 23 anos escreveu um longo texto Reddit contando detalhes sobre sua relação, a negativa em abortar e o surgimento da vontade de entregar o filho de dois anos para adoção.

Ele diz que descobriu a gravidez da namorada na primavera de 2016. “Ela queria abortar, mas como um cristão eu senti que era contra as minhas crenças (eu acho que a opção pelo aborto deve existir para pessoas que não acreditam no que eu acredito, mas eu não quis isso para meu filho”.

O rapaz acabara de sair da faculdade e tinha um emprego estável. Fatores, segundo ele, suficientes para sustentar uma criança. Então, ele afirma, que combinou com a namorada que seria pai solteiro, “porque ela não queria criar um filho tão nova”.

Ele impediu a namorada de abortar e agora quer dar bebê para adoção

O pai solo complementa, “então, nosso bebê nasceu, ela mudou de estado e foi morar com seus pais e eu fiquei com meu filho. Naquela época eu e minha então namorada tínhamos 21 anos”.

Dois anos depois ele precisou lidar com o cansaço a distância do mundo. Segundo o jovem de 23 anos, as obrigações paternais o impediam de ter contato com os amigos. “Eu não consigo fazer mais nada além de trabalhar e cuidar do meu filho. Minha mãe mora longe, mas ela nos visita uma vez por mês e sempre que vem me deixa ter um tempinho só pra mim”.

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Criar uma criança exige esforços consideráveis, sobretudo para a mulher. Um estudo publicado em 2016 nos Estados Unidos aponta que ser pai valoriza o homem no trabalho, que passa a ser visto como mais dedicado e responsável. O mesmo não acontece com a mulher.

Os dados são do Boston College Center for Work and Family, nos Estados Unidos, que ouviu 33 pais de primeira viagem. No entanto, a máxima não se aplicou para o desabafo deste pai no Reddit.

“Basicamente tenho o mesmo emprego de quando me formei e meu salário aumentou muito pouco, eu não consegui me destacar no trabalho para conseguir uma promoção por causa das minhas responsabilidades como pai, e muitas pessoas que começaram depois de mim já estão em cargos acima do meu. Eu não consigo namorar ninguém porque ninguém quer namorar um cara de 23 anos com um filho”.

Insatisfeito e sem dar conta das obrigações de pai, ele pensou seriamente e entregar o filho para a adoção. “Acabei tratando meu filho com certa animosidade e eu nunca quis que isso acontecesse”.

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O homem complementa, “tentei por dois anos, mas não deu. Você sempre ouve sobre aquele amor incondicional que os pais sentem por seus filhos, mas isso nunca aconteceu comigo”.

Será que eu devo colocar meu filho para adoção? Eu iria querer ter certeza que ele iria ficar com uma família amorosa e crescesse em um lar estável, como foi o meu. Por um lado, eu penso que estou sendo um idiota em considerar isso porque meu filho já está começando a se apegar a mim e minha mãe já se apegou muito a ele. Por outro lado, eu penso que estou agindo certo em dá-lo para a adoção porque eu sinto que posso acabar prejudicando a infância dele e que ele estaria melhor em um lar estável.

A publicação rendeu críticas de um lado, “isso que você contou acontece com todos os pais e mães solteiros e também com muitos que tem um companheiro. Você não é especial. Você quis ser pai então lide com isso e seja um bom pai”.

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E tentativas de compreensão do outro, “entendo, ser um pai ou uma mãe solteiro não é fácil. Mas seu filho não é um cachorro que você pode devolver porque a convivência não deu certo, se bem que não acho que isso deva ser feito nem com um cachorro. E seu filho não está ‘começando a se apegar a você’, ele já te ama! E te ama incondicionalmente. Você é o centro da vida dele, é tudo para ele. Se você o abandona assim, não importa o quão boa seja a outra família, isso vai afetá-lo”.

O debate é longo e passa necessariamente pelo aborto. O assunto está fervendo nos Estados Unidos, principalmente depois do Alabama não só vetar a interrupção da gravidez até em casos de estupro e incesto, mas prever pena de 99 anos para o médico que realizar o aborto. Ruas de cidades como Nova York e Washington D.C. foram tomadas por mulheres defensoras do direito de decidir sobre o futuro de seus corpos. A cantora Rihanna também se manifestou.

“Veja, estes são os idiotas decidindo o futuro de MULHERES na América. Governadora Kay Ivey, que vergonha!”, escreveu nas redes sociais.

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Fotos: foto 1: EBC/foto 2: Getty Images


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