Inspiração

Verônica Hipólito supera tumores para brilhar no atletismo do Parapan 2019

por: Vitor Paiva

Se a vida de qualquer atleta é feita de constantes superações, nenhuma outra parece se comparar à história de Verônica Hipólito. Antes de se consagrar como a mais premiada – e mais jovem – competidora nos Jogos Parapan-Americanos de 2015 (com três medalhas de ouro e duas de prata), a velocista já havia contornado um dificílimo histórico de saúde desde sua infância – e para chegar ao Parapan de 2019, ela mais uma vez precisou superar dificuldades profundas antes de ser recebida como uma das principais promessas dos jogos.

Aos 12 anos, em 2009, Verônica descobriu um tumor na hipófise, retirado após uma cirurgia. Dois anos depois, com apenas 14 anos, ela sofreu um Acidente Vascular Cerebral Isquêmico do lado direito de seu corpo, mas o sonho de se tornar uma atleta não foi em nada abalado: em 2013, somente dois anos depois, ela se consagrou como campeã mundial nos 200 metros rasos, e vice-campeã mundial nos 100 metros rasos no Mundial de Atletismo Paraolímpico, em Lyon, na França. Quando se preparava para os jogos de 2015, a atleta descobriu mais um capítulo difícil por vir: 200 lesões em seu intestino grosso foram encontradas.

Somente depois de seu incrível desempenho no Parapan de 2015 é que ela foi operada – retirando 90% do intestino para evitar o desenvolvimento de um câncer. Em 2015 ela sagrou-se campeã sul-americana nos 100 metros, 200 metros e salto em distância, e em 2016 veio uma prata e um bronze nas Paraolimpíadas do Rio. Em 2017, porém, mais uma curva a ser superada em sua história: o tumor na hipófise havia voltado, e a cirurgia de retirada cobrou uma difícil recuperação de Verônica. No ano seguinte ela precisou ser operada novamente, com inúmeras complicações como consequência – trombofilia, broncopneumonia, problemas hormonais e o ganho de 20 quilos em seu peso.

Verônica atravessou três meses de cama, se alimentando com a ajuda dos pais – mas há três semanas passou a integrar a equipe brasileira para o Parapan de Lima, que começou no último dia 23 de agosto. “Eu continuo acreditando pelos mesmos motivos que acreditei todas as outras vezes. Todo mundo tem problemas, e não importa se um problema é um tumor, um câncer ou um problema de família. Cada um sabe sua dor e tudo tem uma solução. Minha solução foram as cirurgias, e por mais que tenham sido dolorosas, eu estou aqui de volta e vou dar o meu melhor e espero dar muito orgulho e muita inspiração pra muita gente”, afirmou a atleta. Se a vitória é desde sempre sua única opção, para cada problema enfrentado Verônica ganhou uma medalha de ouro, e é certo que em Lima não será diferente.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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