Entrevista Hypeness

‘Mônica deu início ao empoderamento’, diz Mauricio de Sousa, o criador da ‘Turma da Mônica’

por: Janaina Pereira

E lá se vão 60 anos em que Maurício de Sousa começou a criar os personagens que fariam parte do imaginário de milhares de brasileiros. Desde então, Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão e companhia viraram amigos de infâncias de crianças que cresceram com as aventuras dessa turminha, lendo suas histórias, vendo seus desenhos e colecionando seus brinquedos.

Já são quatro gerações de leitores, que aguardavam ansiosamente pelo dia em que a “Turma da Mônica” seria interpretada por atores nas telonas. E esse momento finalmente chegou: em cartaz nos cinemas de todo o Brasil, “Turma da Mônica: Laços”, baseado na graphic novel de mesmo nome, é o primeiro live-action dos icônicos personagens de Mauricio de Sousa.

“’A Turma da Mônica’ nos cinemas era um sonho antigo meu, mas tinha dúvidas se uma criança poderia representar bem os personagens. Mas tudo isso eu esqueci quando conheci o Daniel Rezende, o diretor do filme. Ele se comprometeu, e nossa parceria deu mais do que certo. Para quem conhece e acompanha a ‘Turma da Mônica’, ver o filme é emocionante. Ele remete ao passado, a infância e a juventude de muita gente”, revela Maurício de Sousa em entrevista exclusiva ao Hypeness.

O cartunista ressalta que levar entretenimento e cultura para as crianças sempre foi um objetivo em sua carreira. “Fizemos parte da alfabetização de três gerações e estamos aí, na quarta geração. Quando vejo o resultado não só do filme, mas a emoção da plateia, percebo que valeu a pena todo o trabalho. E continua valendo”.

Mas histórias em quadrinhos não são apenas diversão para os leitores. Ciente do papel social de seus personagens, Mauricio de Sousa comenta o que mudou na “Turma da Mônica” ao longo dos anos. “Estamos atentos as mudanças de hábitos e costumes. Temos que acompanhar isso. Chico Bento não solta balão faz muito tempo. No começo, o Cebolinha pichava os muros para criticar a Mônica, mas percebemos que a sociedade era contra isso. Então agora ele desenha em cartazes e cola nos muros. As mães dos personagens não usam mais avental; elas são executivas, trabalham fora”.

Comento que a Mônica é uma inspiração para várias meninas, que se sentem mais confiantes ao vê-la enfrentar o Cebolinha e não se abater por ser chamada de baixinha e dentuça. E que a personagem, que é um exemplo de garota que se posiciona, tem um valor agregador muito forte: o empoderamento. “Valor agregado… nunca tinha ouvido falarem dela dessa maneira. Muito obrigado! E acho que a Mônica deu início ao empoderamento”.

No começo, o Cebolinha pichava os muros para criticar a Mônica, mas percebemos que a sociedade era contra isso. Então agora ele desenha em cartazes e cola nos muros. As mães dos personagens não usam mais avental; elas são executivas, trabalham fora

Novos Filmes

Aos 83 anos, Mauricio de Sousa faz planos para manter a “Turma da Mônica” em ação. Ele revela que nos próximos dias a equipe do filme vai se reunir para iniciar o projeto de uma segunda aventura nos cinemas. A ideia é ter o mesmo elenco infantil na continuação: Giulia Benite (Mônica), Kevin Vechiatto (Cebolinha), Laura Rauseo (Magali) e Gabriel Moreira (Cascão). “Queremos aproveitar os atores mirins, que são ótimos. E criança nessa idade cresce rápido, então já pensamos no próximo filme”.

Mas não para por aí: em breve poderemos ter outros personagens nas telonas. “O filme está nos trazendo novos leitores, e abre caminho para novas experimentações. Vamos pensar mais em cinema, porque temos outros personagens conhecidos e queridos. Fizemos muitos desenhos animados, e agora é hora de fazer cinema. ‘A Turma da Mônica’ continua muito ativa e firme, como representação de algo bem brasileiro mas, ao mesmo tempo, universal”.

Homenageado no Festival de Cinema de Gramado, que acontece em agosto na cidade gaúcha, Mauricio de Sousa não titubeia quando o assunto é a longevidade de sua carreira. “Acho que o segredo é o básico: gostar do que faz. É assim que a gente se energiza em qualquer área. Porque o importante é ter o mesmo entusiasmo por tudo que fizemos até agora e pelo que ainda vamos fazer”.

Diretor realiza sonho

Indicado ao Oscar de melhor montagem por “Cidade de Deus”, o cineasta Daniel Rezende pediu para dirigir “Turma da Mônica: Laços”. Depois da bem-sucedida estreia na direção com “Bingo – O Rei das Manhãs”, ele se ofereceu para trabalhar na live-action.

“Como fã da ‘Turma da Mônica’, sempre me perguntei porque nunca teve um live-action. Quando descobri que havia o projeto de adaptar a graphic novel ‘Laços’, eu corri atrás. Eles não tinham diretor para o filme, então me ofereci”, conta.

Assim como muitos brasileiros, Rezende também era leitor dos quadrinhos, e dirigir o filme foi a realização de um sonho. “Costumo dizer que o Brasil tem 200 milhões de fãs número 1 da ‘Turma da Mônica’. Cresci e aprendi a ler com eles, e para mim Mauricio de Sousa é o maior contador de histórias desse país. Acho que é um filme que o Brasil precisava, que a nossa cultura precisava. Fizemos com muito respeito e o mais fiel possível à obra do Mauricio”.

Fã do personagem Louco – que no filme é interpretado pelo ator Rodrigo Santoro – Daniel Rezende define para as novas gerações a importância dos personagens de Mauricio de Sousa. “Acho que a Turma da Mônica é o maior ícone pop do país”. Olhando a longevidade e o amor de tantas gerações de brasileiros fica difícil discordar.

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Janaina Pereira
Jornalista e publicitária. Especializada em cultura - principalmente cinema - e gastronomia. Desde 2009 cobre os principais festivais da sétima arte, como Veneza, Cannes, San Sebastian, Berlim, Rio e Mostra Internacional de São Paulo. Participou dos livros "Negritude, Cinema e Educação" (escrevendo sobre o filme "Preciosa", de Lee Daniels) e "Guia de Restaurantes Italianos" (escrevendo sobre 45 restaurantes ítalo-brasileiros de São Paulo).

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