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Orkut, Karol Conka, moradia compartilhada e cannabis: Tudo o que rolou no BS Festival

por: Rafael Oliver

Foram apenas 3 dias, mas tão intensos que valeram por muito mais. Assistimos a diversas palestras, participamos de workshops, feiras, atividades paralelas e ainda trocamos uma ideia com Karol Conká e com Orkut Buyukkokten (sim, o criador do Orkut que recentemente virou meme).  E pra entender ainda mais sobre “moradia urbana do futuro”, um dos temas discutidos no festival, vivemos a experiência de morar em um co-living durante nossa estadia na capital gaúcha. 

O evento recebeu mais de quatro mil pessoas circulando entre as diversas atividades. Além do público que lota a cidade, o BS também atrai personalidades de diversos estados e países para trocar conhecimento e discutir assuntos de interesse público. Foram mais de 100 palestras em 10 hubs, 12 atividades paralelas, música e gastronomia.

Diversidade da abertura

A diversidade foi o grande tema da abertura do festival, que contou com a cantora  Karol Conka e Grazi Mendes, Head of People na ThoughtWorks. A conversa foi mediada pelo  jornalista Gabriel Moojen.

Karol abriu seu discurso mostrando que não existe outra possibilidade de existir que não seja através da diversidade: “sempre me envolvi com tudo isso”, disse ao público. A artista explicou como a diversidade está presente em sua carreira e contou que prefere trabalhar com marcas que realmente se importam com a diversidade: “Não sou uma pessoa que segrega, eu gosto realmente da diversidade, então na minha equipe tem homem, mulher, gay, lésbica e está tudo certo”, completou. Mais tarde, ao Hypeness, disse acreditar ter a missão de levar a mensagem às pessoas. “Acredito ter essa missão, de levar informação ao público, muitas vezes também servindo como porta voz deles”.

Grazi Mendes abordou principalmente a questão da diversidade no mercado de trabalho. Aproveitou para citar dados referentes à diversidade no Brasil e levantar questionamentos que fizeram o público refletir sobre o tema. “Vivemos em um país em que 55% da população se declara negra, 24% se declara como possuindo alguma deficiência e 10% integra os grupos LGBTQI+. Mas como isso se reflete nas empresas?”, questionou.  


Palestras

Outros temas também marcaram o BS Festival. No painel “O Futuro da Alimentação” foi mostrado que até 2025, 50% da nossa alimentação pode mudar. O debate mostrou como a cultura de consumir alimentos orgânicos está crescendo, além de trazer uma discussão sobre um projeto que permite que as pessoas possam escolher receitas a partir de inteligência artificial. “Uma conscientização e uma visão clara para onde é que o futuro e a inovação do alimento têm que ir. A gente trabalha com um conceito simples: inovação é solução de ineficiências, inovação que funciona o futuro, vem de inovação que soluciona ineficiências, não existe um exemplo melhor do que o celular de todos que estão aqui”, explicou Paulo Renato Ardenghi Rizzardi, cofundador da startup Cozinhe.me.

Já o painel “Cannabis Market, desmistificando a planta polêmica”, contou sobre a experiência dos palestrantes em três países onde a cannabis é legalizada. Caio Zanin e Johnny 420 fizeram um comparativo entre a Holanda, onde a cannabis é tolerada, mas não permitida; a Califórnia, onde a legalização ocorreu em 2010 para uso de adultos maiores de 21 anos e o Uruguai, onde o Estado licencia empresas para produzir e possui o monopólio de vendas nas farmácias espalhadas pelo país.

Agora, você já imaginou um cão apresentando uma palestra? No BS Festival isso foi possível. O painel sobre movimento de “PoA Inquieta”, contou com apresentação do Batman, um cãozinho pug que é CEO da Dobra, empresa que ganhou destaque ao produzir carteiras com fibras que se assemelham ao papel. Através de uma apresentação, teoricamente escrita pelo cachorro, a Dobra apresentou um conceito diferenciado e inovador de trabalho. 

O BS Festival também apresentou histórias inspiradoras de empreendedorismo, no painel Audio Porto, Thalita Carvalho, apresentadora do Mais Cor Por Favor, do GNT, compartilhou a realidade de quem saiu do mercado corporativo há dez anos e toca o projeto Casa de Colorir. Thalita explicou sua importância e conceito: “Precisamos lançar um olhar maior do que é a gente se relacionar de uma maneira mais afetuosa com a casa. Porque cuidar da casa é cuidar da gente, é amor com você e com quem você divide esse espaço”, disse.

O BS Festival contou com ativações interativas, entre elas a atividade da empresa TRIS, que nos chamou atenção por estimular a criatividade dos participantes: eles deveriam fazer um desenho com os olhos totalmente vendados e com a mão contrária a que escreve. Os resultados foram surpreendentes.  

