Debate

Após faturar R$ 7 milhões com banco, Dony de Nuccio pede demissão da Globo

por: Redação Hypeness

O imbróglio envolvendo Dony De Nuccio, que recebeu R$ 7 milhões em prestação de serviço junto ao Bradesco, resultou na saída do jornalista da TV Globo. Segundo publicou o Notícias da TV, o ex-apresentador do ‘Jornal Hoje’ pediu demissão na manhã de quinta-feira (1). 

Dony enviou e-mail ao diretor de jornalismo da emissora, Ali Kamel, reclamando da divulgação dos valores. Ele, no entanto, reconheceu violação dos Princípios Editoriais da Globo. 

“Frente à recente onda de ataques que venho sofrendo, e com indícios de criminosa invasão de computadores, arquivos e mensagens, procurei vasculhar o histórico de dois anos de e-mails enviados por mim enquanto cumpria função na empresa. De fato, na esmagadora maioria das vezes, eu não tratava de valores com contratantes. Mas, em algumas circunstâncias pontuais, e das quais eu sinceramente não me recordava, há sim menção a cifras e projetos. Nos poucos casos em que isso aconteceu, a proposta geralmente não prosperou e a contratação não foi efetivada. De qualquer forma, fui traído pela memória. E me penitencio por isso”, diz Dony.  

Dony recebeu R$ 7 milhões em trabalho com o banco

R$ 7 milhões sem permissão da Globo 

Sem aval da TV Globo, Dony De Nuccio faturou R$ 7 milhões em parceria com banco. Segundo o Notícias da TV, o apresentador do ‘Jornal Hoje’  entrevistou executivos, produziu vídeos, cartilhas, palestras para o Banco Bradesco. A colaboração resultou em um total de R$ 7.239.692 para o jornalista. 

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A atuação de Dony quebrou uma das diretrizes dos Princípios Editoriais da Globo, que prega a isenção jornalística. De Nuccio admitiu a prestação de serviço apenas há alguma semanas, mas destacou que o conteúdo foi produzido para o Bradesco Seguros e apenas para consumo interno. 

O site acessou cópias de 25 notas fiscais emitidas por Dony entre 2017 e 2018. Embora oito tenham sido canceladas, 17 totalizaram R$ 7.239.692, sendo duas delas emitidas com o valor de R$ 2 milhões cada. 

“Como afirmei anteriormente, não tinha conhecimento de que os tipos de serviços prestados pela empresa à qual estava ligado contrariavam normas da Globo. Reitero que minha função não era negociar valores com clientes, mas sim trabalhar na concepção dos projetos e em seu conteúdo”, explica no e-mail para Kamel. 

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Os documentos foram emitidos pela Assessoria Ltda e a Prime Talk Produções – aberta em março de 2017 por Dony e Samy Dana, comentarista de economia dispensado da TV Globo. Apenas uma, segundo o site, foi emitida contra a Bradesco Seguros. 

Dony declarou que “em meados de julho retirou-se totalmente da empresa”, mas registros da Jucesp (Junta Comercial do Estado de São Paulo) mostram que a Prime Talk segue com o nome de De Nuccio.  

O jornalista nega pagamento de R$ 2 milhões por direitos de imagem e que a imagem obtida pelo Notícias da TV de uma entrevista com um executivo do Banco Bradesco foi empregada apenas “na produção audiovisual de treinamento já objeto de matéria do site (aquela cujo cachê comprometeu-se a doar)”. 

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Além do ‘Jornal Hoje’, Dony passou pela Globo News e ‘Jornal Nacional’

O apresentador completou, “os serviços sempre foram prestados mediante notas fiscais e os valores delas não refletem pagamentos feitos a ele, mas os custos totais dos serviços ou da produção. Não confirma nem valores nem serviços relatados pela coluna e indigna-se com a possível quebra de sigilo fiscal da empresa à qual estava vinculado.”

O Bradesco se limitou a dizer que “não comenta contratos firmados com seus fornecedores”.

Saída de cena 

Quem também se desligou da Globo foi o comentarista de economia Samy Dana, ao lado de Dony, fundador da Prime Talk Produções e Assessoria. O Notícias da TV mostra que Dony, por dois anos, prestou serviços de ‘road show telepresencial’, além de ter apresentado proposta de R$ 60 milhões por 36 meses de trabalho.

A Globo chegou a isentar o jornalista de má-fé, mas ressaltou “que regras existem”. A emissora negou que a demissão de Samy Dana tenha ligação com o caso. 

“Feita a advertência, a direção de jornalismo decidiu aceitar os esclarecimentos do jornalista e as providências que ele tomou (assim como o compromisso de não voltar a incorrer no erro). Dony se desculpou e disse ter sido seu entendimento que, ao não se envolver em negociações ou usar sua imagem para publicidade, não infringia normas da profissão ou da empresa”, completou a Globo. 

