Diversidade

Videogame é bode expiatório para mascarar xenofobia e ódio por trás de El Paso

por: Kauê Vieira

Ao menos 29 pessoas morreram no fim de semana em massacres em El Paso, no Texas, e Dayton, Ohio. Semanas depois da intensificação de falas racistas de Donald Trump – que ordenou que quatro congressistas, todas negras e cidadãs norte-americanas, retornassem para seus países de origem – o preconceito xenófobo do presidente dos Estados Unidos se traduz em ataques de supremacistas brancos com armas de fogo. 

– Para Donald Trump imigrantes ilegais ‘não são pessoas’ e sim ‘animais’

Um supremacista branco matou 20 pessoas em El Paso

Alguns setores da mídia, no entanto, insistem em não encarar o problema de frente. Âncoras da Fox News, apoiadora incondicional de Trump, especularam sobre a influência dos jogos violentos no pensamento dos terroristas domésticos. 

Analistas refutam a tese e citam a contribuição do comandante em chefe. 

“Por que elas não voltam e resolvam a criminalidade que infesta os lugares de onde vieram?”. A fala racista foi proferida por Donald Trump em comício na Carolina do Norte. 

O presidente tinha como alvo quatro mulheres negras, todas cidadãs norte-americanas e eleitas democraticamente. São elas Ayanna Pressley, Alexandria Ocasio-Cortez, Ilham Omar e Rashida Tlaib. 

A intensificação das manifestações racistas é marcador da estratégia de Trump para ser eleito. E pelo que se vê, será a mesma para garantir mais quatro anos na Casa Branca. 

O discurso racista de Trump mira quatro congressistas negras

O multimilionário que precisa lidar com acusações de interferência russa nas eleições, também chamou Baltimore, cidade com maioria negra, de “lugar infestado de ratos”. 

– ‘Virando a Mesa do Poder’: Documentário da Netflix mostra 4 mulheres contra o dinheiro na política

Os hispânicos, alvos do atirador Patrick Crusius, de 21 anos, em El Paso, foram definidos por Trump como ‘vagabundos’, ‘traficantes’ e ‘estupradores’

Supremacia branca

O The New York Times publicou reportagem sobre uma carta escrita pelo supremacista branco de 21 anos. O jovem, natural de Allen, no Texas, dirigiu por 10 horas para matar latinos no Walmart da cidade com pouco mais de 600 mil habitantes. 

Na fronteira com Juárez, no México, El Paso tem população perto de 90% de hispânicos. 

O presidente chamou imigrantes mexicanos de ‘vagabundos’ e ‘estupradores’

“De modo geral, eu apoio o atirador de Christchurch [supremacista branco que matou 51 pessoas em mesquitas da cidade neozelandesa] e seu manifesto. Esse ataque é uma resposta contra a invasão hispânica no Texas”, escreveu ele, empregando o termo invasão, também utilizado por Trump para se referir aos imigrantes latinos. 

– As pessoas estão entregando suas armas após massacre na Nova Zelândia

O terrorista responsável pela morte de 9 pessoas em Dayton, Ohio, é conhecido como Betts e tinha 24 anos. No massacre, ele atirou e matou a própria irmã. Ainda não se sabe ao certo quais foram as motivações do criminoso, que foi morto pela polícia 1 minuto depois do início dos disparos. 

Ambos os casos estão sendo investigados pelo FBI e foram condenados por Donald Trump, que pediu o fim da radicalização. 

em Dayton, 9 pessoas foram assassinadas na madrugada de domingo

A morte de 29 pessoas em dois dias revela o crescimento da intolerância racista insuflada pelo próprio presidente dos Estados Unidos. Desde os ataques de 11 de setembro, afirma o FBI, o número de norte-americanos mortos em atos de terrorismo doméstico ultrapassou os internacionais. 

A polícia federal dos EUA aponta a supremacia branca como um fator principal. Lembrando que em 2017, Charlottesville, na Virgínia, foi alvo de uma manifestação de grupos da extrema-direita, Ku Klux Klan e neonazistas. Uma pessoa morreu. 

Publicidade

Fotos: foto 1: Mario Tama/Getty Images/foto 2: Alex Wroblewski/Getty Images/foto 3: Chip Somodevilla/Getty Images/foto 4: Whitney Saleski/Anadolu Agency via Getty Images


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Contra homofobia, Bahia lança manifesto e coloca arco-íris em bandeira de escanteio