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Kaitenzushis: os tecnológicos sushis de esteira express feitos por robôs no Japão

por: Gabriela Rassy

O Japão é muito conhecido por duas coisas: tradição e inovação. Se tem um tipo de lugar que une essas duas características são os chamado Kaitenzushis, os sushis de esteira. Este modelo de restaurante não é tão recente assim. Se no Japão eles existem há aproximadamente 55 anos, no Brasil também já nos deparamos com lugares onde os pratos ficam girando e passando pelos clientes até serem escolhidos. Mas uma rede em especial elevou essa forma de comer sushi no Japão: a Uobei.

Em primeiro lugar, vale lembrar que o sushi, apesar de muito tradicional, não é um prato do dia a dia do japonês. Assim como no Brasil, o peixe cru é reservado para situações especiais ou para saídas aos finais de semana já que não é lá muito barato. O comum mesmo por lá é comer massas ensopadas, como um belo lamen, ou simplesmente arroz com curry e carne.

Os sushis de esteira, por outro lado, são uma opção mais em conta e mais rápida do que qualquer restaurante do tipo. Claro que não é aquele sushi gourmet, mas a ideia ali é a praticidade – fora que é bem divertido.

No Uobei, os sushis são servidos em duplas e cada uma custa 108 yenes – aproximadamente R$4, na cotação atual. Além disso, os parzinhos chegam à mesa numa velocidade e de uma maneira impressionante. Diferente dos outros lugares, os sushis não ficam rodando ao leo. Você escolhe cada dupla que é preparada na hora.

Ah, um detalhe bem importante é que a profissão de sushiman é bastante respeitada, com profissionais que passam anos aprimorando sua técnica. No Uobei, por outro lado, quem prepara a comida são robôs. Eles é que pegam as fatias de peixe e posicionam sobre o arroz antes de colocá-los nos pratos com microchips.

A primeira casa foi aberta no animado bairro de Shibuya. Em meio à uma pequena rua próxima ao cruzamento mais movimentado do bairro e de propagandas com imagens e sons, encontramos o restaurante. Chegando lá, basta fazer o check in, pegar seu número e se acomodar no lugar correspondente. A casa parece uma lanhouse ou cyber café, só que de sushi.

Cada cliente tem à mesa um tablet, uma torneira com água quente, matcha em pó para preparar seu chá na horinha, shoyo e raíz forte. Os tablets tocam uma musiquinha que parece de vídeo game enquanto você escolhe seus pratos – pode respirar em paz que tem menu em inglês e com fotos. É tudo bem explicado e fácil de manusear.

Depois de escolher seu sushi – e sugiro que peça uma dupla por vez, sem desespero – basta finalizar e aguardar. O pedido não demora mais de 3 minutos para sair deslizando rapidamente da cozinha. Na bancada atrás do tablet estão três trilhos empilhados que enviam bandejas com até três pratos cada.

Quer tirar uma foto? Faça o pedido e já agarre o celular. É rápido de verdade! O sistema de alta velocidade da Uobei é o primeiro do tipo na indústria de sushi do Japão. Li por aí que os pratos percorrem uma distância de 7 metros em coisa de 8 segundos. Depois de pegar seu prato, aperte um botão que a bandeja voa vazia de volta para a cozinha. Simples assim.

Vamos aos sabores! Tudo muito variado e com diversas combinações, escolhi uma dupla de atum gordo e magro. O mais escuro, com pinta de goiabada, é o magro. No Japão, pelo que pude notar até pelos preços e perguntando para algumas pessoas, a preferência é pelo gordo, com carne mais clara. Os dois eram deliciosos e fresquíssimos. Diferente de alguns encontrados no Brasil, os cortes vinham sem uma fibra sequer para contar história. Perfeito!

Vale provar ainda algum sushi de salmão, já que lá é garantido que é salmão mesmo – o que não podemos afirmar por aqui. Os pares de camarão, ovas e lula tinham o mesmo preço dos peixes, então da-lhe frutos do mar que é disso que a gente gosta. Pedi uma duplinha com camarão frito deliciosa e uma com camarão cozido, abacate e uma saladinha de cebola por cima – tem que gostar muito de cebola, visse?

Quem quer comer ainda outras maravilhas nipônicas pode provar uma das opções de lamen, rolinho primavera, guioza e frango frito. Tem também batata frita – que eles comem bem lindo com os palitinhos, tá, meu amor? – e, para quem acha que o brasileiro não tem limites, sushi de hambúrguer.

Com 4 pratinhos – 8 unidades – já estava feliz para seguir passeando. Dava para comer mais? Sempre dá, vai do seu apetite. Mas a brincadeira saiu 432 yenes ou R$ 16 na cotação que paguei. Para um almoço rápido ou só para testar toda essa tecnologia, vale demais a passagem por ali.

Uobei Shibuya-Dogenzaka
Onde? 2-29-11 Dogenzaka, Shibuya, Tokyo
Quando? 11h às 00h (último pedido 23h30)

Uobei Mizuo
Onde? 820-7 Tonogaya, Mizuho-machi, Nishitama-gun, Tokyo
Quando? 10h30 às 22h (último pedido 21h45)

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Fotos: Gabriela Rassy


Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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