Futuro

ONG desafia britânicos a ficar 30 dias sem redes sociais por saúde mental

por: Vitor Paiva

O que estaríamos fazendo com nosso tempo livre se as redes sociais não existissem? Pode parecer uma pergunta banal, mas a verdade é que hoje em dia ocupamos praticamente todos os hiatos de nossas vidas vidrando os olhos na direção de um smartphone ou um computador, olhando a vídeos, fotos ou postagens diariamente. Essa pergunta foi transformada em uma proposta pela Royal Society for Public Health, ONG britânica de saúde que, para o mês de setembro, desafiou as pessoas a combaterem esse verdadeiro vício e ficarem 30 dias sem acessar redes sociais.

A iniciativa visa oferecer “uma oportunidade única de tirar um descanso dos perfis nas redes sociais” para atentar ao impacto negativo que o uso excessivo das redes pode provocar em nossa saúde mental. Segundo estudos, o aumento da ansiedade, depressão, os casos de cyberbullying, insônia e os mais variados problemas de autoestima estão diretamente ligados ao vício em redes sociais contemporâneo. “Ao passar um mês sem ‘rolar a tela’, você vai ter a chance de releftir sobre o seu uso das redes sociais – o que você perdeu, o que você ganhou, e o que você pode fazer para aproveitar o tempo em vez de usar as redes”, diz o site da campanha.

Intitulada “Scroll Free Septemper”, a campanha sugere níveis diferentes de adesão: você pode ser uma “Social Butterfly” (“Borboleta social”, em tradução livre), deixando de postar durante eventos sociais e reuniões em geral, “Night Owl” (“Coruja noturna”), que não utiliza as redes depois das 18hs, ou uma “Busy Bee” (“Abelha ocupada”), que consiste em não acessar as redes nas horas de trabalho ou estudo – e uma última opção seria jamais usar o celular na cama.

“O Scroll Free September é ótima para destacar as preocupações crescentes sobre como as redes sociais estão contribuindo para aumentar problemas de saúde mental em pessoas jovens. Nós precisamos ver uma ação conjunta, com todos assumindo responsabilidades, incluindo os gigantes da mídia social, para que o NHS não tenha de lidar com uma epidemia de saúde mental na próxima geração”, afirma Claire Murdoch, diretora da área de saúde mental do Sistema Nacional de Saúde da Inglaterra.

No site, uma contagem regressiva mostra os dias, horas e minutos para se completar um mês sem redes sociais – e lembrar que é for a delas que a vida de fato acontece. Alguém aí tem coragem?

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© fotos: divulgação/reprodução


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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