Diversidade

O Globo faz charge machista atribuindo a ‘aquilo roxo’ derrota da seleção feminina

por: Redação Hypeness

Um charge publicada por Chico na edição de domingo (23) do jornal O Globo não foi bem recebida nas redes sociais. O cartunista esbarrou no machismo ao retratar uma Marta aos berros diante de um batom vermelho.

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Pegou mal, sobretudo pela expressão “aquilo roxo”, empregada comumente para afirmar a masculinidade, digamos, frágil de muitos homens. A jornalista Amanda Celio apontou misoginia e sexismo na definição do cartunista.

Na verdade, falta investimento e sobra superação. Até quando?

“Talvez uma forma de censurar ‘grelo roxo’, expressão machista, misógina e sexista para ‘definir’ uma mulher ‘forte’, ‘de fibra’ (???). Afinal, ainda vivemos uma época que até a ‘bravura’ de uma mulher precisa ser associada à genitália. Ainda mais no esporte feminino. E o batom? Como Marta trocou o batom no último jogo, do roxo para o vermelho, a charge deu a entender que o fator responsável pela derrota seria essa mudança. E o batom serviria como uma espécie ‘de válvula de escape’ pra Marta externar seu ‘nervosismo’.

Para a jornalista, Chico “não entendeu nada e muito menos viu o jogo. Não teve Marta brava, não teve Marta culpando terceiros, técnicos, CBF, Fifa e a falta de patrocínios. Teve Marta fazendo um discurso emocionado, pedindo para as mulheres se unirem e acreditarem uma nas outras porque só assim caminharemos rumo à igualdade de gênero no esporte”.

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Com apoio inócuo, Brasil vai longe da ‘Copa do Mundo’

Ela ainda acrescentou, “não sei se vocês se lembram, mas quando a seleção masculina foi eliminada na última Copa, o ‘ídolo’ Neymar ficou três meses mudo. E pergunto: por que nunca saiu nenhuma charge chamando o Neymar de pica-sonsa sempre que ele amarela?”

De fato, o discurso de Marta após a derrota por 2 a 1 diante da França na ‘Copa do Mundo’ entrou para a história. A seis vezes melhor do mundo cobrou investimentos e comprometimento das entidades responsáveis pela administração do futebol feminino no  Brasil.

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É um momento especial e a gente tem que aproveitar. Digo isso no sentido de valorizar mais. Valorize! A gente pede tanto, pede apoio, mas a gente também precisa valorizar. A gente está sorrindo aqui e acho que é esse o primordial, ter que chorar no começo para sorrir no fim. Quando digo isso é querer mais, treinar mais, estar pronta para jogar 90 e mais 30 minutos e mais quantos minutos forem necessários. É isso que peço para as meninas. Não vai ter uma Formiga para sempre, uma Marta, uma Cristiane. O futebol feminino depende de vocês para sobreviver. Pensem nisso, valorizem mais. Chorem no começo para sorrir no fim, enfatizou a maior artilheira da história das Copas do Mundo.

Foi histórico por causa delas

O futebol feminino no Brasil carece de investimentos, apoio e estrutura. Não é de hoje. Marta, Cristiane e Formiga, para ficar em apenas três atletas, já reclamaram da disparidade.

Apenas cinco das 23 jogadoras atuam no futebol brasileiro. França e Estados Unidos abrigam todas suas atletas convocadas para o Mundial em ligas domésticas.

Em 2017, como mostrou a jornalista Gabriela Moreira, a Confederação Brasileira de Futebol extinguiu o Comitê de Futebol Feminino. A extinção aconteceu durante a gestão de Marco Polo Del Nero, que não deu explicações ou justificou a decisão.

“Nós entregamos mais de 20 sugestões para a CBF. Ideias que podem melhorar a modalidade em todo o país, em relação ao seu desenvolvimento, ao seu fomento. Isso já está com eles desde outubro. A gente entende que as mudanças que eles farão para o ano que vem são muito simples que já deveriam ter acontecido há um certo tempo. Eram questões que bastava ter escutado quem já está falando isso há bastante tempo”, comentou Juliana Cabral, ex zagueira da seleção e uma das membras do grupo.

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Tal como destacou Marta, com a saída de cena da seleção brasileira, fica agora o medo do limbo. Embora tenha apresentado números recordes de audiência, garantindo 30 e 8 pontos para Globo e Band respectivamente, existe o temor que pedidos por infraestrutura sejam preteridos pelo discurso batido de superação e guerreiras. É evidente que a performance do time brasileiro deu orgulho, no entanto, o crédito se deve ao nível de performance das atletas. Não ao apoio da CBF.

Pela primeira vez o Brasil possui duas divisões estruturadas, mas ainda carece de planejamento. Os clubes não possuem departamento feminino e as jogadoras não recebem nem perto da atenção dos atletas masculinos.

“A renovação tem que começar na estrutura do futebol feminino, na CBF. Quem cuida do departamento do futebol feminino conhece do futebol feminino? Gosta? Quem está na comissão conhece?”, questiona a ex-árbitra Renata Ruel.

Então, que tal ao invés de repetir estigmas machistas, cobrar comprometimento com o esporte?

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Fotos: foto 1: Reprodução/foto 2: Reprodução/Instagram/foto 3: EBC


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