Viagem

A história (e as imagens) do ‘OVNI comunista’, um dos pontos mais fotografados do leste europeu

por: Vitor Paiva

O topo do monte Buzludzha, na montanhosa região central da Bulgária, sempre foi um ponto histórico para o país – mas não a Bulgária atual, e sim para outra versão do país que não existe mais: a Bulgária comunista. Foi no pico desse monte que o Partido Social Democrata Búlgaro (que se tornaria o Partido Comunista) foi fundado, e também foi na região que os rebeldes búlgaros venceram os otomanos e que os comunistas combateram os nazistas. Assim, em 23 de agosto de 1981, um imenso e exótico monumento foi construído – para ser, ao mesmo tempo, um memorial, um museu e um local para cerimônias. Passados 38 anos da fundação do Monumento Buzludzha, ele segue como um dos locais mais fotografados leste europeu, mas não mais por sua glória e grandiosidade, e sim por seu abandono.

Registro da época da inauguração do monumento

À época de sua fundação e durante seu tempo de uso, verdadeiras multidões visitavam o local para admirar os feitos e a grandiosidade do comunismo búlgaro – estima-se que 3 milhões de pessoas visitassem o “monumento do povo”, como ficou conhecido Buzludzha. A construção custaria cerca de 34 milhões de dólares atuais, mas foi toda custeada a partir de doações voluntárias e vendas de selos comemorativos.

O interior do monumento, durante os tempos áureos do comunismo búlgaro

Em 1989, porém, o estado comunista ruiu na Bulgária junto com o fim da União Soviética – e, em meados dos anos 1990, o monumento acabou abandonado, e seu formato, similar a um disco voador de filmes antigos, o tornou novamente uma atração turística – mas por motivos opostos à sua atração original.

O monumento hoje – abandonado

Hoje a internet reacendeu intensamente o interesse por locais abandonados das antigas repúblicas comunistas – como uma máquina do tempo que nos leva ao passado e nos lembra de um outro mundo que já existiu mas, ao mesmo tempo, mostra de forma inclemente como o tempo passou. Mas o futuro de todo esse passado permanece incerto: parte da população defende que o local seja reconstruído como era originalmente, enquanto outros que se mantenha abandonado.

Tem se tornado popular, porém, a proposta de fazer a manutenção para que o local não se deteriore, mas sem alterar seu estado atual – como um monumento complexo do passado, presente e futuro. O governo está fazendo avaliações de custos e compreendendo o que é possível fazer com o OVNI comunista búlgaro – que permanece como uma atração turística das mais fotografadas de todo o leste europeu, e uma lembrança agridoce de glórias e fracassos para todos os lados ideológicos.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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