Confira o e-mail completo de Dony De Nuccio para Ali Kamel:

“Caro Ali, 

Como afirmei anteriormente, não tinha conhecimento de que os tipos de serviços prestados pela empresa à qual estava ligado contrariavam normas da Globo. Reitero que minha função não era negociar valores com clientes, mas sim trabalhar na concepção dos projetos e em seu conteúdo.

Frente à recente onda de ataques que venho sofrendo, e com indícios de criminosa invasão de computadores, arquivos e mensagens, procurei vasculhar o histórico de dois anos de emails enviados por mim enquanto cumpria função na empresa. De fato, na esmagadora maioria das vezes, eu não tratava de valores com contratantes. Mas, em algumas circunstâncias pontuais, e das quais eu sinceramente não me recordava, há sim menção a cifras e projetos. Nos poucos casos em que isso aconteceu, a proposta geralmente não prosperou e a contratação não foi efetivada. De qualquer forma, fui traído pela memória. E me penitencio por isso. 

Quero acrescentar também que depois de nossa longa conversa e do relato mais pormenorizado que lhe fiz sobre as atividades já desempenhadas pela PrimeTalk, há um serviço pontual que incluiu o que pode ser interpretado como assessoria de imprensa. Entendo com os olhos de hoje que o escopo dos serviços prestados ultrapassa os limites do que a Globo espera de seus jornalistas. E lamento que, mesmo sem dolo, não tenha percebido isso antes.  Não quero mais – por qualquer que seja o artigo ou vazamento na contínua tentativa de destruir minha reputação – constranger você, a Globo ou a minha família. 

Desde muito cedo na vida sonhei em trabalhar com televisão, e procurei ao longo de toda minha trajetória me preparar para poder, algum dia, agregar muito valor aos quadros da Globo. Foi pensando nisso que procurei a formação acadêmica mais sólida possível, com jornalismo, economia, extensão internacional e mestrado em economia e finanças.

Em 2011 abri mão de uma promissora carreira no mercado financeiro, para me tornar repórter nos quadros da Globo. Parecia uma decisão difícil, mas não foi: representava o começo de uma nova caminhada, com a qual eu sonhava desde tempos remotos.

Dentro da emissora tive a possibilidade de trabalhar nos mais diversos telejornais e funções, e participar de algumas das coberturas mais marcantes da história do nosso país. Fui repórter do Jornal da Globo, do BDSP, SPTV1 e SPTV2. Fui editor de economia e comentarista do Jornal das 10 e do Hora 1. Ajudei a criar e depois apresentar programas como o Conta Corrente e GloboNews Internacional, além de ancorar o próprio J10, participando de análises políticas e econômicas com algumas das maiores referências do ramo no jornalismo brasileiro. Nos últimos dois anos, tive a imensa alegria e desafio de comandar o Jornal Hoje, dividindo bancada com a talentosa, inspiradora e hoje amiga pessoal Sandra Annenberg. E ainda pude apresentar o Fantástico e o Jornal Nacional em diversas ocasiões.

Olho no retrovisor com alegria e satisfação por toda essa caminhada, e sou muito grato a você e à Globo pela oportunidade que me deram de bater asas, trabalhar duro e voar alto, ocupando alguns dos mais importantes postos do telejornalismo brasileiro. Fico orgulhoso e feliz com o que pudemos construir e criar juntos.  

Mas, assim como é preciso persistência e suor para crescer, é preciso sabedoria para parar.

Nas últimas semanas me vi mergulhado em uma infindável onda de ataques, com a vida dentro e fora da Globo vasculhada e revirada, sigilos fiscais violados, endereços expostos, trabalhos de exclusiva veiculação interna publicados, e até e-mails privados hackeados. 

Quanto mais perto estamos do topo da montanha, mais forte é o vento. E é esperado que seja assim. Mas essa contínua campanha para me destruir e sangrar a qualquer custo não pode prosperar. Não faz bem nem a mim, nem à minha família e nem à emissora. Não é justo com nenhum de nós.  Por esse motivo, embora com aperto no coração, solicito meu afastamento do telejornalismo.

E o faço com o espírito leve e a consciência tranquila, porque jamais ajo de má fé. Jamais tive o intuito de burlar regras ou obter benefício que julgasse incompatível com as funções que ocupava na emissora (isso sim, seria incompatível com a minha história pessoal). Trabalhei, duro e dobrado, para complementar a renda, fora do horário da Globo, e dentro dos limites que ao meu ver eram compatíveis e aceitáveis. Se errei, não foi com dolo, e humildemente peço desculpas. 

Estou convicto de que em cada um dos dias em que aqui estive tratei com respeito e lealdade a todos com quem interagi, independentemente da função ou hierarquia. E sempre enxerguei a todos não como colegas de trabalho, mas como amigos. 

Saio, neste momento, certo também de que em cada um dos dias e anos em que aqui trabalhei, sempre atuei com absoluta paixão e dedicação para levar ao público a notícia da forma mais atraente, correta, completa e interessante possível. 

Mais uma vez, muito obrigado pela parceria, pelas oportunidades e pela confiança.  Construímos uma história incrível.  

Dony de Nuccio”.

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Fotos: Reprodução


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