Debate

Para conter aquecimento, precisamos parar de desmatar e plantar 1,2 trilhão de novas árvores

por: Redação Hypeness

O aquecimento global é uma realidade que só pode ser revertida com a plantação de 1,2 trilhão de novas mudas de plantas. Número quatro vezes maior do que o total de árvores abrigadas na floresta Amazônica. 

– Merkel chama governo de dramático e Bolsonaro responde: “Alemães têm a aprender com Brasil”

Amazônia bateu recorde de desmatamento e ativistas temem efeito Bolsonaro

A saída é apontada por estudo realizado pelo cientista britânico e ecólogo Thomas Crowther e publicado pela BBC Brasil. O trabalho do professor do departamento de Ciências do Meio Ambiente do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça, será publicado na próxima edição da revista Science.  

“Seguramente podemos afirmar que o reflorestamento é a solução mais poderosa se quisermos alcançar o limite de 1,5 grau [de aquecimento global]”, declarou à BBC. 

A Terra possui 3 trilhões de árvores – muitas ameaçadas pelo desmatamento e urbanização crescentes. O britânico defende uma campanha global – com participação efetiva dos governos e pessoas físicas – para o plantio. 

“São regiões degradadas em todo o mundo, onde humanos removeram as florestas e hoje são áreas que não estão sendo usadas para outros fins. No entanto, não sabemos sobre a propriedade da terra de todas essas regiões. Identificar como incentivar as pessoas a restaurar esses ecossistemas é a chave para o reflorestamento global”.

Tá calor!

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) lançou relatório que pretende limitar o aumento do aquecimento global em 1,5 grau Celsius até 2050. O órgão das Nações Unidas quer ainda baixar para zero a taxa de emissão de gases do efeito estufa. 

Julho foi o mês mais quente da história. Uma onda de calor extremo castigou a Europa. A França, por exemplo, registrou temperatura recorde de 44,3 graus Celsius. Os termômetros subiram o,1ºC em relação ao antigo recorde de 2016. 

Friederike Otto afirma que o aquecimento global amplificou em mais de cinco vezes o calor europeu, sobretudo na França. “Os modelos são muito bons em representar mudanças sazonais em larga escala nas temperaturas. Em escalas localizadas, os modelos climáticos tendem a subestimar o aumento da temperatura”, declarou a diretora interina do Instituto de Mudança Ambiental da Universidade de Oxford. 

Poderosos duvidam e culpam Marx

Apesar da efervescente realidade, políticos como Jair Bolsonaro e Donald Trump insistem em duvidar da elevação das temperaturas. O ministro das Relações Exteriores chegou a dizer que o aquecimento global é uma trama marxista

Ministro acredita que aquecimento global é culpa de Marx

“Esse dogma vem servindo para justificar o aumento do poder regulador dos Estados sobre a economia e o poder das instituições internacionais sobre os Estados nacionais e suas populações, bem como para sufocar o crescimento econômico nos países capitalistas democráticos e favorecer o crescimento da China”, escreveu em seu blog pessoal.

Araújo foi além e declarou que o asfalto quente é o vilão da história. “Nos Estados Unidos, foi feito um estudo sobre estações meteorológicas, e diz que muitas estações que, nos anos 30 e 40, ficavam no meio do mato, hoje ficam no asfalto, na beira do estacionamento. É óbvio que aquela estação vai registrar um aumento extraordinário da temperatura, comparado com a dos anos 50. E isso entra na média global”, opinou em audiência na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara.

Antes de encontro entre líderes das 20 economias mais poderosas do planeta, Jair Bolsonaro tomou puxão de orelha de Angela Merkel. Ao Parlamento alemão em Berlim, Merkel demonstrou “grande preocupação” com violações ambientais e de direitos humanos. 

“Eu, assim como você, vejo com grande preocupação a questão da atuação do novo presidente brasileiro. E a oportunidade será utilizada, durante a cúpula do G20, para falar diretamente sobre o tema, porque eu vejo como dramático o que está acontecendo no Brasil”, afirmou.

Bolsonaro atacou, dizendo que a “alemães têm que aprender com o Brasil”. O presidente, no entanto, não seguiu com promessa de deixar o Acordo de Paris. 

Amazônia preocupa 

Estudos recentes ameaçam a proposta de reflorestamento mundial. O pulmão verde do mundo nunca foi tão atacado como hoje. Em 365 dias, o desmatamento na Amazônia da Terra cresceu quase 60%.

Bolsonaro levou puxão de orelha da Alemanha

Os dados são do sistema DETER, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que também mostrou perda de 762,3 km² de mata nativa. Trocando em miúdos, o Brasil atingiu o pior registro desde 2016. Nunca se desmatou tanto, entre janeiro e junho de 2018, 735,8 km² de floresta destruída.

À BBC Brasil Paulo Artaxo, doutor em física atmosférica pela Universidade de São Paulo (USP), salientou que destruição da Amazônia pode se tornar irreversível em quatro ou oito anos. 

“Estamos no meio do caminho. E o restante do caminho pode acontecer nos próximos oito anos, durante dois mandatos de governo Bolsonaro. Reduzir o desmatamento é uma questão absolutamente crucial para a estabilidade do clima do planeta – assim como reduzir as emissões de combustíveis fósseis dos países desenvolvidos”, ressalta o estudioso da floresta há 35 anos.

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Fotos: EBC


Redação Hypeness
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