Roteiro Hypeness

Descobrindo uma pequena cidade desconhecida na Flórida | Viaja Bi! #11

por: Rafael Leick

Quando pensamos em viajar, a primeira busca que fazemos é por destinos que outras pessoas já foram, conheçam, indicam. Sendo assim, podemos embarcar no nosso voo pro destino com uma ideia melhor do que nos aguarda por lá.

Como meu trabalho é viajar, às vezes as coisas funcionam um pouco diferente. O Viaja Bi! teve seu destaque dentro do turismo LGBT+ então, muitas vezes, sou convidado por destinos para conhecer o que eles têm pra oferecer e, assim, poder contar tudo pra quem lê meus textos por aí.

Foi mais ou menos nessa pegada que eu fui convidado para conhecer a pequena cidade de Naples, que fica na região de Paradise Coast, na costa oeste da Flórida. Quando eu digo conhecer, não é figura de linguagem, eu não tinha nenhuma referência sobre o destino. A única informação que eu tinha é que eles teriam a 3ª edição da Naples Pride, um festival LGBT+ que se assemelha ao que chamamos de Parada LGBT+ por aqui, mas bem diferente. Vocês entenderão.

Vista do quarto do Naples Beach Hotel - Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Vista do quarto do Naples Beach Hotel – Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Com “isso tudo” de informação, embarquei num voo pra Miami, depois peguei um transfer de duas horas até chegar ao Naples Beach Hotel, onde fiquei hospedado, ainda meio na dúvida do que encontraria por lá. Esse é um momento delicado para produtores de conteúdo porque você foi convidado pra conhecer, mas se o que encontrar não for tão bom, vai produzir o quê? Vai dar dica do quê?

A primeira impressão não foi nada mal, um hotel na beira da praia, com um quarto gigante com vista pra piscina e pro mar, atendimento ótimo e com ar condicionado pra dar conta do verão abafado de Paradise Coast. Dá pra reclamar? Não!

Paradise… Everglades… quem?

Passeio na parte oeste dos Everglades - Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Passeio na parte oeste dos Everglades – Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Calma aí, deixa eu te situar melhor. Paradise Coast é como é chamada a região turística que contempla Naples, Marco Island e os Everglades. Você já deve ter ouvido falar dos Everglades como uma atração de Miami. Ele é um parque nacional que tem, sim, uma das extremidades próximas a Miami, que fica na costa leste da Flórida, mas se estende até a costa oeste, onde fica a cidade de Everglades. Essa, faz parte de Paradise Coast.

Não se achou? Abre o mapa da Flórida. Tá vendo aquele pedação verde? Do lado direito, Miami, do lado esquerdo em cima, Paradise Coast. Pronto!

O legal é que meu voo foi bem conveniente para se aproveitar ao máximo. Saiu do Brasil no dia anterior à noite e chegou a Miami antes das 5h da manhã. Contando o transfer, check-in no hotel e ainda um tempo pra descansar, às 11h eu estava já pronto para meu primeiro passeio, que seria justamente para explorar os Everglades de barco!

Primeira vez que vi um golfinho de perto foi nos Everglades - Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Primeira vez que vi um golfinho de perto foi nos Everglades – Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

O parque é conhecido pelos alligators, mas nesse lado oeste os animais que vi são um pouco diferentes. Como os Everglades vai “se desfazendo” em pequenas ilhas e se mescla com o mar, muitos animais marinhos aparecem por lá. Além de raias e peixes raros, tive minha primeira experiência vendo um golfinho na vida. Um não, vários! E foi a coisa mais emocionante, eu parecia criança. Imagina, você ver golfinhos assim em seu habitat natural, pertinho do barco!

Por estar próximo ao mar, a região também servia de ponto de comércio para cidades próximas e a Smallwood Store é uma casa de madeira sob palafitas convertida em museu (entrada $5) que ainda representa o que foi esse período. Fica perto do Everglades Area Tours, de onde saiu o passeio e é um passeio rápido de se fazer.

Ochopee Post Office, o menor posto de serviço postal do mundo - Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Ochopee Post Office, o menor posto de serviço postal do mundo – Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Outra coisa que dá pra fazer na sequência é o Ochopee Post Office. Esse é o estranho nome da unidade do serviço postal da região. Ela é a menor do mundo. Tem 1 funcionário só e é uma pequena casinha no meio da estrada. Virou atração turística, mas funciona normalmente como qualquer agência. Bastante curioso.

