Ciência

Cientistas revolucionam transfusões ao transformarem sangue tipo A em sangue tipo O

18 • 06 • 2019 às 19:29
Atualizada em 19 • 06 • 2019 às 10:31
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Ainda que as primeiras experiências com transfusões de sangue datem do longínquo ano de 1667, foi somente em 1901 que o imunologista austríaco Karl Landsteiner pela primeira vez descreveu tipos diferentes de sangue – A, B e O, e sobre como eles não poderiam ser misturados. Com a descoberta, mais tarde, do tipo de sangue AB, nascia o sistema hoje conhecido como ABO, que determina quem é compatível com quem na hora de realizar doações e, assim, transfusões. Cientistas da Universidade da Colúmbia Britânica, no Canadá, acabam de revolucionar tal lógica, ao conseguir converter um sangue tipo A em tipo O utilizando enzimas naturais presentes no intestino humano.

A importância da novidade é medida em dois pontos: o sangue tipo A é o segundo mais comum do planeta (presente em cerca de 30% da população) e o sangue tipo O, no qual o primeiro foi convertido, é doador universal, sendo compatível com todos os outros tipos sanguíneos. Tal experimento pode revolucionar as dificuldades de estoque e da realização de transfusões nos hemocentros de todo o mundo.

As enzimas do intestino destruíram os açucares das hemácias no sangue tipo A, responsáveis pela incompatibilidade entre tipos sanguíneos – transformando-o no tipo O, que não possuem tais açucares e, assim, não estimulam células de defesa em nenhum sangue.

Trata-se do primeiro estudo desse tipo, capaz de converter em outro um tipo sanguíneo. O experimento ainda carece de novas pesquisas e testes, para aprimorar o processo e torna-lo viável em nível clínico para as milhões de pessoas que carecem de transfusões em situações diversas, mas nunca antes foi dado um primeiro passo tão otimista para uma situação tão emergencial e sensível. O estudo foi publicado na revista Nature Microbiology.

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