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Memorial do feminicídio chama a atenção para a violência contra a mulher em Istambul

por: Gabriela Glette

Consequência extrema da desigualdade de gênero, é preciso falar sobre a violência contra a mulher, que em alguns casos acaba resultando em morte. No entanto, se o feminicídio é um termo usado para definir o crime de ódio baseado no gênero, grande parte dos feminicídios acontece em casa. Para tratar deste assunto espinhoso, o artista turco Vahit Tuna – também conhecido como Yanköşe, criou um memorial do feminicídio em Istambul, onde expôs 440 pares de sapatos femininos em um prédio.

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O número não é aleatório, já que em 2018 foram exatamente 440 mulheres mortas por seus próprios maridos na Turquia. Isso sem contar as mortes não divulgadas. Com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre esse assunto, o artista teve a idéia de fazer uma instalação que ninguém pode ignorar. A inspiração veio do crescente número de mensagens sobre o problema nas mídias sociais.

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Apesar de ter escolhido o salto alto como símbolo do poder feminino e da independência que ele deseja que todas as mulheres tenham, os sapatos expostos nunca pertenceram às vítimas. Entretanto, mesmo que o salto alto tenha sido escolhido mais por uma questão estética, também podemos associá-lo como um símbolo de mulheres empregadas e, portanto, capazes de cuidar de si mesmas, não sendo dependentes de seus cônjuges.

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O artista, que costuma tratar de questões sociais e econômicas com as quais seu país está lidando, também reforça a necessidade de criar políticas públicas que sejam capazes de mudar esta realidade.

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O feminicídio no Brasil

Aqui, a onda de casos de feminicídio classificou o Brasil como a quinta maior taxa de feminicídios do mundo, entre 84 nações pesquisadas segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde. Das 4 mil mulheres que morrem anualmente no Brasil, 60% são vítimas de feminicídio praticado em suas próprias casas.

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Segundo a mestre em demografia Jackeline Romio, a grande maioria destas mortes podem ser evitadas através de mobilizações sociais e políticas públicas. O desequilíbrio de poder, a objetificação das mulheres e a exploração do trabalho colocariam o gênero em situações de morte dentro de relações domésticas, familiares e sexuais. Temos um longo desafio pela frente, mas tudo começa quando passamos a tratar deste assunto e, neste sentido, as redes sociais tornaram-se ferramenta essencial.

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Fotos: Yanköşe

 


Gabriela Glette
Uma jornalista que ama poesia e mora na França, onde faz mestrado em comunicação. Apaixonada por viagens e inquieta por natureza, ela encontrou no nomadismo digital o segredo de sua felicidade, e transforma a saudade que sente da família e amigos em combustível para escrever suas histórias.

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