Entrevista Hypeness

Tá todo mundo louco? Para Jout Jout, a vida millennial é ‘uma cambalhota infinita’

por: Kauê Vieira

Ela abriu os caminhos para o que chamamos de influenciador digital. Já se vão cinco anos, muito tempo quando se trata de tecnologia e internet, desde o lançamento do canal de Jout Jout no YouTube. Seguida por mais de 2 milhões de pessoas, a jornalista vive nova fase. Quer arejar a usina de ideias com um rolê pelo Brasil. 

Antes de embarcar, Jout Jout conversou com o Hypeness sobre a responsabilidade de falar para tanta gente – como isso impacta sua rotina. E se é verdade que estamos, todos, muito mal. 

“A internet mudou a minha forma de comunicar, pelo menos. É claro que tudo influencia tudo, mas ela trouxe outro tipo de linguagem, de entendimento, outras formas de brigar, de fazer as pazes, de mandar indireta, de decidir coisas”, reflete. 

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Jout Jout é seguida por milhões de pessoas

Jout Jout está com 28 anos. Ou seja, você pode se perguntar se ela reviu alguns conceitos sobre amor, relacionamento e a vida como um todo. Rever não seria o termo apropriado. Ela, na verdade, amadureceu ideias germinadas há cinco anos. 

Acontece na cabeça de todos os millennials que se aproximam dos 30 anos, acredite. 

“O que não mudou né? Acho difícil listar o que mudou porque a minha sensação é que tudo virou de cabeça pra baixo e segue virando. Uma cambalhota infinita. Acho que meu maior ganho é que fiquei mais atenta. E atenção é um bem valiosíssimo. Eu fico atenta ao que eu falo, ao que falam perto de mim, como falam, por que usam aquelas palavras, aquelas entonações, o que estão dizendo e o que estão querendo dizer? Estamos chegando onde queremos chegar? Passamos uma vida tentando nos fazer entender, será que estamos conseguindo? Será que nós mesmos sabemos o que queremos passar? Não sei, mas estou atenta”, analisa. 

A notoriedade veio em um período de intensificação do debate feminista nas redes sociais. Quase todo mundo assistiu ao vídeo ‘Não Tira o Batom Vermelho’. São mais 3,5 milhões de visualizações desde a publicação há três anos. 

A pauta sobre relacionamento abusivo ajudou muita gente a se libertar e confirmou a força das redes sociais. O papo cansado de que as mídias só trazem coisas ruins cola pra quem tapas os olhos ou ainda não acessou a potência das redes. 

Veja o caso de Jout Jout, seguida por milhões de pessoas, ela protagoniza e serve de plataforma para a discussão de assuntos urgentes. Por essas e outras, ela diz enxergar avanços. 

“Estão acontecendo há séculos. A gente só pode postar selfie de biquíni porque alguém veio antes pra permitir o uso de biquíni. As redes sociais ampliam o debate em algumas bolhas. Ótimo também. Mas dá pra fazer muito fora das redes, não esqueçamos disso”, dá o recado. 

Assim como Amanda Ramalho – entrevistamos ela sobre o podcast ‘Esquizofrenoias’ -, arrebatou o público ao discutir saúde mental com leveza e simplicidade, Jout Jout conquista pela linguagem. Comunicação é tudo, pessoal. 

“Acho que eu sempre fiz isso de alguma forma e isso sempre me ajudou. Mas agora eu faço pra mais gente. Confesso que de vez em quando tenho que rever uns vídeos do meu canal pra relembrar alguns direcionamentos que eu mesmo esqueço”.

Afinal, tá todo mundo louco?

Nossas cabeças estão bagunçadas pelas redes sociais. Será que a salvação para todos os problemas se voltou contra os seres humanos? Foi pelo Facebook, Twitter, YouTube ou Instagram, mas também por estes canais que a intolerância encontrou uma brecha.

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Em tempos tão dicotômicos e imprevisíveis, a dúvida insiste. Estamos mal? 

“Não conheço todo mundo, mas bastante gente tá MAL. E estar mal não é algo permanente né? Você fica mal, fica bem, fica mal, fica bem”, reflete.  

Por isso, munida do espírito jornalístico, Jout Jout sai pelo Brasil para conhecer as nuances, diferenças e semelhanças do país continental. E, claro, elevar nossos espíritos. 

“Se tem uma coisa que eu tô encontrando pelo caminho é brasileiro foda fazendo coisas fodas pelo país. Às vezes no bairro, às vezes na rua, às vezes dentro de casa. A gente é bom nisso”.

A fase expansiva e a vontade de mostrar o Brasil para além do eixo Rio-São Paulo se refletem no incômodo de Jout Jout de falar de ambas as cidades.

“Rio ou São Paulo? Me pergunte do Acre, do Amazonas, da Paraíba, chega desse foco no sudeste, não? Não que Rio e São Paulo não sejam importantes, mas assim, o tanto de Brasil que eu tô conhecendo que eu não sabia que existia já tá me deixando até chateada. Eu perdi tanta coisa maravilhosa do meu próprio país vendo as mesmas novelas, nos mesmo lugares, as mesmas notícias sobre os mesmo estados. Basta, bora pro Pantanal”.

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Fotos: Reprodução/Instagram


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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