Debate

Estudo explica porque homens mandam nudes sem ninguém pedir

por: Vitor Paiva

O limite entre um fetiche excitante e uma atitude invasiva e até mesmo abusiva é tênue, e reside no desejo dos envolvidos – em se tratar de uma prática consensual. É o caso do envio de “nudes” que, quando não são solicitados, deixa de ser uma prática potencialmente sedutora, e passa a ser um gesto extremamente invasivo. Mas por qual razão alguém enviara uma foto do próprio corpo nu, em especial dos órgãos sexuais, sem que esta seja solicitada? Um experimento realizado com 1.087 homens héteros respondeu tal pergunta.

O próprio título da pesquisa – publicada no periódico The Journal of Sex Research – já começa a responder a indagação sobre o envio de nudes não desejados: “Eu mostro o meu para que você mostre a sua”, em tradução livre. Através de um vasto questionário, as motivações para o tipo de envio – também com perguntas sobre personalidade, narcisismo e machismo – foram avaliadas, assim como a expectativa pela resposta do envio, e é aí que reside a explicação encontrada.

Segundo a pesquisa, 48% dos homens envolvidos já enviaram nudes sem consensualidade, e 43,6% dos que enviaram esperavam receber um nude de volta. A segunda motivação mais apresentada era compreender o envio como um maneira de “flertar”. 82% esperavam que as mulheres que receberam os nudes indesejados ficassem excitadas com as imagens, e 22% afirmaram que criam que elas se sentiriam “valorizadas” com o recebimento das fotos. Há, também, um elemento sombrio na pesquisa: 15% afirmou que esperavam provocar medo em quem recebeu as imagens, e 8% desejou que as receptoras sentissem vergonha.

A conclusão evidente é comprovada pela pesquisa: homens que enviam nudes sem que a mulher peça são mais narcisistas e machistas. Trata-se de assunto importante, em uma sociedade cada vez mais tomada por sexting, pornografia de vingança e outras formas de sexualidade – e, com isso, de abusos – virtuais. Vale lembrar que desde o final do ano passado o envio de nudes não solicitados, assim como outras formas de importunação sexual, são consideradas crime no Brasil.

Publicidade

© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Após nadar em rio, menina morre vítima de ameba comedora de cérebro; entenda