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Era Uma Vez o Mundo: A fábrica de sonhos de Jaciana Melquiades

por: Kauê Vieira

Empreender sempre foi a força propulsora de quem é negro no Brasil. São pelo menos 130 anos de luta pelo direito de existir. Tão logo a suposta abolição da escravidão foi assinada, mulheres e homens negros precisaram se virar para correr atrás do prejuízo de séculos de escravização. Saída para driblar a nulidade do Estado, que até hoje não ofereceu nenhum tipo de retratação ou indenização pelos crimes do passado. 

Jaciana Melquiades, 35 anos, empreende desde sempre. A historiadora de formação dribla armadilhas do racismo para se consolidar como empresária e provedora de sonhos. 

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“Comecei a trabalhar, acho que com 13 anos. Sempre pensei em coisas que pudessem custear o que queria. Empreender pra mim é sério. É você ter iniciativa para conseguir transformar  a sua realidade e até a realidade de outras pessoas. Então, acho que mesmo sem ter um negócio, as pessoas podem ser empreendedoras”, pontua em entrevista ao Hypeness.

Jaciana é empresária, mulher negra, mãe e provedora de sonhos

Jaciana nunca teve dúvidas do potencial transformador da educação. O contato com a educação formal se intensificou entre 2014 e 2017, tempo em que trabalhou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). No entanto, a saída provocada pela crise econômica serviu de trampolim para a transformação. Jaciana iria fabricar sonhos. Nasce a Era uma Vez o Mundo.

“A Era uma Vez o Mundo surgiu em 2011, naquele momento em que eu estava cuidando da casa, que eu já tinha feito coisas para a decoração do meu filho. Comecei a pensar que isso podia ser positivo para levar às escolas, não para vender, mas para fazer atividades. Em 2012, eu comecei a me conectar com outras mulheres negras que tinham vontade de fazer atividades, que é o Coletivo Meninas Black Power, em 2013 a gente começou a botar isso pra frente. Fazer atividades voluntárias nas escolas. Eu levava os brinquedos do meu filho para as atividades”

A Era uma Vez o Mundo chegou para preencher lacuna deixada pela ausência de representatividade na infância de Jaciana. Estratégia do racismo brasileiro. A empresa ganhou fôlego com o nascimento do primeiro filho da empresária e a passagem pelo Coletivo Meninas Black Power

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“A criação da Era uma Vez o Mundo tem uma ligação completamente direta com a minha própria vida pessoal e trajetória. Tem uma relação com a minha infância, com as pautas que tive na infância e que só tomei consciência com a maternidade. Quando comecei a pensar coisas que fizessem sentido para uma criança ter. Eu não encontrava essas coisas. Foi quando eu comecei a criar uma série de elementos. Boneco, elementos decorativos, coisas muito básicas para uso pessoal, mas que foram a resolução de um problema que eu identifico acontecendo desde a minha infância”, salienta. 

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De cara o negócio chamou a atenção dos professores, principalmente pelo potencial de preenchimento dos vários pontos cegos que impedem a aplicação da Lei 10.639/03, que obriga o ensino da cultura afro-brasileira nas salas de aula. 

“Eu consegui, de forma orgânica, alcançar um público bacana. De pessoas interessadas em educação e que viam nesses materiais uma possibilidade enorme de trabalho em sala de aula. Eu comecei a desenvolver atividade para as crianças e para os profissionais de educação – um público que demandava de mim esse tipo de produto, vamos dizer assim”

O começo foi desafiador e Jaciana teve que romper com conceitos patriarcais. O casamento e a decisão de abandonar o trabalho formal trouxeram problemas, superados pelo envolvimento em projetos sociais e atividades relacionadas com educação. 

Meu casamento foi importante, não só positivamente. A escolha, por exemplo, de abandonar o trabalho formal que eu tinha para ser a pessoa que ficaria em casa cuidando do meu filho. Dentro dessa estrutura mais patriarcal, do homem que sustenta. Isso fez que eu ficasse muito mal durante um tempo. Apesar de ter escolhido…depois que a realidade ganhou corpo na minha vida, isso fez eu entrar num processo de depressão. Trabalhar em casa foi a forma que encontrei para sair da inércia que achei que ficaria se só ficasse em casa sendo mãe. Comecei a trabalhar de casa. Comecei a me envolver com projetos sociais e atividades que fizessem eu fazer o que gosto, educação. A minha vida pessoal está diretamente influenciando os rumos que minha vida toma. 

