Diversidade

O fantasma das ‘Matildas’ assombra novamente

por: Amanda Célio

O jogo desta quinta-feira (13) parecia que teria um gostinho diferente quando Marta abriu o marcador no primeiro tempo contra as australianas, aos 30 minutos, com um gol de pênalti. A partida foi válida pela última rodada da primeira fase do Mundial e aconteceu em Montpellier, no Stade de la Mosson.

Historicamente, Brasil e Austrália têm uma rivalidade no futebol feminino. O motivo? A seleção brasileira não vence a “Matildas”, como são conhecidas, desde as Olimpíadas de 2016, quando eliminaram as australianas nos pênaltis. Vale lembrar, também, que na última Copa fomos eliminadas pelas australianas nas oitavas de final.

Mas, todo esse retrospecto pareceu ter ficado do lado de fora de campo quando a árbitra suíça Esther Staubli apitou a partida. A equipe brasileira fez um bom primeiro tempo, criando jogadas, organizadas dentro de campo, conseguindo segurar a tradicional seleção australiana e sua craque Sam Kerr.

Voltando de lesão, e estreando neste Mundial, nossa camisa 10, Marta, fez uma participação discreta e jogou apenas na primeira etapa. Tempo suficiente para acumular novas conquistas na sua carreira. Se igualou ao alemão Klose, com 16 gols feitos em Mundiais e se tornou a primeira jogadora a marcar em cinco edições diferentes do Mundial (2003, 2007, 2011, 2015 e 2019).

A sua comemoração também foi especial. Marta exibiu suas chuteiras sem patrocínio, apenas com um símbolo a favor da igualdade de gênero no esporte. A cena repercutiu em toda a imprensa.

O segundo gol da seleção brasileira veio nos 37 minutos numa jogada excepcional, iniciada pela lateral esquerda Tamires, que passou a bola por debaixo das pernas da marcadora e acionou Debinha na esquerda, que cruzou na cabeça de Cristiane. Implacável. O gol de Cris foi bastante parecido com primeiro gol da atacante em Grenoble, o que pode indicar uma jogada treinada pela equipe.

Após o segundo gol, a seleção brasileira recuou, buscando levar a vantagem para o intervalo. Nas bolas aéreas, jogada forte das australianas que vinham sendo anuladas com êxito até então, foi por onde a Austrália conseguiu, nos acréscimos, romper a defesa brasileira. Em um desvio fatal após bola alçada na área a bola sobrou redonda nos pés de Foord, que não perdoou.  

Um banho de água fria. O baque ficou visível na volta das nossas guerreiras na segunda etapa. Para piorar a situação, saíram no intervalo Marta e Formiga, as duas mais experientes jogadoras da seleção, sendo substituídas por Ludmila e Luana, respectivamente. A internet não perdoou. Reclamações da substituição de Formiga inundaram as redes sociais. Em entrevista, o técnico Vadão explicou que a troca foi devido a questões físicas de ambas as jogadoras.

De fato, a seleção não voltou bem. Além da apatia, os erros de passes e a falta de organização foram comprometedores. A seleção não conseguiu criar quase nenhuma jogada, as jogadas em profundidade com Ludmila não funcionaram, e a equipe ficou exposta atrás. No início da partida, aos 12 minutos, num cruzamento da lateral Logarzo, ninguém desviou e a jogada acaba enganando a goleira Bárbara. Tudo igual no placar.

Menos de dez minutos depois, a seleção brasileira continuava perdida e tomou o terceiro gol, num lance polêmico que teve de ser “solucionado” pelo VAR. Em nova bola levantada na área brasileira, a zagueira Mônica cabeceia pra trás e acaba matando a goleira Bárbara. A controvérsia se deu porque a atacante Kerr estava em posição irregular, mas a árbitra interpretou que ela não participou da jogada.

A seleção brasileira ainda reclamou de um pênalti claro não marcado em cima de Andressa Alves. A grande crítica foi que a árbitra considerou o lance normal, sem nem mesmo analisar o árbitro de vídeo (VAR).

Com a derrota, o Brasil permanece com três pontos no Grupo C e vai decidir a vaga na próxima terça-feira (18), contra Itália, às 16h, no estádio de Hainaut, em Valenciennes.

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