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Mulheres no comando e categorias LGBT+ marcam 6ª edição do Prêmio Sexy Hot

por: Gabriela Rassy

O Prêmio Sexy Hot chegou na 6ª edição mantendo a ideia de fomentar a indústria pornô brasileira. Mas a quantas anda esta indústria no que diz respeito ao empoderamento e à diversidade? No ano passado tivemos pela primeira vez uma mulher vencendo o prêmio de melhor filme. A diretora premiada, Mila Spook, que também é atriz, provou que não tem nada de estereótipo dentro deste mercado.

Neste ano, mais uma mulher concorreu como melhor diretora: Lidy Silva, do selo Sexfoxx, concorreu com o filme “Massagem excitante”. Além disso, a produtora XPlastic, composta em sua maioria por mulheres, levou para casa alguns dos principais prêmios com o filme “Sugar Baby”. “É um caminho sem volta. As mulheres chegaram para ficar. Vão assumir mesmo, tomar conta e a gente só bate palma”, disse Mauricio Paletta, diretor do Playboy Group Brasil.

Dreadhot e Alemão, do elenco de Sugar Baby

Paletta acredita ainda que como as mulheres na direção são uma “novidade” no mercado, elas têm mais cuidado para que os filmes favoreçam o público feminino. “Em relação ao público masculino é uma pegada mais curiosa que não está acostumado a ver uma coisa mais delicada, ângulos mais plásticos, mais bonitos”, disse.

“Para as mulheres, a melhor é a XPlastic por que é uma produtora feminina. Tem todo um cuidado, a valorização do corpo negro, branco, LGBT. Sou muito fiel à produtora por que tratamento com a mulher, com a atriz é excepcional”, conta a atriz Geovanna Bombom, que levou o prêmio pela melhor cena de orgia ao lado de Elisa Sanches e sete outros participantes.

A cantora MC Carol participou da apresentação do prêmio e deixou clara a importância das mulheres estarem em todos os locais. “Essa questão de falar sobre sexo e fazer sexo ainda precisa quebrar muito machismo. Eu sei por que eu canto funk erótico e sou atacada. Eu imagino o ataque que as pessoas do pornô sofrem. A gente avançou, mas ainda precisamos avançar muito. Precisamos de mulheres protagonizando todos os ambientes”.

Para a educadora sexual e dona da loja Climaxxx, Clariana Leal, as coisas estão melhorando a passos de formiga. “É uma indústria super complicada, mas aos poucos estão surgindo nomes de mulheres colocando sua impressão, o que faz toda a diferença. A gente vê nitidamente a diferença gritante dos dos filmes dirigidos por mulheres e por homens”, disse. “A indústria está começando a ficar mais excitante para a gente, por que até então não era muito. A gente precisa ter filmes para todos os desejos. Estou confiante que vai melhorar”, completou.

Neste ano ainda tivemos a volta de duas categorias antes extintas: melhor filme e melhor atriz trans. Um pequeno porém significativo passo no país que mais mata transsexuais no mundo. Quem apresentou as indicadas foi a cantora, compositora e drag queen Aretuza Lovi.

“A gente fica pensativa em sair do armário, mas nós precisamos chutar a porta desse armário e nos manter fora com nosso guarda-roupa maravilhoso por que nós nossos resistência e revolução. No Brasil existe uma hipocrisia muito grande por que o índice de consumo de sexo transsexual é imenso e de morte também. Ninguém precisa nos aceitar por que a aceitação é nossa. Vocês precisam nos respeitar”, falou a artista, emocionada por apresentar a categoria.

Os vencedores do Prêmio Sexy Hot são escolhidos pelo público e neste ano teve recorde em número de votos. O Oscar do pornô brasileiro teve ainda como novidade a escritora, comediante e atriz, Natália Klein, sendo a primeira mulher a comandar a apresentação.

Além de fomentar a indústria o prêmio é um momento para reconhecer e valorizar os muitos profissionais que trabalham com pornô. Uma carreira ainda cheia de preconceitos, mas que, assim como nossa sociedade, pode e deve ser mais diversa e acolhedora.

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Fotos: Divulgação


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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