Diversidade

Suicídio entre adolescentes negros cresce e é 45% superior que entre brancos

por: Kauê Vieira

O racismo atua de diferentes formas. Seja por ofensas explícitas ou de maneira velada. No fim das contas, os efeitos são os mesmos e ajudam a elevar dados preocupantes. O Ministério da Saúde divulgou que o índice de suicídio entre adolescentes negros cresceu e é 45% maior do que entre brancos.

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De acordo com o órgão do governo federal, enquanto o risco aumentou 12% entre a população negra, permaneceu estável entre brancos. A faixa etária de 10 a 29 anos é a que mais sofre, principalmente os do sexo masculino, que têm chance 50% maior de tirar a própria vida do que brancos de mesma idade.

O racismo estrutural tira vidas e enterra sonhos no Brasil

Os dados fazem parte da cartilha Óbitos por Suicídio entre Adolescentes e Jovens Negros, lançado pelo Ministério da Saúde no Seminário Nacional de Saúde da População Negra na Atenção Primária.

Especialistas em saúde pública enxergam o racismo estrutural como principal responsável pelas taxas de suicídios. Em 2012, a cada 100 suicídios entre adolescentes e jovens brancos, 134 adolescentes e jovens negros tiraram a própria vida.

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O racismo estrutural se dá, por exemplo, na falta de oportunidades. Embora as ações afirmativas tenham aumentado o acesso de jovens negros às universidades, o abismo ainda é enorme.

O PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra, por exemplo, que no terceiro trimestre de 2018, o desemprego era mais alto entre os negros (14,6%) do que a média da população (11,9%).

Negros sofrem com desemprego, analfabetismo e violência

Tem mais, afro-brasileiros representam cerca de 54% da população brasileira. Contudo, 75% estão no grupo dos 10% mais pobres da nação. Educação gera oportunidade e previne suicídio, por isso é preocupante o fato de que a taxa de analfabetismo dobra entre os negros. São 9,9% contra 4,2% de brancos, de acordo com o PNAD Contínua de 2016.

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“O jovem negro, quando está na fase de construir sua própria identidade, a constrói a partir do entendimento de que ser negro é ser inferior, ser feio, ser menos valorizado”, explica. “Essa percepção de não pertencimento faz com que esse jovem tenha um sofrimento e um adoecimento muito maior e pode, em muitos casos, levar ao suicídio negro”, declarou ao G1 Rita Borret, presidente da Associação de Medicina de Família e Comunidade do Rio de Janeiro.

Ela chama atenção ainda para os impactos psicológicos profundos gerados pelo racismo no Brasil. Para a Anistia Internacional, a flexibilização da posse e o decreto de armas – ambos propostos pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL) – podem agravar o cenário.

A Anistia Internacional pede revogação do decreto de armas de Bolsonaro

O órgão recomenda a revogação do decreto assinado pelo presidente e que facilita o porte de arma (direito de andar com a arma) para advogados, caminhoneiros e políticos eleitos, entre outros profissionais.

A Anistia lançou na terça-feira (21) a ação ‘Brasil para Todo Mundo’.

“No que se refere aos decretos que ampliam a posse e o porte de armas temos a preocupação com essa ampliação indiscriminada que pode significar maior vulnerabilidade para determinados grupos e populações. Não acreditamos que se resolverá o o problema da segurança pública com mais armas. Ao contrário, estudos mostram que quanto mais armas, mais mortes”, declarou Jurema Werneck, diretora-executiva da entidade no Brasil.

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Fotos: Reprodução 


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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