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Empresa líder em maconha medicinal planeja entrar com R$ 60 mi no Brasil

por: Gabriela Rassy

Com a possível aprovação da Anvisa para o plantio de maconha para fins medicinais, uma multinacional estrangeira já vislumbra um mercado bastante rentável no Brasil. A canadense Canopy Growth, hoje a maior produtora de cannabis do mundo, anunciou sua entrada no país, a depender do resultado da consulta pública de 60 dias marcada pela Agência Nacional de Vigilência Sanitária.

A legalização do consumo medicinal da cannabis, porém, não foi bem aceita pelas associações de familiares que necessitam de medicamentos provindos desta poderosa planta. A Ame+Me, de Belo Horizonte, e a Apepi, do Rio de Janeiro, entraram com ação contra a proposta já que ela limita o direito de produzir óleos ou remédios a empresas farmacêuticas.

Hoje, ainda que muitas famílias, à duras penas e processos bastante burocráticos, tenham conseguido autorização para importar, os valores fogem absolutamente da realidade financeira dos cidadãos brasileiros. A importação de óleo para tratamento para epilepsia com CBD, uma das substâncias da maconha, custa em média R$ 1 mil por mês.

Um dia após o anúncio da Anvisa, a Canopy Growth já estava à postos para mostrar os benefícios dos tratamentos à base da planta. A empresa é dona de oito marcas de produtos relacionados à cannabis, mas chega ao Brasil com seu braço focado na saúde, a Spectrum Therapeutics, sua divisão internacional farmacêutica.

O Dr. Mark Ware, Diretor Médico Global da Canopy Growth, apresentou os resultados de pesquisas e tratamentos, além de dados mundiais sobre os benefícios dos medicamentos produzidos por eles. “O consumo de cannabis medicinal é aparentemente seguro, mesmo em altíssimas doses”, explica enquanto compara a maconha a drogas que causam dependência e até overdose. Ele inclusive ressaltou a melhora no quadro de usuários de ópio com tratamento à base de cannabis.

Comprar x Plantar

A entrada de uma empresa com histórico de pesquisas e benefícios para os pacientes parece ótima, apesar de ainda não sabermos ao certo os custos dos produtos. De acordo com Jaime Ozi, Country Manager da Spectrum, o atual sistema acarreta em altos custos, já que o paciente tem que trazer individualmente.

“Mesmo que a Anvisa libere o consumo indicado pelo médico em 1 ano, essas quantidades são relativamente pequenas do ponto de vista de escala de negócio e implica em custos adicionais, como o transporte especial. Está dentro dos nossos planos tornar mais acessível, mas os custos de um produto médico com grau farmacêutico eles são mais caros se comparados com qualquer tipo de utilização”, explica.

Para as famílias que já fazem uso do medicamento, a proposta parece longe de ser viável, e seguem pedindo pelo autocultivo junto à Anvisa. Os representantes da Canopy disseram ainda estar em contato com as associações apesar desta reportagem não ter encontrado nenhuma que confirmasse qualquer comunicação por parte da empresa.

Wellington Briques, médico e diretor de Medical Affairs Latam da Canopy Growth Corporation, que já é prescritor de cannabis medicinal afirma que “todo paciente tem o direito de buscar alívio para o sofrimento, de buscar qualidade de vida e é uma forma de chegar”. Ressaltando que no Canadá hoje o autocultivo é permitido, ele ponderam que a ideia da empresa é trazer um produto que tem toda aprovação regulatória de qualquer medicamento.

A empresa planeja entrar com R$ 60 milhões, podendo chegar até R$ 150. O valor base é o utilizado na Colômbia, onde a Canopy já tem plantações – o que depende da regulamentação para entrada no Brasil. O fato é que está em vista o 5º maior mercado do mundo para a cannabis e que pode chegar a 1,7 milhão de pacientes, pelos cálculos da empresa.

Maconha x Cannabis

Os representantes brasileiros da marca fizeram um apelo para que a planta seja chamada de cannabis e não de maconha. Segundo eles, a maconha está associada ao uso recreativo e carregado de tabus históricos. Assim, a planta deveria ser chamada de cannabis.

No Brasil não falamos Ocimum basilicum ou Pimpinella anisum. Aqui é manjericão e erva doce mesmo. Se não usamos o nome científico para tratar de nenhuma planta, por que usaríamos para falar de maconha?

Ainda que o discreto nome cannabis venha mais tragável para a parcela conservadora da sociedade, se faz necessário tirar o mito e mostrar que sim é uma planta e que serve, entre outras finalidades, para trazer alívio a famílias que sofrem com uma série de enfermidades. Não seria a hora de desmistificar a planta como um todo, de seu nome científico ao popular?

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Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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