Arte

‘Tarsila Popular’ supera Monet e é a exposição mais vista no Masp em 20 anos

por: Vitor Paiva

A mais importante artista plástica do Brasil e uma das pintoras mais influentes do século 20 mostrou que, aproximando-se do centenário de sua fase mais revolucionária, segue impactando gerações e movendo multidões. A exposição ‘Tarsila Popular’, da artista brasileira Tarsila do Amaral, tornou-se o maior público dos últimos 20 anos no Masp e possivelmente a mais visitada da história do museu, em São Paulo, com 402.850 visitantes, destronando ninguém menos que o impressionista francês Claude Monet, em 1997, com um público superior em mais de 7 mil pessoas.

A multidão diante do Masp no último dia da exposição

Na meia-noite do último dia da exposição, domingo passado, as galerias seguiam abarrotadas até o apagar de luzes do prédio. Só nesse domingo mais de 6 mil pessoas foram ao Masp – que, além de ver a retrospectiva da obra de Tarsila, falecida em 1973, queriam principalmente observar ao vivo e fotografar o quadro “Abaporu”, possivelmente o mais importante da história do Brasil, espécie de Mona Lisa da exposição, que atualmente faz parte do acervo do MALBA, em Buenos Aires.

“Abaporu”

Os números a respeito do feito popular da exposição de Tarsila no MASP são imprecisos, pois os dados mais corretos se referem somente aos cinco anos da gestão atual. Um levantamento rapidamente realizado, porém, confirmou se tratar da exposição mais popular das últimas décadas, e possivelmente de toda a história do museu – apesar do valor dos ingressos, vendidos a R$ 40, que impede que boa parte da população possa visitar o MASP.

“Operários”

Em um momento de ataque tão perigoso e irracional à cultura, esse preço ajuda a elucidar a distância do brasileiro de seus museus, mas o feito de Tarsila nessa que é possivelmente a mais visitada exposição de um artista brasileiro, traz um sopro colorido, moderno e revolucionário de esperança.

Tarsila do Amaral nos anos 1920

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© fotos: divulgação

© artes: Tarsila do Amaral


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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