Tecnologia

Aparelho é capaz de entender e responder às ‘vozes que ouvimos na nossa cabeça’

14 • 08 • 2019 às 05:55
Atualizada em 29 • 06 • 2020 às 11:18
Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Ouvir vozes dentro de sua cabeça e mesmo conversar com essas vozes irá deixar de ser sinônimo de loucura, e se tornará um procedimento tecnológico comum – com uma pequena ajuda da tecnologia e da inteligência artificial. É esse o projeto de Arnav Kapur, um brilhante jovem de origem indiana de somente 24 anos: intitulado AlterEgo, trata-se de um aparelho “vestível”, preso atrás da orelha, no maxilar e na boca do usuário, capaz de “escutar” e compreender nossos pensamentos – as vozes dentro de nossa cabeça – sem que precisemos emitir som algum.

Arnav Kapur “vestindo” o AlterEgo

E não só: o aparelho será capaz de também responder o que só pensamos mas não dizemos – e a resposta também soará somente dentro da cabeça do usuário. O sistema de inteligência artificial funciona a partir dos sinais neuromusculares que o cérebro envia às nossa cordas vocais quando pensamos em falar algo. Esses estímulos passam pelos músculos da garganta e da língua – e os sensores do AlterEgo captam tais sinais que, através de um robô de IA, são decodificados e transformados em palavras. O dispositivo irá formular respostas e responder dentro de nosso crânio através de um sistema de som embutido.

A ideia é que o sistema – que está em desenvolvimento – nos ajude com nossa memória, já que será capaz de registrar esses pensamentos, e também sirva para enviar mensagens de texto e mesmo se comunicar com assistentes virtuais através dessa espécie de telepatia. Para além de tais funções, o AlterEgo será especialmente valioso para quem possui limites motores ou cognitivos, como pacientes com esclerose lateral amiotrófica – caso do falecido físico Stephen Hawking que, com o uso do dipositivo, poderão se expressar mais rapidamente e com mais facilidade.

O AlterEgo foi premiado pela MiT, nos EUA, e poderá ser lançado em breve. Em testes conduzidos em hospitais e centros de reabilitação, a tecnologia já alcançou uma eficácia de 92% – de cada dez palavras pensadas e não ditas, o AlterEgo foi capaz de identificar nove.

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