“A gente está propondo uma desconstrução de tudo, assim como o festival… Novos caminhos, novos pensamentos. A gente está propondo o pensamento com o outro lado do cérebro”, contou a organizadora da atividade. 

Moradia Compartilhada

Durante toda nossa estadia na cidade, ficamos acomodados na Oka. É um coliving. A residência possui diversos quartos disponíveis para locação, com contrato de apenas 6 meses. A Oka faz a gestão e opera 3 casas/coliving em Porto Alegre. Na prática, a empresa facilita a moradia e faz a integração dos moradores através de atividades como aulas e eventos. Claro que embarcamos nessa. Moramos por dois dias com pessoas desconhecidas. Cada um tinha o seu quarto, mas a sala, cozinha e todo o restante é compartilhado. A experiência não podia ter sido melhor. Conhecemos pessoas incríveis, de diferentes lugares. Esse é um modelo de moradia que começa a se popularizar no mundo todo. Para Ricardo Godoy, fundador da Oka, a moradia compartilhada vai ser mais comum do que as tradicionais.

Papo com o Orkut

O segundo dia do BS Festival, contou com conteúdos locais, nacionais e internacionais. Orkut Buyukkokten, criador da rede social Orkut e CEO da Hello, foi a atracão mais esperada do dia. Em entrevista exclusiva com o Hypeness, o criador da rede social que marcou os millennials esbanjou simpatia, falou sobre as novidades de sua rede social, a Hello, revelou o que pensa sobre Data Sharing, refletiu sobre o futuro das redes e claro, nos contou o que mais curte no Brasil: “eu amo caipirinhas e a primeira coisa que fiz foi ir a um bar e pedir uma”, brincou. Confira mais trechos da entrevista. 

Bom, pra começar não podemos deixar de perguntar isso. Sentimos  saudade dos nossos scraps, testemunhais… Você guardou isso? Por favor, onde a gente pode ver?

Orkut – Ah, eu não tenho isso, não tenho. Não me pergunte. Quem tem isso é o Google (rs). 

Depois de você mostrar um cenário meio sombrio das redes sociais nessa palestra, é possível ser otimista com relação ao futuro? O que você espera para o futuro? Como que você enxerga isso?

As redes sociais hoje criam vícios doentios e estamos no meio de uma epidemia de solidão. A solidão gerou mais doenças que o tabagismo ou a obesidade atualmente, e as redes sociais estão criando uma sociedade que se sente sozinha, deprimida, ansiosa, uma sociedade com problemas de imagem corporal, e que não se sente segura. Precisamos, mais do que nunca, de novas soluções sociais que ajudarão as pessoas a se unirem em torno de valores que nos fazem humanos, como a empatia, compaixão, união e amor. E para o futuro das redes sociais, precisamos criar espaços onde possamos ter engajamentos saudáveis e não vícios doentios.

Você acabou de falar que as redes sociais são muito artificiais… Você acredita que a gente está vivendo em um universo paralelo?

Eu acho que as redes sociais têm um tremendo impacto na sociedade, nós entramos quase que em um loop, pois estamos gastando mais tempo on-line e menos tempo interagindo uns com os outros offline. E como estamos gastando menos tempo conversando cara a cara, compartilhando experiências, conversas, passamos mais tempo sob as nossas cobertas, navegando pelos nossos feeds e nos sentindo solitários.

Sobre data sharing, o que você pensa sobre essas redes sociais que compartilham informações confidenciais da gente?

As redes sociais giram em torno dos usuários e elas deveriam, na verdade, trazer benefícios ao usuário. O que está acontecendo hoje é que pequenas empresas de mídias sociais estão priorizando terceiros, como corporações, marcas, profissionais de marketing e acionistas. E eles compartilham dados que não são para o benefício do usuário, mas apenas para obter lucros. É muito importante ser transparente sobre políticas de segurança, uma empresa não deve se esconder atrás dos termos de serviço e das políticas de privacidade, pois todos nós sabemos que ninguém lê esses documentos enormes.

Você pode contar pra gente algumas novidades da Hello?

Eu lancei o Hello primeiro no Brasil, estamos tratando e melhorando muito sua experiência. Estou super  feliz de compartilhar que estamos trabalhando na versão do aplicativo e que logo ele estará disponível online. Eu também estou trabalhando no redesign que permitirá uma melhor experiência. 

 

 

De uma forma geral, o BS Festival destacou a importância de discutir temas que estão presentes em nosso cotidiano. Nos mostrou como pensar e agir de forma diferente para a construção de um futuro melhor.  O evento foi uma grande prova que a troca de ideias e conhecimento é extremamente importante para a nossa evolução.

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Divulgação


Rafael Oliver
Publicitário de formação, com passagens por grandes agências, também atua por vocação na área da comédia. É redator, roteirista e humorista . Encontrou em San Diego, na Califórnia, seu segundo lar. Está sempre por lá. Vive uma busca incessante por novas experiências. E está longe de parar.

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