Criatividade

Deepfake: recriaram cenas de ‘Matrix’ substituindo Keanu Reeves por Will Smith

por: Vitor Paiva

Poucos atores na história recente do cinema são tão diretamente ligados a um papel quanto o ator canadense Keanu Reeves e o icônico personagem Neo, do filme Matrix. Se para a maioria de nós é impossível imaginar outro rosto dando vida ao hacker que escolhe a pílula vermelha e descobre a verdade por trás de toda nossa realidade, curiosamente Reeves não foi a primeira escolha dos diretores: o papel originalmente foi oferecido para Will Smith, que recusou o papel para estrelas As Loucas Aventuras de James West, um dos maiores fracassos de sua carreira. Mas, para além da evidente falta de visão do ator, será possível imaginar como teria sido Matrix se, no lugar de Keanu Reeves, fosse Will Smith quem interpretasse Neo?

Pois não é mais preciso imaginar: um vídeo no Youtube utilizou a tecnologia do deepfake para recriar algumas das mais emblemáticas cenas do primeiro filme da trilogia Matrix com Smith como estrela do filme. O resultado impressiona: apesar da diferença na cor de pele, no cabelo e a adição do bigode, o vídeo é praticamente perfeito, e serve como um contunde exemplo das possibilidades quase infinitas (e um tanto assustadoras) que essa tecnologia hoje oferece para alteração – e inclusão de pessoas – em vídeos previamente filmados.

O deepfake é uma técnica de síntese de imagens que utiliza inteligência artificial para sobrepor imagens, rostos e falas em vídeos preexistentes – possibilitando assim que as imagens mostrem pessoas falando ou fazendo coisas que jamais fizeram ou disseram em vídeos praticamente perfeitos. Trata-se de um avanço tecnológico incrível, mas que pode trazer mais problemas do que benefícios: em uma era já contaminada pelas fake news, a possibilidade de manipular ainda mais a realidade e ampliar de forma radical a disseminação de mentiras – na política mas também na vida pessoal de eventuais vítimas desse tipo de manipulação – é assombrosa.

Com o deepfake, o trabalho de Neo parece se tornar ainda mais difícil – e talvez nem mesmo a pílula vermelha seja capaz de nos revelar a verdade por trás daquilo que nossos olhos estão vendo.

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© fotos: reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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