Diversidade

Avô com vitiligo cria bonecas inclusivas para acolher crianças com a mesma condição

por: Vitor Paiva

Apesar de não representar grandes males para a saúde, o vitiligo pode provocar, além das manchas embranquecidas na pele, grandes distúrbios psicológicos e traumas sociais: nenhum deles, porém, derivados do próprio vitiligo, mas sim do preconceito alheio. O vovô João Stanganelli Junior, de 64 anos, da cidade de Bragança Paulista, interior de São Paulo, convive com o vitiligo exposto em sua pele desde os 30 anos. Depois passar por um infarto, Stanganelli decidiu fazer sua parte na representatividade e pela inclusão – e, se valendo de seu passatempo, criou a Vitilinda, uma boneca feita de crochê com lindas manchas sobre sua pele.

A primeira Vitilinda foi feita para presentear sua neta, mas rapidamente o sucesso levou o passatempo a se transformar em um novo trabalho – e desde então as encomendas não param. Como uma condição de pele que atinge de 1% a 3% da população mundial, muita gente se interessou pela Vitilinda. A demanda foi tamanha, assim como o impacto positivo das bonecas, que Stanganelli decidiu ampliar a “coleção”, e criou também bonecas com alopecia areata, psoríase, dermatite atópica, e outras condições.

Hoje Stanganelli ainda mantém seu antigo trabalho com gastronomia, mas de forma muito menos intensa: segundo diz, 90% de seu tempo é dedicado à fabricação de bonecas. O crochê se tornou mais do que uma terapia, uma espécie de vício para o vovô, que transformou a prática em uma belíssima causa. “As manchas que tenho são lindas, o que mais machuca são as manchas no caráter das pessoas”, comenta.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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