Inovação

Loja em Seattle cria programa para reciclar embalagens de maconha

por: Vitor Paiva

O fato de uma indústria melhorar nossa realidade e o mundo em que vivemos por um lado não quer dizer, por outro, que essa mesma indústria não possa estar prejudicando o planeta. E essa vem se tornando uma preocupação dentro do crescente mercado de maconha legalizada nos EUA: se esse mercado vem impactando positivamente em frentes diversas (como o uso medicinal da planta, a redução no tráfico ilegal e na violência policial e o reinvestimento de impostos arrecadados), algumas marcas começam a criar medidas para que o mercado da cannabis não se torne poluente, mas sim uma referência em reciclagem.

É para combater todo desperdício ligado ao consumo de maconha que a loja Canna West Seattle, na cidade de Seattle, nos EUA (onde a maconha é legalizada tanto em seu uso medicinal quanto recreativo) criou um programa de reciclagem de embalagens, tubos, saquinhos, redes e outros materiais que vinham sendo desperdiçados e se transformando em poluentes potenciais. A ideia é que a iniciativa se torne um exemplo no estado de Washington, especialmente pois o programa aceita materiais de outras lojas para serem reciclados.

Exemplos de embalagens utilizadas na venda de maconha em Seattle

“Isso não deve ser algo feito somente pela gente, e esperamos que se transforme em um diálogo”, disse Maryam Minateghi, proprietária da Canna West. “Esperamos melhorar a conexão entre a indústria da maconha e o meio-ambiente em geral”, afirmou. A questão da poluição a partir das embalagens de cannabis no estado foi tema de uma reportagem recente no Washington Post, que ajudou a motiva o debate e a proposição de soluções como o programa. Iniciativas similares já acontecem em lojas no Canadá, onde o uso de maconha também é legalizado.

Ponto de coleta para reciclagem na loja em Seattle

Washington foi o primeiro estado dos EUA a legalizar o uso recreativo da maconha, em dezembro de 2012. Em 2016, a dimensão do mercado somente no estado já superava 1,1 bilhões de dólares em vendas – e tal crescimento também se reverte em preocupação ambiental. “Estima-se que em 2020 superaremos a marca de 1 bilhão de embalagens de maconha”, afirma Minateghi, que pretende ajudar, através do programa e do exemplo, que essas peças poluentes terminem nas ruas ou nas águas de Seattle.

Canna West Seattle

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© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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