A fábrica de sonhos da Boneca Dandara 

Embora com avanços sentidos, a representatividade negra no brincar ainda é falha e longe de contemplar a imensa demanda de crianças pretas. 

“A gente tem pouquíssima oferta no Brasil de hoje. De 2015 para cá, essa oferta cresceu bastante. Em 2014 era de 3% e hoje levantamento da ONG Avante já aponta que são 7%, a Abrinq também já começou a fazer esse tipo de mapeamento. Temos 7% de bonecas negras no mercado, mas qualquer pessoa que tenta comprar uma boneca negra tem muita dificuldade”

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Para Jaciana o nascimento do filho Matias foi o gatilho para a criação da Era Uma Vez o Mundo e da Boneca Dandara. A empresária pontua que a oferta de bonecas pretas contempla não só a construção da personalidade de crianças negras, mas é importante para que crianças brancas compreendam a diversidade. 

Eu já fiz esse tour por lojas perguntando e chega a ser constrangedor. E uma criança que não consegue ter acesso à esse tipo de brinquedo – e eu não estou falando só de crianças negras, mas crianças brancas também – tem uma séria dificuldade de entender o corpo negro no mundo. O impacto disso na vida de uma criança branca é sempre colocar a pessoa negra no imaginário dela, nesse lugar que ela vê nesses espaços. Se a gente pensar em crianças brancas de classe média e classe média alta, ela vai ter contato muito mais com pessoas negras trabalhadoras, que estão prestando algum serviço, então esse é o lugar da pessoa negra no imaginário dela.  

A diversidade também contempla o brincar

Se você tem filhos pretinhos ou já foi uma criança negra, certamente se deparou com olhares quase constrangedores voltados para meninos e meninas negras em festinhas. Pois é, a presença de Dandara pode ser o pontapé inicial para a formação da consciência racial. 

“A gente vê grupos de pessoas que não têm um amigo negro. Isso é muito estranho, esquisito. Não entender pessoas negras como passíveis de oferecer uma amizade é esquisito. Não vou nem falar de questões amorosas, porque isso se reflete nesse lugar também. E para criança negra…a autoestima dela fica abalada. Ela não consegue se ver pertencente. Eu sempre falo do meu caso, porque ele acaba sendo um exemplo bom para pensar. Eu cresci brincando com bonecas brancas

Nós por nós

Sentir-se negro é um processo de construção dividido em várias etapas. Primeiro cai a ficha do que significa ter a pele da cor da noite, depois vem a aceitação e descoberta para, em seguida, os louros e alegria de ser descendente de africanos. 

Com Jaciana não foi diferente. Para ostentar com alegria os lindos dreadlocks e um sorriso otimista, ela teve que lidar com todos os significados de ser mulher negra. 

“Se quer ir rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá em grupo”, diz o provérbio africano. Jaciana aprendeu isso a partir do encontro transformador com o Coletivo Meninas Black Power em 2012.

“Eu tenho uma vida antes do coletivo e uma depois do coletivo. Na verdade não existia um coletivo, nós somos mulheres que se encontraram e que tinham uma mesma vontade de fazer com que a educação fosse diferente; que tivesse uma pegada antirracista. A gente se juntou e fundou o coletivo para atuar nas escolas. Só que isso foi muito louco, porque eu pensei em atuar nas escolas, mas o que aconteceu – inclusive foi uma mudança em mim…uma mudança interna. Uma mudança de pensamento. Uma mudança de postura no mundo. Uma mudança na forma como eu estou no mundo. Eu, de fato, me transformei numa mulher negra de 2013 pra cá”, destaca.  

A sororidade das Meninas Black Power

Fortalecido pelo ímpeto comum de construir uma educação antirracista, o coletivo foi além, se tornando um espaço de cura, troca de ideias e experiências e incentivo ao trabalho coletivo de mulheres negras.

