Inspiração

Após câncer de mama ela foi a primeira mulher a nadar o Canal da Mancha 4 vezes sem parar

por: Vitor Paiva

Se as histórias de superação e glória hoje nos inspiram diariamente através de relatos e notícias, poucas se aproximam do mais pleno e incrível sentido dessas ideais como a da nadadora norte-americana Sarah Thomas. Aos 37 anos, ela recentemente se tornou a primeira pessoa a conseguir cruzar o Canal da Mancha, entre a Inglaterra e a França, quatro vezes ininterruptas. Como se não bastasse o feito, um detalhe nada mero ilumina ainda mais sua história: no ano passado, Thomas concluiu um tratamento para curar um câncer de mama.

A nadadora norte-americana Sarah Thomas

A jornada começou na madrugada do último domingo, e só se concluiu 54 horas depois, quando Thomas enfim o trajeto de ida e volta entre os dois países pela segunda vez. Antes dela, somente três pessoas haviam atravessado a nado por três vezes o canal, mas ninguém havia completado uma quarta perna. Thomas completou sua rota na manhã de terça-feira chegando a Dover, na Inglaterra, depois de superar não só a distância, a exaustão e o imenso esforço físico, mas também as fortes correntes marítimas, a água salgada e até mesmo as eventuais águas-vivas, abundantes nas águas da região.

Acima, Sarah no início de seu feito; abaixo, durante a travessia

“Não acredito que conseguimos. Estou realmente entorpecida”, disse em entrevista. “Havia muita gente na praia para me receber e me desejar o melhor, e foi muito legal da parte deles, mas eu me sinto atordoada”. O plural utilizado para comentar o feito é justo: Thomas contou com uma equipe que incluía sua mãe, para lhe alimentar durante o trajeto e se certificar de que estava tudo indo bem.

“Eu estive em muitas de suas viagens”, disse Becky Bexter, mãe de Sarah. “Essa foi de longe a mais assustadora”, comentou.

Todo o trajeto atravessado por Sarah entre a Inglaterra, à esquerda, e a França, à direita

O trajeto objetivamente seria de 129 km, mas pelo efeito das correntezas a distância aumenta em 60%, o que exigiu que Thomas percorresse um total de 209 km para ir e vir da Inglaterra à França por duas vezes. Uma água-viva lhe queimou o rosto durante o trajeto, mas nada faria a nadadora – que já havia cruzado o canal duas vezes – parar.

Trata-se de um dos grandes feitos da resistência e da superação humana, celebrado com champanhe e chocolate na chegada de Thomas, que dedicou a conquista e a entrada no Livro dos Recordes a “todos os sobreviventes pelo mundo” – e, exausta, celebrou dormindo pelo resto do dia o sono mais justo possível.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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