Diversidade

Charlie Hebdo cria capa misógina que ridiculariza futebol feminino e reforça cultura do estupro

por: Redação Hypeness

O Charlie Hebdo voltou ao cenário mundial com uma capa machista sobre a Copa do Mundo da França. “Vamos comer algumas por um mês!”, diz a manchete com um desenho de uma vagina com uma bola de futebol no lugar do clitóris.

A caricatura é assinada pelo cartunista Biche Doe. O editorial do tabloide considerado satírico questiona se “o futebol feminino também vai precisar participar da idiotização das multidões para ser levado a sério igual ao futebol masculino?”

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“Vamos comer algumas por um mês!” – Charlie Hebdo ataca com capa machista

Pegou mal. Nas redes sociais, jornalistas do mundo todo criticaram a escolha do Charlie Hebdo.

“É a coisa mais asquerosa que vi em meus seis anos de jornalismo. Uma mulher é muito mais que sua vagina. E considero a Copa do Mundo feminina muito mais interessante que a dos homens”, disse uma usuária.

“#CharlieHebdo, vocês desrespeitaram e objetificaram sexualmente jogadoras de futebol do mundo todo. Isso é nojento e ofensivo. Peço que se desculpem imediatamente”, postou outra pessoa.

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No Twitter, Biche Doe não se pronunciou diretamente, apenas divulgou a imagem. “A arbitragem de vídeo sinaliza minha primeira capa”, escreveu. O cartunista ainda endossou tweets defendendo o Charlie. 

“Boa noite senhoras. Aqui uma carta escrita por Cavanna. O Charlie sempre riu de tudo sem distinção de gênero e tirou onda de esportes populares. Quando o futebol masculino reinou, o Charlie pensou nas mulheres, esta paródia de Courbet faz o mesmo”.  

Explicando, o desenho é inspirado no ‘L’Origine du monde’, famosa pintura de Gustave Courbet.

#JeSuisCharlie 

O Charlie Hebdo possui longo histórico de polêmicas. Em 2015, o jornal foi alvo de um massacre em sua sede em Paris. Os irmãos Saïd Kouachi e Chérif Kouachi dispararam contra 12 pessoas, que morreram na hora. Outras cinco ficaram feridas com gravidade.

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O ódio dos extremistas foi motivado por piadas com líderes islâmicos, entre eles Maomé. Michael J. Morell, ex-vice-diretor da CIA chegou a dizer sobre o ataque terrorista, “tentar fechar uma organização de mídia que satirizava o profeta Maomé”.

O jornal é criticado por piadas sobre a fé islâmica

Milhares de pessoas usaram a hashtag #JeSuisCharlie para defender a liberdade de expressão. O jornal recebeu mais de 250 mil euros do Fundo para a Inovação Digital.

Meses depois do episódio sangrento, o Charlie Hebdo se meteu em outra confusão. Dessa vez, o semanário fez uma capa mostrando um menino sírio, Aylan Kurdi, morto numa praia turca de Bodrum. “Fracassou a chegar à Europa”, dizia o título em nova referência aos muçulmanos.

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Foto: Reprodução


Redação Hypeness
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