Diversidade

Por que a chuva de memes com o caso Neymar ameniza a cultura de estupro

por: Redação Hypeness

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A chuva de memes sobre a acusação de estupro contra Neymar reafirma a urgência do debate sobre educação sexual e machismo. Anônimos, famosos e páginas de grande alcance entraram no clima de ‘tirar onda’ com a situação. Vocês não estão entendendo nada.

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O caso é complexo e envolve uma das figuras mais conhecidas do mundo. Neymar é seguido por 119 milhões de pessoas APENAS no Instagram. O jogador se diz inocente e vítima de armadilha, mas expôs o nome e o rosto da mulher em vídeo de defesa já removido das redes sociais, mas com 20 milhões de visualizações.

A acusação de estupro contra Neymar virou memes e ‘brincadeira’ nas redes

Será que tudo deve mesmo ser levado na brincadeira? Não nos cabe julgar ou inocentar ninguém, mas como o Hypeness já mostrou, a situação respinga em crianças e pessoas que não têm nada a ver com a história.

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“E aí fake”, “saudades do que a gente ainda não viveu”, são alguns do memes circulando no WhatsApp mais próximo. E, pasmem, em alguns veículos de comunicação. Teve até funkeiro criando música sobre a história.

Professora da Universidade Federal do Ceará (UFC), Lola Aronovich critica o clima de ‘brincadeirinha’.

“Agentes de segurança pública estão compartilhando esta imagem num grupo, sugerindo que Neymar deveria tratar sua ‘Maria Chuteira’ como o goleiro Bruno tratou a sua. Mas não é sério, claro, é só brincadeirinha, nós feministas é que não temos senso de humor quando não rimos de piadas sobre estupro e feminicídio. Depois o pessoal estranha por que uma mulher não denuncia a violência contra ela. Vai denunciar pra quem? Pro agente de segurança pública que ‘brinca’ com o caso de uma mulher que foi assassinada e cujo corpo foi devorado por cachorros?”, escreveu a feminista.

Programas esportivos exibidos na tarde de segunda-feira (3), primeiro dia útil desde o surgimento das denúncias, deram show de machismo e desconhecimento ao tratar do assunto. Sem assumir uma posição direta, jornalistas passaram o recibo de que a suposta vítima está tentando se aproveitar do ‘menino’ Neymar.

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O jornalista Mauro Cezar Pereira, da ESPN Brasil, criticou a atitude de alguns colegas na análise da situação.

“Curioso como alguns se acham tão espertos e malandros, mas na primeira oportunidade revelam a vocação machista, ‘julgando’, ‘sentenciando’, mesmo que apenas as duas pessoas tenham a certeza absoluta do que aconteceu”, concluiu.

As ‘brincadeiras’ apresentam uma tendência em comum: culpar a moça.  Lola chama atenção para a cultura do estupro. “Mas você aí que não viu a linha do impedimento e correu pro gol pra chamar Neymar de menino e a moça de vagabunda, você está ajudando a difundir o que nós chamamos de cultura de estupro”.

A antropóloga Debora Diniz foi outra a tecer críticas sobre a repercussão do tema, pois embora não haja um posicionamento oficial da polícia e tampouco da Justiça, novamente, a tendência é culpar a mulher e de forma paternalista, passar a mão na cabeça do camisa 10 da seleção brasileira.

“Não sabemos a verdade do estupro, mas sabemos a crueldade com que Neymar expôs a intimidade vivida com esta mulher e com que a lançou à cena da pornografia global no intuito de atiçar o voyeurismo sexual”, escreveu em artigo na Marie Claire.

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Foto: Reprodução


Redação Hypeness
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