Matéria Especial Hypeness

Série ambientada em escola pública retrata realidade do ensino noturno no Brasil

por: Rafael Oliver

A série Segunda Chamada, coprodução da Globo com a 02 Filmes, que estreia em outubro, revela  o cotidiano de uma escola que adota a modalidade EJA (Educação de Jovens e Adultos), no turno da noite. Cenário principal da trama, a instituição leva o nome fictício de Escola Estadual Carolina Maria de Jesus. Mas poderia facilmente ser confundida com muitas escolas estaduais espalhadas pelo país. Com histórias de superação do ensino noturno para jovens e adultos, Segunda Chamada  aborda tanto as dificuldades que os professores enfrentam na profissão, quanto alunos de idades distintas buscando uma vida melhor por meio dos estudos, depois de um dia duro de trabalho.

A arte imita a vida

Construção histórica e bastante simbólica para a capital paulista, o cenário escolhido para as gravações é real: a escola, há 10 anos desocupada, foi erguida nos anos 50 para acolher a Escola do Jockey Club de São Paulo. Sem qualquer sistema hidráulico ou elétrico, a situação é precária. O local passou por uma reforma de cerca de quatro semanas, pelas mãos das equipes de arte e cenografia. Ou seja, para que o local representasse uma escola em péssimo estado, ainda tiveram que melhorar.

Ainda assim, alguns elementos foram preservados para garantir o realismo: sua pintura descascada, infiltrações, vidros estilhaçados e de suas pichações nas paredes. Tudo isso ficou de fora da reforma. A escola será como um personagem da história, emprestando seus principais valores à série.

“Desde o começo, pensei em gravar ‘Segunda Chamada’ em uma escola de verdade. Para mim, foi muito importante deixar a obra o mais próximo possível da realidade, o que uma locação como esta nos garantiu. Apesar do abandono, a construção é linda e quisemos aproveitá-la”, destacou Joana Jabace, diretora artística da série.

Aula de conscientização

Débora Bloch, que dará vida a professora Lúcia, acredita na importância da escola para a formação de uma sociedade e, assim como sua personagem, defende o tema. Ao Hypeness, disse contou que a série é uma oportunidade de mostrar a importância dos professores no Brasil: “Eu tenho muita consciência da importância que os meus professores tiveram na minha vida. Meus professores de teatro, desde pequena eu estava no teatro. Me considero uma pessoas formada pelos professores que eu tive, pela escola e pelo teatro.”, contou.

Débora está vivendo uma imersão no personagem. Nos contou que desde abril está envolvida nos preparativos para a série. Disse ter visitado escolas reais e está indignada com o abandono da educação pública.

“Eu espero que o assunto educação ganhe relevância. Mesmo com tantas manifestações você ainda vê pessoas defendendo esse desmonte. Acho que a gente tá vivendo exatamente a vitória da ignorância. As escolas lutam contra diversos problemas, desde instalações precárias até a evasão escolar, e o ambiente em si reflete esses dramas. Estar aqui nos ajuda a entender esse universo e contribui para mostrar o ensino noturno da maneira mais fiel possível”, disse.

Nota 10

Também no super elenco da série está Linn da Quebrada. A cantora, atriz e compositora vem se destacando cada vez mais no meio artístico e também como ativista pelos direitos da comunidade LGBTQ+. Agora a artista dá mais um passo em sua carreira ao estrear em Segunda Chamada.

“Foi uma experiência incrível, me senti realmente em uma escola, aprendendo muito, cercada de artistas extremamente generosas. Foram cinco meses de processos muito intensos que me deixaram um gostinho de quero mais! Eu estou super ansiosa pra compartilhar com o público mais esse passo na minha carreira”, conta a atriz.

Perguntada se há semelhanças com a personagem, respondeu: eu e a personagem somos diferentes. Mas a gente se assemelha em algumas coisas. Nas violências sofridas, pressões sociais impostas cotidianamente. Sinto que aí me aproximei da personagem. Nós não podemos viver livremente.”

Prova difícil

Caio Blah contou que ficou assustado com as dificuldades que os professores enfrentam, vendo de perto as péssimas condições de escolas. Em conversa com o Hypeness, o ator contou como enxerga na série a possibilidade de passar uma mensagem importante ao telespectador.  “O Brasil todo acredita que a educação pública é um recurso fundamental, o último refúgio de uma sociedade que é carente de tudo, é o mínimo, é a única coisa que poderia transformar a realidade desse país. Vi como é abandonado, como o professor tem que ser super herói para enfrentar tudo isso, violência dentro da sala, realidade social.”

Perguntamos ainda como o ator enxerga as tentativas de censura aos professores: “O professor tem que receber todo o apoio e toda a liberdade. Só ele sabe como lidar com alunos, como debater os temas dentro da sala, que ele acha pertinente. A gente tem que estar sempre lutando por isso, pela liberdade de pensamento. ”

Com previsão de estreia em outubro, Segunda Chamada, uma coprodução da Globo com a 02 Filmes, é uma série criada por Carla Faour, Julia Spadaccini e Jo Bilac, escrita por Carla Faour e Julia Spadaccini, com Maíra Motta, Giovana Moraes e Victor Atherino. A série conta com a direção artística de Joana Jabace e direção de Breno Moreira, João Gomez e Ricardo Spencer.

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Rafael Oliver
Publicitário de formação, com passagens por grandes agências, também atua por vocação na área da comédia. É redator, roteirista e humorista . Encontrou em San Diego, na Califórnia, seu segundo lar. Está sempre por lá. Vive uma busca incessante por novas experiências. E está longe de parar.

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