Matéria Especial Hypeness

Existe sexo incrível a longo prazo?

por: Clariana Leal

Oi, eu sou a Clariana Leal, especialista em sex toys e educadora sexual, e a partir de hoje vou estar aqui quinzenalmente pra gente conversar mais um pouco sobre aquilo. Aquilo mesmo. O ato que mais buscamos e do qual mais falamos, mas sobre o qual ainda não sabemos muito. O sexo.

E como começamos no que é conhecido aqui no Brasil como mês dos namorados, vou contar um pouco mais sobre relacionamentos. Na verdade, vai ser um pequeno guia pra facilitar as relações. Porque, né, sabemos que o negócio nem sempre é tão fácil e toda ajuda nesse caso é bem vinda.

Digamos que você esteja numa relação de um certo tempo – e relação aqui pode ser namoro, casamento, pegação fixa, amizade com benefícios, etc. – e  mesmo que ainda tenha muito carinho e respeito nessa convivência, a vida sexual já não é mais a mesma. Ou um tá sempre sem tempo, ou o outro tá sempre cansado. Ou tudo junto. Mas vocês ainda sentem falta daqueles momentos do começo onde qualquer beijo já virava um sexo incrível.

E agora, como resgatar isso?

Primeiro, precisamos conhecer o Sistema Dual de Sexualidade pra tentar entender como a rotina e o contexto podem afetar nossas respostas sexuais. Então, deixa eu apresentar esse sistema pra vocês. Todos nós temos “aceleradores” e “freios” sexuais, ou seja, coisas que nos fazem dizer “opa, só vamo!” e outras coisas que o cérebro automaticamente envia a mensagem “corre daí agora!”. Cada pessoa vai ter níveis de aceleradores e freios diferentes (e todos são normais, não existe certo ou errado, ok?), e os mesmos podem ir mudando ao longo da vida e de acordo com cada etapa dela.

Um bom exercício é tentar listar tudo o que pode estar sendo um freio pra você no momento. Por exemplo: “Pegação na sala já me dá nervoso porque sei que as crianças podem chegar a qualquer momento”, ou até “toda vez que a gente começa a se beijar eu travo porque penso que agora é minha obrigação ir até o final e transar”. Esse último é exemplo claro de como algo que antes era um acelerador pode virar um freio por causa do contexto.

Muitas dessas travas vêm de culpas e outras cargas sócio-culturais que foram fincadas pelo patriarcado (não é à toa que mulheres e homens têm aceleradores parecidos, mas mulheres tendem a ter mais freios), mas que podem ser investigadas, questionadas e modificadas pro nosso próprio prazer e bem estar. Entenda o que te faz acionar o sinal vermelho toda vez que uma tentativa de estímulo sexual surge. Os dois, ponham no papel tudo que vier à cabeça, e depois se juntem para conversar sobre.

Conversar sobre, meus amigos, tai uma coisa que muda vidas. Comunicação até hoje foi o melhor lubrificante que eu já conheci, e olha que eu amo lubrificantes.

Segundo, estamos acostumados a pensar que o sexo oficial é apenas um pênis entrando numa vagina. A mídia nos disse isso, filmes pornô nos gritaram isso incessantemente, até que acabou virando uma máxima mundial. Pena que essa é uma das maiores mentiras da humanidade. Vocês já pararam pra pensar no que são as “preliminares”? Eu, particularmente, nem acredito nelas. Porque em teoria, preliminares são atos sexuais que antecedem a penetração, mas a verdade é que todos eles já são sexo. Sexo oral já é sexo, masturbação já é sexo, aquela pegação nervosa no hall da casa já pode ser sexo. Como uma amiga me disse esses tempos “preliminar pra mim é pegar uma jarra de água e colocar na cabeceira e tirar o gato do quarto”. Inclusive, um sexo satisfatório nem precisa passar pela penetração.

Pesquisadores já comprovaram que mais de 70% das pessoas com clitóris tem dificuldade de ter orgasmos apenas com penetração. Por uma questão puramente anatômica. O clitóris é o nosso principal órgão de prazer, não o canal vaginal, e por mais que ambos estejam localizados bem próximos na vulva, uma coisa é uma coisa e a outra é outra. E não tem ninguém defeituoso ou com disfunção nessa história não, viu? Isso é apenas um fato científico que deveriam ter ensinado pra gente lá na escola mesmo. Por mais que o Ponto G seja real e oficial (vou falar melhor sobre ele em outro texto), o estímulo externo no clitóris é a chave pra tornar tudo mais gostoso.

Então o segundo exercício é: entendam que corpo inteiro é erógeno, mas não se esqueçam de dar uma atenção especial pro clitóris. Tentem explorar o máximo que puderem e percebam pra onde essas sensações te levam, ao invés de começar e seguir apenas no automático. Ninguém precisa roteirizar o sexo. Isso é muito cruel porque gera muita expectativa. E muita expectativa é equivalente à muita frustração. Ou seja, não existe o que deve vir antes ou depois, nem toda interação precisa terminar em orgasmo, pausas são bem vindas, e dá super pra começar de um jeito e terminar de outro.

Terceiro, SEX TOYS! Olha, juro que não tô falando disso só porque tenho uma sex shop. Mas é que a verdade é essa, um bom sex toy pode gerar uma curiosidade saudável e trazer muita diversão pra relação (principalmente a com você mesmo). Pode até ser um pouco estranho e engraçado no começo, mas é a descoberta em conjunto que torna tudo mais interessante.

Muitos homens heterossexuais tendem a achar que vibradores são seus concorrentes, substitutos do pênis, etc, e acabam perdendo a chance de terem ótimos aliados na cama. Vamos ser honestos, pessoas não vibram (e tá tudo certo). Do mesmo jeito, vibradores também não conversam sobre seu dia, demonstram intimidade ou te dão afeto por inteiro. Um nunca vai substituir o outro. Mas todo mundo pode entrar junto em cena pra proporcionar o máximo de prazer que merecemos ter conhecimento. E existem milhões de tipos de sex toys. São inúmeros formatos, especialidades e funcionalidades disponíveis por aí. Com certeza vai ter algum que vai chamar mais atenção de vocês. Mesmo no uso solo, só o fato de uma pessoa já estar se satisfazendo e gerando essa energia de prazer, faz com que tudo se movimente ao redor. Fora os outros vários tipos de lubrificantes que existem, que podem ajudar muito em casos de dispaurenia (dor durante a penetração), e aumentar a sensibilidade da região íntima na hora H.

Então, o terceiro e último exercício é: Procurem juntos acessórios e objetos que possam despertar a criatividade sexual dos dois. Ou pelo menos conversem sobre. A meta é essa, abrir o campo da curiosidade e das possibilidades na relação. Sei que pode parecer repetitivo, mas é tudo sobre explorar cada vez mais e seguir de maneira intuitiva. Não só no sexo, mas na vida como um todo. Porque no final tá tudo conectado.

 

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Clariana Leal
Clariana Leal, educadora sexual e criadora da Climaxxx, primeira sex shop focada pro prazer feminino no Brasil. Estuda, fala e ensina de sexualidade de forma sensível, inclusiva e sempre sem nenhum climão.

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