Diversidade

Menino viraliza no Twitter com piada de vídeo do ‘vocês estão fazendo com que o branco sofra racismo’

por: Kauê Vieira

Estamos em 2019, mas ainda tem gente que acredita em racismo reverso. O youtuber Kaique Brito resolveu discutir o assunto com humor. Ele fez uma montagem tirando onda do argumento de alguns brancos, que se dizem, insistentemente, vítimas de racismo. Eu conto ou vocês contam? 

– ‘Olhos que Condenam’ nos sufoca ao mostrar como a Justiça desumaniza jovens negros

“O negro tá deixando de sofrer racismo aos pouquinhos. Eu concordo, a passos de formiga. Só que vocês estão fazendo com que o branco sofra racismo”, diz ele no melhor estilo ‘drama queen’ (‘rainha dramática’). Bate aqui! 

Surta não, Kaique!

No próprio Twitter um youtuber, branco, insistiu na história do racismo reverso. Ele escreveu isso abaixo:

Eu sei Kaique, é difícil

As pessoas, claro, tiraram sarro da postagem. Ele insistiu. 

– Clyde Morgan, o Filho de Gandhi que nasceu nos EUA, mas aprendeu tudo na Bahia

E insistiu. DE NOVO. 

Imagem relacionada

Sério, ele voltou a dizer que brancos sofrem racismo. 

A ascensão negra tornou o branco vítima de racismo? (Contém ironia)

Vamos de números?

O Atlas da Violência mostra que a taxa de assassinatos de negros é duas vezes maior do que a de brancos. A desigualdade racial se expressa no crescimento de 23% no homicídio de negros. Para brancos, queda de 6,8%. Isso em apenas uma década – entre 2006 e 2016. 

– Lançamento de Tela Preta TV fecha um 2018 de sucesso para o audiovisual negro

Vamos com os fatos?

Entre mulheres negras, a taxa de homicídios é 76% superior à de não negras. No Brasil, a cor da pele pode decidir a sua vida. Se for homem e negro entre 15 e 29 anos, a chance de ser morto é ainda maior. 

“A vitimização por homicídio de jovens (entre 15 e 29 anos) no país é fenômeno denunciado ao longo das últimas décadas, mas que permanece sem a devida resposta em termos de políticas públicas que efetivamente venham a enfrentar o problema”, diz o estudo. 

Racismo reverso não existe. O que há é falta de oportunidade, desigualdade social, falta de acesso, encarceramento e homicídios em massa contra a população negra que, além de ser 54% dos brasileiros, precisa ouvir que racismo reverso existe. 

“A conclusão é que a desigualdade racial no Brasil se expressa de modo cristalino no que se refere à violência letal e às políticas de segurança. Os negros, especialmente os homens jovens negros, são o perfil mais frequente do homicídio no Brasil, sendo muito mais vulneráveis à violência do que os jovens não negros”, encerram os estudiosos. 

Publicidade

Fotos: Reprodução


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
4 autores negros e 1 indígena lideram Top 5 de livros vendidos na ‘Flip’ 2019