Fotografia

Janis Joplin clicada por Baron Wolman em São Francisco nos anos 1960 é pura inspiração

por: Vitor Paiva

Em janeiro de 1968 Janis Joplin era uma jovem cantora com pouco mais do que um ano de carreira – e não seria exagero dizer que já era uma das maiores vozes da história do rock e da música popular. Hoje, passados quase 50 anos de sua morte – em 04 de outubro de 1970 aos 27 anos – ela segue cantando melhor do que nunca, com seu lugar no olimpo dos grandes artistas do século XX já devidamente imortalizado. O emblemático ano de 1968 havia acabado de começar quando o fotografo Baron Wolman visitou Joplin em sua casa na cidade de San Francisco para um ensaio fotográfico – que hoje se imprime como uma viagem a uma época que parece que nunca irá acabar.

Baron era um dos importantes fotógrafos da então recém-fundada revista Rolling Stone, que também se tornaria ícone de uma época e da própria história do rock e da música pop. Estilo, doçura, força, beleza, alegria e espontaneidade parecem saltar dos sorrisos, poses e figurinos que Joplin empunhou para as fotos. A cantora havia lançado somente seu primeiro disco, à frente da banda Big Brother & The Holding Company, mas sua apresentação no Festival de Monterey, em junho de 1967, já havia causado espanto em todo o mundo musical, que teve certeza: uma nova força da natureza, uma voz insuperável e, em suma, uma grande estrela havia nascido.

Esse seria também o ano que Joplin e a Big Brother gravariam possivelmente a maior joia da discografia da cantora: o álbum Cheap Thrills, lançado em agosto de 1968, trazendo clássicos como “Piece of My Heart”, ‘I Need A Man To Love”, “Ball and Chain” e a imortal regravação de “Summertime”, de George e Ira Gershwin. Se Joplin sempre cantou como uma experiente anciã do blues, capaz de tocar nas profundezas humanas com sabedoria e dor singulares, nas fotos de Baron a cantora ainda carrega toda a juventude e energia que também definiria, em paradoxo, sua arte.

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© fotos: Baron Wolman


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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