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Virada Sustentável espalha arte e consciência ambiental em São Paulo

por: Gabriela Rassy

A 9ª edição da Virada Sustentável veio como um respiro do meio da semana em que o meio ambiente – principalmente a Amazônia e a biodiversidade brasileira – estava em foco. O mundo parou para olhar para o descaso com que se vem tratando nosso mais importante bioma enquanto São Paulo se desdobrou em centenas de atividades sobre o tema da sustentabilidade.

A abertura marcou o primeiro dia de fórum, na Unibes Cultural. Com uma música na voz de Jair Pereira, integrante da banda Aláfia, e uma canção-reza emocionante entoada por Brisa Flow, os trabalho foram abertos. Pessoas das mais variadas experiências e idades subiram ao palco para dar o gás necessária a esta edição.

Caminhos até 2030

Para falar da expectativa para 2030 – prazo estabelecido pela ONU para que sejam atingidos os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável -, alguns convidados subiram ao palco para falar de suas perspectivas e inspirações. “Nós fazemos parte desse sistema, mas não aprendemos direito a estar aqui. Agora é hora de juntar todas as formiguinhas, agir e reagir”, disse Rose Inojosa, de 71 anos, integrante da equipe do programa de aprimoramento de educação para o desenvolvimento sustentável da UPEACE (Universidade para a Paz).

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“Quero que as empresas meçam impacto ambiental como medem suas finanças, que a economia circular seja uma prática adotada por todas as empresas que produzem produtos”, desejou Tomás de Lara, de 35 anos, co-fundador e diretor do ColaborAmerica e do Cidades+B.

Em uma fala comovente, a estudante do 5º ano do ensino fundamental, Yasmin do Nascimento Guimarães, de apensar 10 anos, disse que espera um 2030 onde a gente não precise de metas nem datas para respeitar o meio ambiente. “Quero que seja diferente do que a gente está fazendo”, disse.

Se é na conversa que a gente resolve as coisas, a Virada mostrou que temos muito a debater pelos próximos anos para reverter a realidade. O painel de abertura veio no mesmo sentido, de repensar o que vai acontecer até 2030.

“A ciência mostra que depois de 2030 se a gente não estabilizar a perda de biodiversidade, o custo e a dificuldade para fazê-lo vão ser muito maiores. Isso por que vai entrar num processo, como esse que a gente está chegando perto na Amazônia agora, que chama “ponto de virada”. Nele, o ciclo negativo começa a alimentar uma autodegradação dos ecossistemas”, pontuou Mauricio de Almeida Voivodic, Diretor Executivo da WWF-Brasil.

Arte por toda Parte

A arte, um dos pilares da Virada, estava presente durante todos os dias de evento. A exposição “Mulheres do Xingu”, da fotógrafa paulista Sitah, apresenta as moradoras do Vale do Xingu. O trabalho mostra as integrantes o Movimento Mulheres do Xingu, que se reuniram pela importância de sair das aldeias e falar sobre o território delas, sobre a natureza e sobre a defesa das tradições.

O corredor da Paulista também foi ocupado por arte e desejos para o futuro próximo. A exposição “Imagine 2030”. De um lado, as imagens mostravam um futuro possível que já está sendo construído. Do outro, obras de 3 artistas feitas a partir da escuta sobre as 5 realidades e pessoas investigadas pela equipe do Imagine2030. Essas visões também ganharam projeção mapeada nos primeiros dias de festival.

Mas o grande destaque artístico da edição fica com o projeto 100 Minas que ocupou – e segue ocupando! – a Rua Félix Guilherm e a Heliodoro Ébano Pereira com arte feminina. Era para ser 100 artistas, mas um número muito maior de mulheres tomou os muros da região na Lapa com trabalhos impressionantes. A cor e o empoderamento ganharam espaço e dali não saem mais. Vale a visita.

Além de muita tinta, um palco recebeu shows e discotecagens e uma tenda travou debates, tudo isso em meio à exposição de arte, feirinha criativa e muita energia feminina. Podia ter todo o mês um evento assim. “É muito importante abrir esse espaço para o graffiti feminino, para as mulheres se empoderarem da rua”, disse a artista Gabriela Ribeiro, que fez um trabalho em homenagem à sua mãe.

No Parque do Ibirapuera aconteceu um pouco de tudo. Enquanto a Jaguar Parade exibia onças-pintadas para falar sobre seu quase risco de extinção, um centro de coleta recebia e explicava o destino dos plásticos recicláveis. No palco, a Orquestra Mundana Refugi, composta por músicos refugiados de diversos países mostrou sua linda mistura cultural. Do outro lado, a Cia da Tribo começava o espetáculo “Água Doce”, contando a história dos nossos rios através do folclore. Lindo de viver!

As expectativas para 2030 são altas. Como disse a pequena Yasmin, sem metas e nem prazos, podemos cada um fazer a nossa parte. Cobrar sim dos governantes, sem nos conformar, mas olhando também para nosso umbigo. O que escolhemos ou não comprar, como montamos empresas dentro da economia circular e quais são nossas prioridades nesse processo? Ficam os aprendizados e as artes para que a sustentabilidade e a diversidade sigam em pauta. Que o caminho seja cuidadoso e o futuro verde.

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Fotos: Gabriela Rassy, Gabriela Burdmann, Chris Ceneviva e Bruno Arita


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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