Viagem

Muito antes do descobrimento, trilha conectava litoral de SP ao Império Inca no Peru

por: Vitor Paiva

Se hoje a internet é capaz de conectar povos e culturas tão distantes quanto possível, há muitos séculos, quando a América do Sul ainda não tinha esse nome, antes dos navegadores europeus pisarem no solo de cá, a população nativa já se conectava desde os Andes até o Oceano Atlântico – não de forma virtual, mas sim presencialmente: através de uma trilha. Trata-se do Caminho de Peabiru, uma imensa e ramificada trilha que conectava o litoral de São Paulo até os Andes peruanos – por onde uma se realizava uma verdadeira rota comercial de escambos e até uma espécie de correio entre principalmente os povos Guarani e os Incas do Peru.

Trecho que ainda resiste da trilha

O Caminho de Peabiru percorria cerca de 3 mil quilômetros, através do território atual do Peru, Bolívia, Paraguai e Brasil – mais precisamente de Cusco até a atual cidade de São Vicente, no estado de São Paulo, mas ramificações levavam o caminho até Florianópolis e, no lado andino, até o Oceano Pacífico.

Acredita-se que em 1524 o náufrago português Aleixo Garcia comandou uma expedição com centenas de nativos a fim de encontrar a promessa de ouro e prata do Império Inca. Reza a lenda que, após meses de caminhada e viagens em barcos, Garcia teria de fato encontrado os Incas e seus metais preciosos, mas acabaram atacados e mortos pelos Paiaguás, grupo nativo que habitava o alto do Rio Paraguai. Foi a procura por essa “Serra da Prata” Inca prometida que batizou o Rio da Prata com o nome que permanece até hoje.

Representação do navegador Aleixo Garcia

Atualmente restam somente alguns trechos identificados do Caminho, que tinha, por essas pesquisas, 1,40 metro de largura um rebaixamento de cerca de 40 centímetros em relação ao nível normal do solo. Um trecho de 30 quilômetros da trilha foi encontrado na década de 1970, nos quais foram identificado sítios arqueológicos com vestígios nativos, além de inscrições rupestres, símbolos astronômicos e até mesmo mapas que indicavam o caminho. A trilha conectava o sul ao norte do Brasil, e permitia a troca de produtos como sal e conchas (por parte dos nativos do litoral) feijão, milho e penas de aves (dos nativos do sertão) e objetos de cobre, bronze, prata e ouro (por parte dos Incas).

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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