Cobertura Hypeness

Colamos na Casa de Música Escuta as Minas para curtir o presente e ver o futuro da música

por: Rafael Oliver

Antes de tudo… solta o som aí:

Deu o play? Então, vamos ao que interessa: O Spotify inaugurou a Casa de Música Escuta as Minas, na cidade de São Paulo.  Prevista para ficar ativa pelos próximos 6 meses, a casa é feita por mulheres e para mulheres, onde elas possam aprender, criar e compartilhar experiências a partir de workshops e eventos para artistas em início de carreira no mundo da música.  Várias minas de peso estão reunidas no projeto, desde produtoras de áudio, até engenheiras de som, desde cantoras até multi instrumentistas e facilitadoras de workshop.

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Pra que todos que trabalham com música sejam livres para criar, independentemente do gênero com o qual se identificam. Esse é o desejo. Não é a realidade hoje. Porque as oportunidades ainda não são iguais. A Casa de Música Escuta As Minas abre suas portas em SP pra ser parte de um movimento que quer mudar este cenário. Durante 6 meses, 24 artistas, 12 produtoras, 6 estrelas da música e dezenas de mulheres vão passar pela Casa. Nesse espaço pra compartilhar, aprender e ouvir, serão produzidas 24 músicas – uma por semana. "Sonho meu, sonho meu…" A Dona Ivone Lara sempre sonhou com o samba, mas seu sonho teve que esperar o casamento, os filhos e até a aposentadoria. Uma mulher negra no samba, na posição que não a de sambar, era raro. Ainda é. Ela compôs antes, mas foi só em 1977 que passou a se dedicar a sua carreira. Venceu a resistência, mas a resistência não acabou. As mulheres que tentam carreira no samba ainda enfrentam dificuldades pra conseguir espaço. "Eu tinha 16 anos quando comecei no RZO. Mudei muito meu jeito de ser e de me vestir pra poder ser respeitada. Eu não podia sorrir, não podia usar minhas saias curtas, meus shorts. Então comecei a usar as roupas dos meus irmãos – camisões e calças”. O início da carreira da Negra Li também teve proibições: ela "já" podia cantar antes de casar, mas o espaço era tão masculino que ela se via sozinha e tendo que se camuflar pra continuar ali. Com o tempo, ganhou confiança e foi se libertando. Mais mulheres entraram pro rap, mas o desequilíbrio continua lá. Como a Negra Li e a Dona Ivone existem muitas: no samba, no sertanejo, no rap, no rock, no gospel, em qualquer gênero. Elas enfrentam essa realidade e trabalham pra aparecer. Mas os números indicam que ainda falta muito. Um estudo da Iniciativa de Inclusão Annenberg da USC + Spotify não deixa dúvidas: 12,3% dos compositores são mulheres. 2,1% dos produtores são mulheres. 10,4% dos indicados ao Grammy nos últimos 6 anos são mulheres. Como ajudar a mudar os números? Leia mais no link na bio.

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Como primeiro projeto do espaço, o Spotify selecionou 12 mulheres para gravarem 12 singles diferentes. As artistas selecionadas – com carreira em ascensão – irão criar, produzir e gravar músicas dentro da própria casa, que conta com estúdio completo, sala de mixagem e audições. As cantoras/bandas terão “madrinhas”, como Negra Li, Priscilla Alcântara, MC Pocahontas e Maiara & Maraísa, artistas que estão envolvidas na iniciativa.

     

Em setembro o Spotify abrirá inscrições para outras 12 mulheres entrarem na casa. Essas novas selecionadas passarão pela mesma experiência das anteriores, gravando músicas e participando dos eventos e ativações que acontecerão no local.

A inauguração da casa é mais um passo de um projeto Escuta as Minas do Spotify, que tem como objetivo promover a igualdade de gênero e inserir mais mulheres no ramo musical, dando mais voz e oportunidade para que elas sejam ouvidas. O projeto começou em 2018 com o lançamento de clip, site e depoimentos de artistas, que reuniu nomes como Elza Soares, Mart’nália, Karol Conká e Maiara & Maraisa.

O projeto espera impactar, incentivar e inspirar muitas mulheres a ingressarem no meio artístico. De acordo com Gabriela Lancellotti, o projeto fala, acima de tudo, sobre a luta feminina na música: “A gente quer criar redes, a gente quer criar pessoas se conectando, pessoas descobrindo talentos, possibilidades e trazendo luz para mulheres que já estão trabalhando ou tentando trabalhar, questões que pra elas antes eram quase impossível de conseguir trazer, encontrar uma equipe feminina que dá o suporte, entender que as mulheres realmente já dominam o mundo da música”.

Na última terça-feira foram apresentadas 4 audições das primeiras cantoras/bandas selecionadas. Madrinha do projeto, Negra Li bateu um papo com as meninas e depois falou um pouquinho com o Hypeness a respeito do projeto:

É um motivação a mais fazer parte de um projeto só com as minas? 

Sim! É um projeto maravilho. Eu sempre fui a favor das minas puxando outras minas, a gente se dando espaço, alcançando lugares que é nosso por direito. É muito legal tá aqui vendo produtoras, técnicas de som.

As meninas contaram que hoje tiveram um papo super legal e se identificaram muito com sua experiência, com a dificuldade do começo de carreira. Foi muito difícil pra você? 

Sempre é difícil no começo. Sempre é difícil se manter. Mas tudo tem seu aprendizado. Você não pode desistir, não pode acreditas nas pessoas que querem te puxar pra baixo, fazer você acreditar que não é capaz. Porque tem muito… Aproveita todos os momentos, bota pra fora, que vai dar certo.

Podemos ser otimistas com relação ao futuro das minas na indústria da música? 

Somos minoria em diversas áreas. A gente tem muito o que conquistar. Mas acho que as pessoas já estão se acostumando a nos ver no comando, nos ver dominando certas funções, sermos empresárias, donas, gerente. É bom ver a evolução, a revolução que a gente tá vivendo hoje. Eu to amando viver nessa época, de empoderamento feminino.

Então, já sabe: Escuta as mina!

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Rafael Oliver
Publicitário de formação, com passagens por grandes agências, também atua por vocação na área da comédia. É redator, roteirista e humorista . Encontrou em San Diego, na Califórnia, seu segundo lar. Está sempre por lá. Vive uma busca incessante por novas experiências. E está longe de parar.

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