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Nuances da construção das masculinidades brasileiras estreia em documentário

por: Gabrielle Estevans

“Falar sobre as masculinidades pode não ser a coisa mais urgente, mas certamente é algo que perpassa todas as questões urgentes que nossa sociedade precisa endereçar.” A frase, de Ismael dos Anjos, coordenador da pesquisa nacional Silêncio dos Homens, faz parte do documentário que traz dados inéditos sobre o raio-x da masculinidade brasileira. Erros, dores, violências e desafios são abordados em cinquenta minutos de produção. O trabalho, fruto de um giro de um ano pelo país, ouviu especialistas e histórias inspiradoras para entender se há — e como — formas mais saudáveis de ser homem atualmente. 

Na estreia, que aconteceu na última quinta-feira (29), no Reserva Cultural, estiveram presentes equipe, especialistas ouvidos no documentário, personagens, ativistas, além de convidados de Reserva, viabilizadora do projeto junto com Natura, e anfitriã da sessão na capital paulista. Ao mesmo tempo em que o documentário corria na tela do tradicional cinema paulistano, mais 240 pontos pelo país exibiam o filme em sessões independentes. No final da noite, o número de voluntários para continuar exibindo o filme voluntariamente em território nacional já passava de mil. Quando as luzes do cinema se acenderam, mulheres e homens se revezaram no microfone para fazer perguntas à equipe. Como acolher um amigo, como conversar com quem ainda é muito conservador e de que forma os homens podem começar a criar grupos foram alguns dos questionamentos que brotaram da sessão. Luiza Castro, diretora da produção, ressaltou a importância de que, ao desconstruir a masculinidade tóxica vigente no mundo hoje, o primeiro passo dos homens seja escutar atentamente as mulheres ao seu redor sem que façam dela professoras que os guiem para novos comportamentos. É preciso trilhar a estrada sozinho, sem colocar nos ombros femininos mais uma carga.

 

A jornalista Camile Liguori, uma das convidadas da sessão, diz que o filme aborda uma questão essencial e que precisa ganhar o país: “Sai do cinema com a sensação de que O Silêncio dos Homens é o tipo de documentário que precisa rodar. Ele traz luz a um tema urgente, que precisa ser debatido e por isso tem que chegar longe, estourar a bolha e alcançar homens e mulheres de todos os cantos do Brasil. O questionamento e todo o ‘pensar sobre’ que ele carrega na sua narrativa com muita sensibilidade e empatia, vai enriquecer conversas de bares e fazer muita gente parar para pensar em pontos que nunca antes tinham sido refletidos”.

Fruto de uma pesquisa que ouviu mais de 40 mil pessoas pelo Brasil, o filme traz recortes importantes para a discussão — como raça e classe — e que apontam que não há possibilidade de abordar o assunto sem entender que para determinados grupos, para determinadas maiorias minorizadas, os obstáculos, as carências, as violências, o acesso a oportunidades é completamente diferente e extremamente desigual e que, por isso, obviamente, a construção da masculinidade há de ser outra. Se quisermos ter uma compreensão do problema e mapear soluções, é urgente que se discuta as vivências do homem negro, do homem periférico, do homem trans. 

Guilherme Valadares, fundador do PapodeHomem, em trecho do documentário Silêncio dos Homens

Como aspiração principal da trabalho, Guilherme Valadares, fundador do PapodeHomem e diretor criativo da pesquisa e de seus desdobramentos, diz sonhar com quem cada município brasileiro tenha um grupo que se reúna para discutir, repensar e encontrar caminhos mais benéficos para ser homem. Àqueles que quiserem se lançar a essa empreitada, há um materiais disponíveis com ferramentas e dicas para colocar tais grupos de pé. 

Para baixar gratuitamente todos os materiais do projeto Silêncio dos Homens, clique aqui.

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Gabrielle Estevans
Jornalista, escreve sobre gênero, cultura e política. Também trabalha com pesquisa, planejamento estratégico e projetos com propósito e impacto social.

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