Ciência

500 milhões de abelhas morrem no Brasil. E os agrotóxicos podem ser principal causa

por: Vitor Paiva

Os terríveis efeitos do uso desenfreado de agrotóxicos e pesticidas na agricultura brasileira não são medidos somente nos males sobre a saúde humana, mas sobre toda a natureza em seus complexos ecossistemas. Um verdadeiro genocídio de abelhas está acontecendo no Brasil – e, com a liberação do uso de novos agrotóxicos por aqui, esse cenário tende a piorar ainda mais. Nos primeiros quatro meses de 2019, cerca de 500 milhões de abelhas morreram em quatro estados brasileiros, envenenadas por pesticidas.

Sendo o maior produtor apícola do país, grande parte do meio bilhão de abelhas mortas aconteceu no Rio Grande Sul (cerca de 400 milhões), seguida por Santa Catarina (cerca de 50 milhões), Mato Grosso do Sul (cerca de 45 milhões) e São Paulo (cerca de 7 milhões). Segundo relatos de produtores, o envenenamento foi fulminante: a partir dos primeiros sintomas de intoxicação, as abelhas já foram encontradas mortas.

As mortes vem aumentando significativamente nos últimos dez anos, ao mesmo ritmo em que o uso de pesticidas também aumenta no Brasil. No atual genocídio, foram encontrados nas abelhas mortas resquícios do inseticida Fipronil proibido na Europa há mais de 10 anos e classificado como carcinogênico nos EUA. Segundo uma pesquisa, 80% das abelhas que morreram no Rio Grande do Sul tiveram contato com o Fipronil, e provavelmente contaminaram outras abelhas.

Desde 1990 que o uso de agrotóxicos aumenta desenfreadamente no Brasil – cerca de 700% até 2016. E, com o relaxamento nas leis pelo governo federal atual, esse cenário tende a piorar. A Anvisa já denunciou que 20% de amostras continham excesso de pesticida ou uso de químicos ilegais, e estudos comprovam que os agrotóxicos afetam áreas muito superiores a somente a plantação aplicada – cerca de 3 a 5 quilômetros para além da própria plantação.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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