Essa mulher com consciência, essa mulher que não tem medo se mostrar preta. Essa mulher que não tenta, em nenhuma medida, suavizar a negritude que carrega e hoje tem muito orgulho disso. O coletivo me fortalece ainda. Eu faço parte do Coletivo Meninas Black Power, que me alimenta de trocas que são muito importantes pra mim. No processo de empreender e ser mãe, de ter um casamento que passa por problemas, enfim. Nós somos pessoas que trabalham juntas, mas principalmente somos amigas, pessoas que se amparam. A gente conversa, se dá suporte e se a outra não consegue fazer alguma atividade em casa sozinha, a gente se encontra. Se ajuda. Todas estamos em processo terapêuticos e vira e mexe uma vai com a outra. Eu não consigo ver e me pensar sem ser menina black power. É como meu pensamento existe no mundo. Com um olhar afroreferenciado. Pautado na nossa existência, de nós para nós. Que pensa a negritude enquanto comunidade. Para nós, homens e mulheres negras juntos no mesmo barco. Gosto muito dessa sinergia que temos dentro do coletivo

Racismo que emperra o progresso 

Empreender, como se vê, não é novidade para pessoas negras. Sempre foi assim. Mas, apesar dos afro-brasileiros dominarem o setor – respondem por 50% dos micro e pequenos empresários, diz o Sebrae – ainda falta qualificação e acesso. 

O Correio Nagô mostrou bem ao salientar que o rendimento de um empresário branco do setor de máquinas e serviços de saúde é 112% maior do que um negro. Trocando em miúdos, empreender para uma pessoa preta é necessidade. Para um caucasiano, vocação, herança ou consequência. 

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“De 2014 até 2017, fiquei trabalhando assim – com o coletivo e as atividades – mas em 2017, meu emprego que tinha na UERJ, acabou. Cortou todos os projetos. Eu precisei me dedicar exclusivamente à Era uma Vez o Mundo. Foi quando eu me voltei para o trabalho que eu fazia. Olhei tudo que tinha e tentei como tudo que eu queria fazer para esse negócio que era mais ou menos minha atividade secundária, virar minha atividade principal”, diz Jaciana. 

Daí a importância das chamadas aceleradoras de negócios. O Hypeness já mostrou o trabalho realizado pela Vale do Dendê. A empresa sediada em Salvador tem como alvo jovens e adultos dos bairros periféricos de Salvador – cidade com quase 90% da população formada por negros. O trabalho, basicamente, busca oferecer qualificação e espaços para o crescimento de empreendimentos. 

Jaciana fez algo parecido quando deixou o emprego na UFRJ. 

“Em 2017, comecei a dar corpo de verdade para a Era uma Vez o Mundo. Comecei a pensar o marketing, estratégias de crescimento, participar de programas de aceleração, fiz uma pós-graduação de gestão de negócio no IBMEC e isso tudo, essa formação, os encontros, foram me dando condições de gerir um negócio. Acho que é a nossa maior dificuldade hoje – conseguir gerir um negócio e fazer ele crescer para além da nossa bolha”. 

De fato, além do acesso difícil aos serviços de qualificação, entre eles o ensino superior, empreendedores negros ainda precisam lidar com o racismo. O HuffPost Brasil publicou estudo da Procon-SP (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor de São Paulo) que não deixa mentir: 56,4% dos entrevistados já presenciou alguma atitude discriminatória ao comprar um produto ou contratar um serviço. 

O empresário Renato Carneiro, da Katuka Africanidades, revelou em conversa com o Hypeness que sua maior dificuldade no começo era conseguir empréstimos bancários. Mesmo cumprindo todos os requisitos. 

Temos um afastamento pela estrutura toda do racismo que te coloca distante das possibilidades de créditos, das formas e até você entender que pode também, é um processo demorado. Não é tão simples, pelo menos pra minha geração. Eu tenho 46 anos. Uma das maiores dificuldades que nós (Katuka) tivemos nas lojas foi estabelecer relações de crédito, vou chamar assim. Seja com os bancos, seja com os fornecedores, a relação se dá sempre a partir da desconfiança, de que você não vai cumprir prazos, sabe? É muito louco isso! Sempre ocorreu comigo e até hoje ainda ocorre. Eu acho que esse é um grande impedimento e muitas pessoas desistem nesse momento. Você tem que pedir um financiamento no banco e a gente vai ser sempre olhado como ‘quem é você?’ e vão pedir o dobro de documentos.

Menina pretinha 

Falar de bonecas pretas faz lembrar Mc Soffia e seu sucesso de 2015. A jovem, hoje uma adolescente, talvez não se interesse mais por bonecas. No entanto, Soffia representa uma geração que sonha alto. 

Assim como o pequeno Matias, que vai crescer cercado de pessoas que querem falar de racismo, mas de forma positiva. Por isso, a Era Uma Vez o Mundo é tão importante. 

