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Exposição Björk Digital é uma viagem psicodélica e emocional pela música da artista

por: Gabriela Rassy

Depois de rodar o mundo e fazer o maior sucesso em cidades como Tóquio, Barcelona, Cidade do México, Moscou, Montreal, Sidney, Londres e Los Angeles, a exposição Björk Digital chega ao MIS, em São Paulo. Em uma mistura entre música, videoclipes e realidade virtual, a mostra é uma viagem pelo universo da excêntrica artista finlandesa.

Fomos conferir e nos apaixonar pelo vídeos do álbum Vulnicura, lançado em 2015 após o término do casamento de Björk com o artista Matthew Barney. As faixas são inspiradas pelos momentos de dor e cura dela durante este processo.

Logo na entrada, um texto de Björk nos dá as boas vindas explicando seu processo criativo e a importância tanto da ordem das faixas, quanto do formato em realidade aumentada para Vulnicura, seu nono trabalho.

“É o primeiro álbum meu que insistiu para que as músicas seguissem uma ordem cronológica. Depois que elas foram escritas, ficou claro que eu involuntariamente tinha esbarrado na narrativa de uma tragédia grega. A realidade virtual não é apenas uma continuidade natural do videoclipe, mas tem um potencial dramatúrgico ainda mais íntimo, ideal para esta jornada”.

A exposição está dividida em três partes. Na primeira, cada grupo de visitantes entra em salas com bancos e óculos de realidade virtual para assistir sentados aos clipes. O primeiro deles é Stonemilkes, com apenas uma paisagem de praia e a atuação de Björk se movendo entre as cenas. Uma versão em 360º disponível no Youtube – mas mesmo com as mesmas imagens, com os óculos você se sente de fato ali:

O segundo vai na mesma frequência apresentando o clipe de Black Lake:

Já na terceira sala, dois vídeos são rodados na sequência. O primeiro é uma viagem de cores e muita psicodelia com a música “Quicksand”. O segundo – e meu favorito até então – vinha com o surreal “Mouth Mantra”, que Björk fez quando precisou de uma cirurgia na garganta. Os dois chegam a dar uma pequena vertigem, então se segure no banquinho e aproveite a viagem.

A experiência interativa segue para uma sala com mais dois vídeos em sequência, agora de pé. Para “Family”, entramos equipadas com controles remotos que, com os óculos de RV se transformam em mãos. Apertando os botões, os controles tremem e seus braços virtuais passam a se mover e serem rodeados por fios que saem de uma grande vulva – ou ferida a ser cicatrizada.

Já sem os controles, em “Norget” uma Björk gigante dança rodeada de luzes e chega a atravessar seu corpo. Uma doidera só!

No segundo andar, a mostra segue interativa com o projeto educativo que acompanhou o álbum Biophilia, lançado há 5 anos. Tablets posicionados em uma mesa comprida trazem o aplicativo criado pela artista explorar as canções. As músicas flutuam em uma constelação criada pala elas. Escolhendo cada uma é possível ver a letra, os créditos, cada tom e sílaba usadas, além de brincar em diferentes jogos relacionados com cada faixa.

Em “Virus”, células aumentadas aparecem sendo invadidas por vários vírus. O desafio ali é parar o ataque, mas se você consegue fazer isso, a música para. É preciso deixar que o vírus se mantenha ali para ouvir até o final.

O aplicativo foi desenvolvido parceria com cientistas da Universidade da Islândia e com professores de ciências das escolas de Reykjavik. Depois do lançamento e de ter passado em atividades extracurriculares de escolas de Paris, Oslo, Buenos Aires, Manchester, Los Angeles, São Francisco e até São Paulo, foi incorporado por ao currículo oficial de instituições de ensino de toda a Escandinávia.

A exposição traz ainda uma sala de cinema onde são exibidas dezenas de videoclipes da artista. Deitados em pufes, podemos ver “It’s oh so quiet”, “Venus as a boy”, entre outros – incluindo “Tabula Rasa”, que só veio para a mostra de São Paulo.

Durante todo o período da exposição, o MIS ainda planeja uma programação paralela completa relacionada. Entre os eventos estão o curso “Björk: Paradigmas do Pós-humanismo.exe”, que acontece em julho, além do Cinematographo, com sessão de cinema acompanhada de trilha sonora ao vivo.

Björk Digital
Museu da Imagem e do Som – MIS SP
18 de junho a 18 de agosto
Terça a sábado, das 10h às 20h, e domingos e feriados, das 10h às 19h
R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia-entrada) – entrada gratuita às terças

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Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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