Debate

Escola católica nos EUA decide banir os livros da saga Harry Potter por conterem “feitiços”

06 • 09 • 2019 às 10:35 Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Se o Brasil atravessa um momento sombrio com relação a educação, o obscurantismo definitivamente não é exclusividade nacional: nos EUA, uma escola católica decidiu banir de sua biblioteca uma série de livros que, segundo o reverendo local, representava “magias e feitiços”. Engana-se, porém, quem pensa que a “polêmica” trata de alguma obra que efetivamente trate do tema: os livros banidos na escola St. Edward, na cidade de Nashville, eram exemplares da saga Harry Potter.

A decisão de retirar os livros infantis do bruxinho criado pela autora inglesa J. K. Rowling se deu por sugestão do Rev. Dan Reehil, pastor da Escola Paroquila Católica Romana. “Esses livros apresentam a magia como o bem e o mal, o que não é verdade, mas de fato é um engano inteligente. As maldições e feitiços usados ​​nos livros são maldições e feitiços reais que, quando lidos por um ser humano, correm o risco de conjurar espíritos malignos no presença da pessoa que lê o texto”, afirmou o reverendo. Para recomendar a exclusão dos livros, o reverendo afirma ter consultado diversos “exorcistas” tanto nos EUA quanto em Roma.

Os “perigosos” personagens proibidos pelo reverendo

As aventuras de Harry Potter em Hogwarts, a escola fictícia de magia onde estuda, foi contada em sete livros, que já venderam mais de 500 milhões de exemplares pelo mundo, impactando positivamente de forma incontestável nos hábitos de leitura das novas gerações. A adaptação para o cinema também se transformou em fenômeno mundial, como uma das mais bem sucedidas e influentes sagas da história.

O Rev. Dan Reehil

Apesar da igreja não possuir qualquer posição oficial sobre a história, o reverendo questionou a obra por tratar de feitiços como “Avada kedrava”, a maldição da morte e a maldição da manipulação, entre outros. Segundo representantes locais, o reverendo de fato possui “autoridade canônica para tomar essas decisões em suas escolas paroquiais”.

Desde o primeiro lançamento da série, Harry Potter e a Pedra Filosofal, em 1997, que a Igreja Católica vem perseguindo os livros de Rowling: em 1999 o livro foi o mais questionado de todo o país, segundo a American Library Association.

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