Tem cena LGBT+ numa cidade tão pequena?

Naples Botanical Gardens - Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Naples Botanical Gardens – Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Naples não é uma cidade grande, então não espere grandes badalações. Passeios comuns na cidade incluem o Naples Botanical Gardens, que é lindo e tem uma área inteira dedicada à flora brasileira, e o Waterside Shops, um shopping a céu aberto com lojas de luxo, algumas inclusive com coleção especial para a Pride. Então, é um destino para ir e relaxar, no estilo slow travel.

Mas não pense que é uma cidade morta não. Ela é tranquila, mas se souber onde procurar (ou seguir minhas dicas), você encontra diversão. A região do Mercato, é a área boêmia da cidade, com vários bares e restaurantes (alguns com longas filas de espera). Minha dica é que depois de jantar em algum deles (ou antes, você escolhe), dê um pulinho no Cavo Lounge. É um gastropub com janelões no bar, bem arejado e com drinks especiais. Eu tomei um Chocolate Rasperry Truffle Martini. Parece muita informação (e é), mas é bem gostoso.

Cavo Lounge, onde acontece a LGBTQ Tea Dance Party - Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Cavo Lounge, onde acontece a LGBTQ Tea Dance Party – Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Lá rola, em um domingo do mês, o LGBTQ Sunday Tea Dance Brunch Party, uma festa LGBT com uma história interessante. Você talvez esteja familiarizadx com os “speakeasies”, os bares clandestinos que vendiam bebida alcoolica quando ela era proibida nos EUA. As festas “tea dance” eram uma versão LGBT+. E esse lugar resgata essas festas.

Agora o principal point LGBT+ da cidade, que não dá pra ficar de fora do roteiro é o Bambusa Bar & Grill. Não, você não entendeu errado: bar & grill. É um lugar pra comer massa feita na casa, pratos orgânicos ou comida pesada. Mas à noite, o espaço “vazio” entre a cabine do DJ e o bar vira uma pista de dança com shows de drag queens e música pop e latina. Em alguns dias, tem karaokê, música ao vivo e até bingo! Tudo isso enquanto a galera janta. Pra gente parece estranho, mas é bem divertido! Na noite que eu fui, durante a Pride, rolou show da Eureka O’Hara, a “Elephant Queen” de RuPaul’s Drag Race.

Naples Pride, a Parada LGBT+ que arrebatou meu coração

Casal gay mais velho assiste show de drag queen na Naples Pride - Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Casal gay mais velho assiste show de drag queen na Naples Pride – Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Tudo isso foi muito legal, mas mais legal ainda foi poder ter a experiência de viver a Naples Pride. A Parada LGBT+ de Naples não tem uma marcha, ela funciona como os festivais do Orgulho que acontecem nos EUA e Europa. Essa 3ª edição tomou conta do Cambier Park e foi incrível.

Naples é uma cidade com uma população mais velha, mas no evento, tinha gente nova, idosos, cachorro, mães, pais, crianças trans, homem, mulher, tinha de tudo! Todo mundo junto e misturado de uma forma que passa uma sensação de comunidade mesmo.

Sabe aqueles festivais no parque de interior que a gente vê nos filmes norte-americanos e que tem gente de todo tipo curtindo a festa? Alguns levam cadeira de praia, outros vão vestidos de forma colorida. Tudo isso tinha lá.

Filho se diverte com a mãe na Naples Pride - Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

Filho se diverte com a mãe na Naples Pride – Foto: Rafael Leick / Viaja Bi!

O prefeito abriu o evento, a festa aconteceu e, no fechamento, a galera ajudou a recolher o pouco lixo que tinha ficado no chão. Tem como não me conquistar?

Se quiser saber em detalhes como foi, com fotos incríveis, dê uma uma lida no texto Naples Pride, um jeito diferente de celebrar o Orgulho LGBT+.

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Rafael Leick
Criador do Viaja Bi!, primeiro e principal blog de viagens LGBT+ do Brasil. Publicitário paulistano, fez intercâmbio em Londres e lá começou a escrever sobre viagem. Trabalhou com órgãos de promoção turística de Toronto, Argentina, Espanha, Reino Unido, Curaçao, entre outros, e grandes empresas do setor. Ministrou palestras no Brasil e no Peru e foi Diretor de Turismo da Câmara LGBT do Brasil.

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