“A gente atua com professores…na verdade o que a gente faz, é apresentar algumas oficinas prontas, porque os professores ficam um pouco perdidos de como trabalhar a Lei 10.639 em sala de aula, então levamos, basicamente, nossos materiais e livros. E ensinamos algumas oficinas. Apresenta livros de outros autores e damos sugestões de como trabalhar esses textos em sala de aula. Desde atividades teóricas, até atividades mais brincantes, mais soltas. Então, a resposta dos professores é sempre muito positiva”, explica Jaciana sobre o processo da empresa. 

A empresária compreende a lacuna deixada por um Estado que aplicou a lei, mas insiste em ignorar a importância da capacitação. Livros obsoletos, visão racista e estereotipada do que significa ser negro no Brasil, são algumas das realidades da educação no país. 

“A universidade ainda tem uma certa dificuldade em tratar o tema, mas principalmente em oferecer ferramentas práticas para o professor conseguir dar conta das atividades em sala de aula. Oferecemos atividades práticas. O professor é muito sobrecarregado e falta um pouco de cuidado com esse profissional. De oferecer ferramentas e não mais trabalho para eles. Eles precisam de ferramentas e é isso que a gente faz”

Os movimentos 

Além do sorriso, “eu sou uma eterna otimista. Tá tudo ruindo, o Brasil tá um caos, mas eu confesso que sigo sendo uma pessoa muito otimista. Até porque, senão eu desisto. Eu trabalho com sonho, eu crio sonho e capacidade de sonhar e querer mudar”, Jaciana ostenta uma bela coroa de dreads. 

Sororidade e determinação para se esquivar das armadilhas de um sistema que insiste em racializá-la. Ela pontua que o cabelo abriga segredos e pontos importantes do processo de afirmação da negritude. 

“Nossa, meus dreads! Então, como eu falei em 2013 em diante, entrei num processo de autoconhecimento com o coletivo. Foi quando eu comecei a deixar meu cabelo natural e entendi que o que fazia com meu cabelo não era natural. É muito louco isso, mas o nosso entendimento das coisas vai mudando. E aí eu fiz de tudo, trança, cortei, pintei. Aproveitando que meu cabelo estava natural, eu achava que nada ia dar errado se eu mantivesse ele natural. E foi isso. Foi um processo bacana de conhecer meu cabelo, mas num determinado momento eu percebi que usava muita trança”

Para inspirar…

Comecei a avaliar porque fazia isso. E identifiquei que eu fazia isso porque nos meios que eu andava – eu começava a frequentar espaços de empreendedores e tudo mais -, era o cabelo mais aceitável, vamos dizer assim. Tinha uma certa passabilidade usar as tranças, muito mais do que  meu cabelo solto. Pensando sobre isso, escolhi os dreads. Pensei, cara, vou usar os dreads. Assumir de vez a minha identidade. Com os dreads não tem meio termo, né. Você é só preta mesmo. Eu resolvi assumir essa postura de ser só preta mesmo e encarar os espaços. Pra mim ele é muito empoderador. Estar nos lugares com ele e me fazer respeitável, entendendo que eu sou uma mulher preta em espaços frequentados majoritariamente por pessoas brancas, donos de empresa. Me fazer ver como empresária. É um processo desafiador e meu cabelo tem um peso nesse processo porque ao mesmo tempo em que ele pode ser um dificultador, ele é um marcador de identidade. Minha identidade

Fabricante de sonhos, é assim que essa mulher negra, mãe e carioca se apresenta para o mundo. Com sorriso no rosto, orgulhosa dos dreadlocks e proporcionando novos caminhos e nuances para infâncias que renasce todos os dias. Jaciana e Dandara chegaram para inspirar. 

“É isso que entrego com meus brinquedos, nas minhas atividades com os professores. Entrego o intangível, coisas que não existem. Então, o otimismo está no cerne da minha existência. Eu sempre vejo um copo meio cheio – nos piores momentos da minha vida, de bads, de crises existenciais – porque no fundo eu tenho essa necessidade de enxergar um caminho do meio. Encontrar a positividade que me permite continuar existindo. Muitas vezes me perguntei por que continuo fazendo o que faço? Por que não vou só arrumar um emprego e ganho meu dinheiro? Porque isso não é suficiente pra mim. Preciso trabalhar com algo que gosto, que faça sentido e que me permita chegar nos lugares onde eu sonho chegar. Nas escolas, em contato com as crianças”

 

Eu sei que você se interessou, então atenção para os endereços: 

Era Uma Vez o Mundo: http://eraumavezomundo.com.br/ e @eraumavezomundo

Meninas Black Power: @meninasblackpower

 

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Fotos: Reprodução/Instagram


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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