Debate

47% dos brasileiros não sabem o que é depressão, mostra pesquisa

por: Redação Hypeness

O fato de metade dos brasileiros não saberem o que é depressão pode explicar o pico da doença no país. Segundo pesquisa do Ibope, somente 47% dos ouvidos associou a depressão com um transtorno mental. 

– Na Dinamarca, combate à depressão é feito com prescrição de ‘vitamina de cultura’

O resultado faz parte do estudo ‘Depressão, suicídio e tabu no Brasil: um novo olhar sobre a Saúde Mental’, que pretende mapear a visão do brasileiro sobre o tema. Para isso, foram ouvidas 2 mil pessoas a partir de 13 anos. 

Brasileiro desconhecem efeitos da depressão, diz pesquisa

Por falar em jovens, 29% dos que têm 18 e 24 anos não sabem ao certo se a depressão deve ser ser encarada como uma doença. Resultado diferente dos 81% entre os entrevistados com mais de 55 anos que endossam o tratamento médico. 

E eles têm razão, depressão é doença e precisa ser tratada sim. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país mais deprimido da América Latina. 

Acima da média global de 4,4%, os números assustam. Cerca de 12 milhões de pessoas, 5,8% da população, precisa lidar com o problema. O suicídio, que aumentou 24% no país entre 2006 e 2015, é um dos possíveis desdobramentos da depressão. Eles acometem principalmente a faixa etária entre 10 e 19 anos. 

Redes de cuidado 

Em conversa com Hypeness, Amanda Ramalho falou sobre o podcast ‘Esquizofrenoias’, criado para discutir depressão. Sem caretice. Sucesso absoluto, o programa cativa pela linguagem acessível. 

Podcast ‘Esquizofrenoias’, de Amanda Ramalho

“Eu nasci na periferia de São Paulo, no Capão Redondo. Venho de família pobre. Quando eu tive minha primeira grande crise com 15 anos, minha mãe procurou terapias gratuitas. Era uma luta. Lembro de pegar dos busões [ônibus] pra ir em Pinheiros, num posto de saúde que oferecia tratamento. Mas tinha triagem, o terapeuta não ia. Tinha que pegar senha. Isso tem quase 20 anos. Desanimava a gente. Eu não tinha energia pra ficar quase duas horas no ônibus pra falar com um profissional que muitas vezes faltava. Era cansativo. Como a ansiedade e a depressão geram sintomas físicos, no meu caso: medo, aflição, choro copioso, etc., eu achava que os medicamentos bastavam. Só fui levar a sério a terapia depois que fiquei internada e percebi que não, eu não queria morrer. Embora pensasse nisso quase que diariamente desde sempre. É impressionante a melhora. Quem me conhece de antes nota muito”, destaca Amanda.  

Redes de cuidado na Bahia

Outro espaço importante é o fundado pela psicóloga soteropolitana Laura Augusta. Ela é uma das responsáveis por um grupo de discussão sobre saúde mental de mulheres negras, a Rede Dandaras.

Ao Hypeness, a mestranda em Gênero, Alteridades e Desigualdades no Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a  Mulher da Universidade Federal da Bahia, ressalta o fator racial e a necessidade de manter a mente sã em tempos de tanta hostilidade. 

“A Rede Dandaras realiza indicação de psicólogas negras a nível nacional, através do mapeamento lançado em 2016, atua com formação profissional através do projeto Dialogando Clínicas Pretas e com ações estratégicas de promoção de saúde, como oficinas, rodas de conversas e atividades com foco em raça, saúde e gênero. Dialogamos com diversas profissionais, temos um quadro de psicólogas negras colunistas que são de vários lugares do país, com suas devidas experiências de atuação, tornando cada vez mais diverso, rica, equânime e responsável o nosso compromisso”, pontua. 

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Foto: PYMCA/Universal Images Group via Getty Images/foto 2: Reprodução/foto 3: Reprodução/Facebook


Redação Hypeness
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