Sustentabilidade

Estádio é ocupado por floresta de 300 árvores para chamar atenção para o meio ambiente

por: Vitor Paiva

Quando queremos oferecer a imensa dimensão de um desmatamento ou uma queimada devastando uma floresta, utilizamos estádios de futebol como uma assustadora unidade de medida. Segundo o INPE, por exemplo, somente no mês de agosto desse ano o fogo o destruiu uma área equivalente a 4,2 milhões de campos de futebol. O artista suíço Klaus Littmann tornou essa medida literal em sua nova – e monumental – obra. Intitulada For Forest – The Unending Attraction of Nature, a obra levou literalmente a floresta para dentro de um estádio.

Localizado na cidade austríaca de Klagenfurt, o trabalho foi inspirado em um desenho que Littmann viu há 30 anos, mostrando exatamente um estádio no qual os espectadores assistem não a uma partida, mas uma pequena floresta. Trazer a inspiração para os dias de hoje e torna-la real naturalmente trouxe ao debate temas como desmatamento, mudanças climáticas e nossa própria relação com a natureza de modo geral. Para tal, no gramado do estádio Wörthersee, com capacidade para até 30 mil pessoas, cerca de 300 árvores foram plantadas.

O público pode visitar o estádio gratuitamente desde 10 da manhã até 10 da noite, e assistir os efeitos do tempo, do clima, das diferentes luzes do dia e das estações, sobre as árvores – assim como da própria iluminação do estádio, que transforma as árvores em um espetáculo especial de sombras e formas à noite. Assistir às árvores em um estádio é um jeito do artista nos lembrar que estamos correndo sério risco de somente poder experimentar a natureza em ambientes controlados e artificiais, feito um zoológico verde.

A obra ocupará o estádio Wörthersee, na cidade de Klagenfurt, na Áustria, até o dia 27 de outubro. Ao fim, as árvores serão replantadas em uma área perto do estádio, como um trabalho em permanente processo – uma escultura viva que durará séculos e séculos – a não ser que o efeito da ação humana a destrua.

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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