Debate

King Crimson pede aos fãs que não levem celulares para show em SP

por: Vitor Paiva

Assistir hoje um vídeo ou filme de um show do passado é como viajar em uma máquina do tempo, não só a partir de estilos e estéticas musicais de outras épocas – mas diante do próprio comportamento humano. E, para além do debate a respeito da qualidade da música do passado em comparação a hoje, nenhuma diferença parece mais gritante do que a absoluta ausência de smartphones e filmagens nos shows do passado. Em resumo, o banal se tornou espantoso, e é incrível ver que, em qualquer show antes do início dos anos 2000, as pessoas simplesmente assistiam à apresentação – sem filmar ou mesmo fotografar nada. Pois quem for ao show do King Crimson no próximo dia 4 de outubro irá viajar no tempo – para esse passado.

A banda King Crimson

Essa, ao menos, é a proposta da banda – uma das maiores dentro do rock progressivo em todos os tempos: realizar em São Paulo um Phone Free Event, ou um evento livre de telefones. Como se estivéssemos em 1968 – ano em que o King Crimson foi criado -, a ideia é deixar as distrações dos celulares de lado, e principalmente a estranha obsessão pelo registro e simplesmente apreciar a música, o show, a presença – simplesmente estar em um show do King Crimson. Os smartphones, portanto, não serão permitidos no show.

A experiência de ver e ouvir uma das grandes bandas do gênero ao vivo, pura e simplesmente, sem fotos, vídeos, posts ou stories, é o que importa para a banda – e esse é o convite que eles fazem aos fãs paulistanos. Para além de qualquer coisa, convenhamos que registrar em um vídeo tremido, de longe e mal filmado um evento que está efetivamente acontecendo diante dos seus olhos – no mais incrível e insuperável 3D que pode existir, que é a vida real – não faz muito sentido.

Plateia de um show dos Rolling Stones no Hyde Park em 1969 – todos simplesmente assistindo e dançando

O show do King Crimson em São Paulo irá acontecer no dia 04 de outubro, no Espaço das Américas, que fica na Rua Tagipuru, 795.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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