Debate

Jogo dos 7 erros: as 7 falhas da nova marca do turismo do Brasil apontadas por Ricardo Freire

por: Redação Hypeness

Nesta altura do campeonato você já deve ter lido sobre o novo design da marca do turismo brasileiro. O trabalho desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) causou polêmica pelo slogan: ‘visit and love us’ (algo como ‘visite e nos ame’). 

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A estratégia para atrair turistas gringos abriu espaço para especulações sobre a fixação do presidente, Jair Bolsonaro, com Donald Trump e os Estados Unidos. O mandatário brasileiro não esconde de ninguém a admiração pelo 45º presidente dos EUA. 

Ricardo Freire, referência quando o assunto é turismo, publicou uma longa análise. Batizou de ‘os 7 erros de ‘Brazil. Visit and love us’

Não deu certo, dizem publicitários

1. O slogan não funciona 

O publicitário compartilhou conversas com norte-americanos e pessoas que têm o inglês como primeira língua e concluiu: “Deve-se dizer que ‘Brazil. Visit and love us’ é uma frase que soa estranha”.

E seguiu, “a opinião dos meus entrevistados coincide com estas duas, de um americano aleatório que respondeu a uma pergunta que alguém (não eu) publicou no Quora (um “Yahoo respostas” de gente mais preparada) e de um correspondente de uma revista sobre política e economia latino-americana no Twitter”

Ricardo traduziu o ponto de vida de um cidadão nascido nos Estados Unidos. Ou um turista em potencial:

“Eu evito ser maldoso no Twitter, mas o slogan é bizarro e embaraçoso e qualquer consultor internacional — ou angloparlante nativo — poderia ter dito isso a eles”. 

2. Interpretação de texto, okay?

Freire deu um toque para a tradução utilizada pela Embratur. 

“‘Brazil. Visit and love us veio’ traduzindo no release como ‘Brasil Visite e encante-se’.  ‘Visit and love us’ não significa ‘Visite e encante-se’. Significa ‘visite e nos ame’, não há o que inventar aqui”.

3. E o português? 

Quem fala inglês deve ter estranhado a escolha do pronome ‘us’ para falar sobre um país. “Em publicidade, ‘we/’us’ são habitualmente usados por empresas. É um recurso empregado para humanizar anunciantes/corporações”, explicou. 

“Mas não há precedentes de seu uso para um país. Vasculhei todo este atlas de slogans turísticos de países e não achei nenhum ‘us’”, completa. 

Freire citou a marca usada pelo Peru como exemplo sucesso

4. Mais português 

Publicitário e escritor, Ricardo Freire demonstrou incômodo com a palavra ‘love’ no slogan. “Não se usa ‘amar’ no imperativo em publicidade”, opinou em referência ao ‘come and love us’. 

E ainda exemplificou, “por isso que você não vai ver nenhum slogan como ‘Brastemp. Experimente e ame nossas lavadoras’, ou ‘Boticário. Use e adore’. Quando é para usar esses verbos, a publicidade troca o imperativo por um vaticínio — uma aposta de que o consumidor vai ficar satisfeito. Em vez de ‘ame’, entra o ‘você vai amar’ (você vai gostar, você vai adorar, você vai aprovar, você não vai se arrepender, você vai se apaixonar)”.

5. Turismo sexual 

O turismo sexual é uma realidade brasileira e para Ricardo Freire o slogan da Embratur pode endossar a constatação. Segundo o publicitário, a ambiguidade da frase dá espaço para interpretações equivocadas. 

“Nenhum anunciante responsável vai pôr um centavo numa campanha que não tiver passado por algum tipo de pré-teste. A finalidade dos pré-testes é descobrir se a mensagem será entendida pelo público da maneira que se espera”.

Ele compartilhou posicionamento da BLTA (Brazilian Luxury Travel Association) – especializada no turismo de luxo, que criticou o slogan. 

Gilson Machado e Osvaldo Matos, presidente e diretor de marketing da Embratur, respectivamente

“[O slogan] é ambíguo e facilmente incompreendido, mesmo para quem fala inglês em qualquer lugar do mundo, não cumprindo, assim, o objetivo de promover, efetivamente, o Turismo de maneira positiva.

A BLTA não pode observar silenciosamente os gastos públicos na promoção do Turismo sem uma consideração cuidadosa da linguagem e ignorando tendências e práticas óbvias na indústria global de viagens. Essas falhas estão custando aos brasileiros empregos de qualidade e crescimento econômico sustentável a longo prazo”.

A réplica da Embratur foi classificada com ‘terraplanista’ por Freire. 

“Quanto às alegações que o slogan poderia ser considerado um incentivo ao Turismo sexual, a Embratur afirma que não há sentido em fazer essa ligação.

O Instituto frisa que o governo brasileiro não reconhece a expressão ‘Turismo sexual’, e reforça que a exploração sexual não é Turismo, é crime.

Nós queremos que as pessoas venham e amem o Brasil. Amem as nossas praias, cachoeiras, nosso Turismo náutico, de pesca, de mergulho, o Turismo de negócios e eventos, a nossa gastronomia, cultura e esporte.”

Ricardo indaga, “cá entre nós: se esse “love us” é tão maravilhosamente amplo como a nota apregoa (inclui até ‘queremos que amem o turismo de negócios’), por que cargas d’água não incluiria o turismo sexual?”. 

6. Retrocesso 

Para o especialista em turismo não há dúvidas, “a nova marca Brasil constrange o design brasileiro. Ela está para uma marca de verdade como uma live do Facebook está para um comercial propriamente produzido”. 

7. Para se inspirar 

Por fim, Freira cita países como México e Peru como exemplos de marcas de sucesso. 

“A marca Peru deu tão certo que virou souvenir. Os turistas compram bugigangas com a marca Peru como quem compra miniaturas da Torre Eiffel em Paris. A marca realmente virou um símbolo do Peru. E certamente teve sua influência no espetacular aumento do turismo estrangeiro no país — de 2,5 milhões em 2011 para 4,4 milhões em 2018, um crescimento de quase 80%. (O Brasil foi de 5,4 milhões em 2011 para 6,6 milhões em 2018, um aumento de menos de 25%.)”

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Fotos: foto 1: Reprodução/foto 2: Pablo Peixoto/Embratur


Redação Hypeness
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